Demanda por gás natural crescerá até 8% ao ano

Projeção é da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, e leva em consideração futuros empreendimentos com o Novo Mercado de Gás

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Demanda por gás natural crescerá até 8% ao ano
Foto: Petrobras

O mercado de gás natural é promissor no Brasil. Em um horizonte até 2030, a demanda total terá crescimento médio de 5% ao ano, embora possa chegar a 8% anuais caso sejam viabilizados projetos-âncora de procura pelo combustível no âmbito do Novo Mercado de Gás

A projeção otimista é da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia (MME), em seu recém-divulgado Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2030. 

Por sua vez, o otimismo das projeções está baseado principalmente pelo Programa Novo Mercado de Gás (NMG), que depende do governo federal para entrar em prática. 

Com esse Programa, espera-se que cada vez mais agentes possam acessar o mercado, participando das negociações com maior transparência e descoberta de preços. 

Mas além do Novo Mercado de Gás, outro motivo para a estimativa de alta na demanda é explicado pela retomada do crescimento do setor industrial brasileiro após a pandemia. 

É preciso lembrar que houve queda de cerca de 20% na demanda nacional por gás natural dos segmentos industrial, comercial, residencial e de GNV devido à crise da Covid-19. Mas, segundo a EPE, esta queda será revertida em 2021.

Em resumo, a EPE prevê avanço da demanda pelo derivado de petróleo no cenário que considera informações recebidas pelas distribuidoras regionais, além das perspectivas do aumento do PIB nacional nos segmentos industrial, comercial, residencial e de transportes. 

Como deverá crescer a demanda por gás natural no Brasil 

(em milhões de metros cúbicos ao dia)

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Termelétricas também ampliarão consumo de gás

Além dos consumidores dos vários segmentos, outro setor que deverá turbinar a demanda por gás natural é o das termelétricas. 

Trata-se de plantas geradoras de eletricidade movidas pelo derivado do petróleo. 

Além das instalações existentes, a EPE fez a projeção levando em conta as termelétricas que são previstas para entrada no sistema, por já terem vencido leilões, além das que podem vir a vencer leilões no horizonte de até 2030. 

Diante este cenário, a demanda das termelétricas por gás natural pode sair de atuais 65 milhões de metros cúbicos ao dia para 115 milhões de metros cúbicos diários em 2030. 

Cenário de demanda de gás pelas termelétricas

Mas e os preços, como ficarão?

O estudo da EPE destaca que os preços do gás natural deverão migrar nos próximos anos de uma lógica de precificação indexada ao óleo para uma lógica de competição gás-gás com negociação em hubs. Isso levará a uma maior competição entre agentes e promoverá liquidez nos contratos. 

Melhor dizendo: a empresa do Ministério de Minas e Energia estima três trajetórias de preços ao consumidor final. 

São elas: 

  1. Trajetória de alta, considerando a competição gás-óleo, com indexação ao Brent
  2. Trajetória de referência, considerando a negociação em hubs e competição gás-gás
  3. Trajetória de baixa, considerando negociação em hubs, competição gás-gás e maior eficiência do sistema. 

Tem, ainda, as chamadas faixa provável e inferior. 

A provável, conforme a EPE, busca representar possíveis variações entre as concessionárias de distribuição. 

Já a faixa inferior à trajetória de baixa pode ser possível para consumidores com tarifas específicas de rede, conforme regulação estadual aplicável. 

Além disso, a formação de hubs irá promover a assinatura de contratos padronizados, negociados com base em um índice nacional. E este índice será construído ao longo do tempo com o aumento gradual do número de clientes que acessam o mercado.

Em resumo, o preço em milhões de btu tende a subir. Sairá (na faixa provável) de US$ 10.7 em 2021 para US$ 12.3 em 2030. 

Previsão de preços do gás natural 

(em milhões de btus) 

Clique aqui para acessar pdf do estudo da EPE