Corrida das empresas para reduzir impactos ambientais e ter fontes limpas está apenas no começo
Crédito: Gerd Altmann/Pixabay

CBios, Green Bonds e I-REC. Estas siglas são desconhecidas da maioria, mas chegaram para ficar quando se trata de consumir energia a partir de fontes limpas. 

Basta ir aos noticiários e constatar que o crescimento do consumo de fontes limpas é uma tendência mundial que avança em ritmo acelerado. Um dos motivos dessa corrida é diminuir as emissões de gases formadores do efeito estufa, causadores do aquecimento global. 

É aí que entram as siglas do início deste texto. 

Elas equivalem a certificados que atestam atributos sustentáveis. Parece complicado, mas em resumo é assim: um CBio, por exemplo, equivale a uma tonelada de dióxido de carbono, o CO2, que deixa de ser emitida. 

E daí? 

Bom, daí que também avança mundialmente o número de empresas que querem reduzir – ou eliminar de vez – suas emissões de poluentes. 

Por sua vez, consumir energia de fontes ambientais é uma opção estratégica para elas. 

Além do mais existe pressão – também cada vez mais crescente – dos clientes que querem comprar de empresas que invistam firmes para reduzir os impactos ambientais. 

No meio disso tudo entrou em cena o índice ESG, que avalia as operações das empresas conforme os seus impactos em três eixos da sustentabilidade: o Meio Ambiente, o Social e a Governança. Clique aqui para saber mais a respeito. 

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Estratégias para atender a corrida das empresas 

Se o índice ESG irá ou não ser adotado pela maioria das empresas, é outra história. O fato, no entanto, é que adotar fontes limpas de energia veio para ficar. 

Mas não significa que em plena pandemia de Covid 19, em que a economia mundial patina, os empresários sejam obrigados a investir dinheiro e mais dinheiro em nome da sustentabilidade ambiental.

Como saída, existem programas próprios de ações, aderir a índices como o ESG e adquirir certificados de atributos sustentáveis, cujos valores Energia Que Fala Com Você apresenta nesse conteúdo. 

Ou seja: é possível adequar sem se descapitalizar. 

Adquirir certificados como os CBios é uma alternativa. 

Aqui vai uma explicação bem sintetizada: um CBio, como já descrito, equivale a uma tonelada de CO2 evitada. Quem comercializa esse certificado é uma produtora de biocombustível certificada no programa de Estado RenovaBio. 

E há dois tipos de clientes para os CBios: em primeiro lugar estão as distribuidoras de combustíveis. Elas são obrigadas a comprar esses títulos para quitar o montante de CO2 que emitiram com a venda de combustíveis poluentes – caso da gasolina e do diesel. Leia mais sobre esse certificado aqui

Já o outro tipo de cliente pode ser eu, você que lê este texto, ou a empresa que está em programa de redução de emissão de causadores dos gases de efeito estufa. 

E o valor de cada CBio?

O título começou a ser vendido via B3 em junho de 2020. Começou a pouco menos de R $20 e alcançou R $60 no terceiro trimestre. 

Sendo assim, o valor oscila conforme a ‘fome’ do mercado. Mas em síntese cada CBio entrou em cena com a métrica de ter o valor médio de um título de descarbonização semelhante, ou seja, US $10.

Outros títulos nessa corrida das empresas

Mas tem os certificados Green Bonds e I-REC citados no primeiro parágrafo deste texto. Vamos a eles. 

Em resumo, os Green Bonds são títulos climáticos, instrumentos financeiros de renda fixa com benefícios ambientais ou climáticos positivos. Assim como os CBios, são negociados na B3. Leia mais a respeito aqui

Mas esses títulos também são comercializados no mercado internacional. Em dezembro último, por exemplo, a FS Bioenergia, produtora de etanol de milho e de outros produtos do cereal, captou US $500 milhões por meio da emissão desses papéis. Leia mais aqui

Por fim há os certificados de Energia Renovável (REC). A sigla I-REC representa a entidade internacional que controla o sistema REC no mundo. 

Em linhas gerais, cada certificado desse equivale a um megawatt-hora (MWh) de energia renovável. Esse documento é emitido por certificadora autorizada e, no caso do Brasil, ela é o Instituto Totum. Leia mais aqui.

Por sua vez, a empresa consumidora pode adquirir RECs na mesma quantidade da energia que consome. O destaque é que terá em mãos um título atestando que a energia consumida é renovável. 

E o preço de cada certificado desse?

Energia Que Fala Com Você apurou que os valores podem variar de R $1,50 a R $5,00 pelo certificado. Trata-se, contudo, de um valor a ser negociado entre as partes envolvidas. 

E, para finalizar, independente do valor que irão pagar, as empresas focadas em reduzir impactos ambientais já contam com opções diferentes no Brasil para atingir suas metas.