Usinas de cana
Usinas de cana - Safra Única. Créditos da imagem: Única.

As usinas de açúcar, etanol e de bioeletricidade terão produção maior em 2021 ante 2020? Difícil ter a resposta a esta pergunta já neste começo de ano. 

E por que? Porque dependerá da oferta de cana-de-açúcar. Se houver matéria-prima qualitativa, será possível produzir mais com a mesma oferta. E sabe por que esse quesito de qualidade tem tanta importância? Simples: a área agrícola canavieira é responsável em média por 60% da produção de uma usina. A área industrial responde pelos demais 40%

Quando saber se a cana terá ou não boa qualidade?

Isso dependerá da quantidade de chuvas dos meses de verão. 

Se chover muito, o ciclo de crescimento da matéria-prima será concluído de forma saudável. Se cair pouca água, o resultado será o oposto. 

A boa notícia é de que as indicações disponíveis de serviços de meteorologia (confira aqui) apontam para um verão chuvoso. 

Quem faz torcida para essas projeções são os planejadores das usinas, cujo ciclo produtivo – ou safra – começa em abril nos estados da região Centro-Sul do país. Essa região responde por 80% da produção de açúcar e etanol de cana do país. 

Vale frisar: se a cana tem boa qualidade, há condições de ampliar a produção com oferta semelhante da matéria-prima. 

Em 2020, as usinas começaram o ano com apostas em maior fabricação do biocombustível, mas daí veio a pandemia da Covid-19 e a maioria das usinas alterou o mix produtivo para o açúcar. 

Essa alteração, que só é possível em usinas de cana – e não nas movidas 100% a milho, como ocorre nos EUA -, salvou as empresas do colapso financeiro, até porque o consumo de etanol caiu em 35% apenas na primeira quinzena de abril (leia aqui). 

A virada de chave também favoreceu as usinas porque a demanda mundial por açúcar avançou mundo afora e a desvalorização do real puxou os preços – cotados em dólar – para cima. 

Resultado: a safra das usinas do Centro-Sul gerou 38.087 milhões de toneladas do adoçante, 44,2% mais em relação ao ciclo anterior, conforme balanço da Unica, entidade representativa do setor. 

Esse volume de açúcar foi obtido principalmente pela troca de produção e, também, pelo ganho produtivo da cana. No jargão do setor, esse ganho é medido em ATR. Ou seja: as usinas tiveram 86,3 milhões de toneladas de ATR, alta de 7,7% sobre a safra de 2019. 

Confira a remuneração do açúcar

(média mensal de reais recebidos por saca de açúcar VHP vendido pelas usinas do Estado de São Paulo):

Fonte: Unica (leia mais aqui)

Energia Que Fala Com Você oferece reportagem sobre a safra que oficialmente termina em março no Centro-Sul, com as primeiras avaliações para a próxima. Leia aqui.

Leia também:  Governo define leilões de compra de energia. Entenda se isso é bom ou ruim para a eletricidade feita da cana

Oferta de cana maior projeta avanço produtivo

Quer dizer, então, que as usinas são ‘reféns’ das condições climáticas para ampliar a produção?

A cana com ATR melhor garante maior produtividade, como em 2020, mas a produção também pode crescer se houver mais oferta de matéria-prima. 

Contudo, as projeções de entidades e de instituições ligadas ao setor sucroenergético só deverão aparecer nos noticiários em meados de fevereiro e março. Sim, porque até lá já saberemos se as chuvas serão ou não substanciais.  

Se levarmos em conta os números de empresas públicas como a Conab, a oferta de cana foi substancial em 2020 e, se repetida em 2021, a produção abastada está garantida. 

Em divulgação (aqui), a Conab estima que a safra vigente, a ser encerrada oficialmente no fim de março, conta com 665,105 milhões de toneladas, alta de 3,5% sobre a anterior. 

Por sua vez, a Unica destaca que até no Centro-Sul a moagem fica em 605 milhões de toneladas, alta de 2,5% sobre a temporada de 2019. 

Mas tem aí a produção das usinas da região Norte-Nordeste, cuja safra segue até março. Até o começo de dezembro, a moagem estava em pouco mais de 32 milhões de toneladas, conforme levantamento do Sindaçúcar, entidade do setor na região. 

Mas existe outra boa notícia que garante mais oferta de cana e, assim, produção maior do setor. É que em 2021 devem entrar em operação pelo menos duas usinas até então paradas ou ‘hibernadas’, como se diz no meio. 

Conheças as usinas que retomam produção

Energia Que Fala Com Você destaca a seguir as duas usinas de cana que deverão retomar produção em 2021. 

  1. Brejo Alegre Bioenergia (antiga Usina Revati/Renuka)

Localizada no município Brejo Alegre (SP), a usina foi comprada em leilão pela Íntegra Associados do grupo Renuka do Brasil. Valor: R$ 263,5 milhões.

A nova dona da unidade quer retomar a produção em maio próximo, com previsão de moer 2 milhões de toneladas de cana na safra 2021/22. Leia mais aqui

A usina passará a se chamar Brejo Alegre Bioenergia e, segundo o novo controlador, serão contratados 300 funcionários para a planta industrial. 

  1. Goiás Bioenergia (antiga Usina São Paulo)

Situada na cidade de Porteirão, em Goiás, a antiga Usina São Paulo deve voltar à ativa em 2021 depois de seis anos parada. 

A retomada virá com o fundo Downwind, que arrendou a unidade pelos próximos 25 anos. Especializado em investir em ativos problemáticos, o fundo é comandado pelo advogado Márcio Barbero. 

Em entrevista ao jornal Valor, Barbero relata que deverá começar a processar cana de fornecedores da região a partir de junho, após quase R$ 60 milhões em investimentos na revitalização da indústria.

Os planos de curto prazo incluem a montagem de linha de processamento de milho em 2022 e uma fábrica de açúcar para 2023. Leia mais a respeito aqui.