5G no Brasil

Quando a 5G desembarca no Brasil? Estratégica também para impulsionar os ganhos produtivos da indústria nacional, essa tecnologia é muito aguardada. 

À primeira vista, o 5G é apenas uma atualização dos sistemas de 4G já existentes no Brasil – que somam as frequências de rádio outorgadas pelo governo a operadoras de telefonia móvel para transmissão de dados digitais. 

Na prática, como destaca a BBC Brasil, o 5G será muito mais do que isso. A velocidade esperada nas conexões é da ordem de 10 a 20 vezes maiores do que a tecnologia do 4G. 

Mas diante todo o cenário favorável, a chegada do 5G é cercada de idas e vindas. E é inclusive motivo de celeuma a partir de críticas à China, país que pretende disputar o futuro padrão da telefonia móvel. O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, Eduardo Bolsonaro, disse (ler aqui) “que o Brasil apoia um projeto dos EUA para o 5G, que exclui a China.”

A frase provocou repúdio da embaixada chinesa no Brasil. Em nota, ela atesta que as declarações são difamatórias.

Polêmicas políticas à parte, o 5G vive uma novela brasileira e Energia Que Fala Com Você apresenta a seguir alguns capítulos. 

Maior leilão era esperado para este ano

Em fevereiro a situação era favorável: a Agência Nacional das Telecomunicações, a Anatel, anunciava no dia 06 a aprovação de edital para o leilão de radiofrequência para essa tecnologia móvel de quinta geração (confira a respeito). Na oportunidade, o leilão já era considerado o maior de radiofrequências da história do país, segundo destacou o UOL (leia aqui). 

Mas daí veio a pandemia do novo coronavírus. 

“O 5G naturalmente vai ter que ser replanejado no sentido de mudanças no cronograma, pois não faz sentido [ocorrer o leilão] nesse cenário todo”, afirmou em maio Paulo César Teixeira, CEO da área de acessos individuais da Claro, em conteúdo do Teletime

No primeiro semestre, a tecnologia foi tema de audiências públicas como a realizada em 15 de maio na Câmara dos Deputados

Na oportunidade, Vitor Menezes, secretário de Telecomunicações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, frisou que o 5G é uma tecnologia nova e disruptiva, “que promete alterar a forma como vivemos.” E salientou: o 5G não é evolução do 4G. Leia mais aqui

“Quem mais vai se beneficiar do 5G são os diversos setores da Economia, com o surgimento de novos serviços”, disse, no mesmo evento, Paulo Emílio Loures, diretor da Intel Brasil. 

No entanto, em junho o presidente da Anatel, Leonardo Euler, avaliou em evento que o leilão da tecnologia deverá ser realizado em 2021. De pronto, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) defendeu que o leilão ocorresse nesse ano, como previamente estipulado. 

“Com a eventual postergação do leilão e dos investimentos, haverá um atraso na implantação e na entrada em operação de redes 5G no Brasil. E, com isso, o consumidor final – seja ele industrial, comercial e de serviços – esperará mais tempo para utilizar uma tecnologia já em estágios mais avançados de adoção em vários países”, disse, em nota, a Abinee. Leia aqui conteúdo a respeito.  

Contudo, o leilão ficou para 2021, segundo relatou no começo de novembro o ministro das Comunicações, Fábio Faria. Confira mais aqui

A torcida agora é que o evento ocorra no primeiro semestre. 

Certificação é necessária, defende CPqD.

Enquanto isso, o 5G é tema de eventos de cunho técnico. Foi o caso, por exemplo, de encontro sobre certificação realizado em outubro. Na oportunidade, Sebastião Sahão, presidente do CPqD, frisou sobre a importância da certificação também sobre a tecnologia 5G. Disse ser importante manter a qualidade dos serviços com a chegada das novas tecnologias “e para isso é necessária a certificação dos produtos.” Ler mais aqui

Ademais, em que pese a necessidade da certificação defendida pelo CPqD, tem o mercado de telecomunicações operado por praticamente três empresas fornecedoras de equipamentos tecnológicos para as operadoras de telefonia. São elas: a sueca Ericsson, a finlandesa Nokia e a chinesa Huawei

Assim como em diversos países do mundo, no Brasil a rede de 4G conta com tecnologia destas três empresas, destaca a BBC. 

Diante isto, vem o capítulo mais recente dessa novela. No dia 27 deste novembro, a Conexis Brasil Digital, representante das operadoras, divulgou nota na qual se diz contrária a possíveis restrições à participação de fornecedores de equipamentos no processo de implantação das redes 5G no Brasil. 

No entanto, lembra a Conexis em nota (ler aqui), que “todos os fornecedores globais já atuam no país nas tecnologias 4G, 3G e 2G. Uma eventual restrição a fornecedores do 5G pode atingir também a integração com a infraestrutura já em operação, com consequências diretas nos serviços oferecidos e custos associados.” 

Como se vê, a chegada da tecnologia 5G ao Brasil é pivô de questões mais de ordem política. Porque as questões técnicas estão em ritmo acelerado inclusive com eventos relacionados. 

Enquanto isso, acompanham atentamente cada capítulo da novela consumidores finais e empresas, todos na torcida para que o fim da saga seja positivo e, enfim, a tão esperada tecnologia 5G desembarque de vez em território nacional.