Brasil está em vias de ganhar um gigante na produção de açúcar e etanol
Crédito: Biosev

O Brasil está em vias de ganhar um gigante na produção de açúcar e etanol. Esse player entrará em cena com a venda da empresa Biosev para a Raízen

Por sua vez, as negociações estão em fase adiantada, como admitem as duas companhias, e a possível transação já foi submetida desde 28 de janeiro ao Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (CADE).  

Para quem opera ou trabalha no setor sucroenergético, as intenções de compra da companhia Biosev pela Raízen não são novidade.

Em setembro de 2020, por exemplo, a Raízen divulgou no mercado comunicado no qual assumia estar em negociações para uma possível transação entre as companhias. Na oportunidade, eram “tratativas preliminares”, como destaca a empresa (leia a íntegra do comunicado aqui).

Assim como em outros setores econômicos, as compras e vendas de empresas são uma constante. Especificamente no caso do setor sucroenergético, os exemplos de aquisições de usinas não param de ser registrados. O portal Energia Que Fala Com Você já divulgou conteúdo que noticia essa movimentação (clique aqui para acessá-lo). 

Mas a venda da Biosev para a Raízen abre um capítulo à parte no setor sucroenergético brasileiro.

Leia também: Usinas deverão priorizar produção de açúcar em 2021

Gigante na produção de açúcar e etanol surge de duas líderes

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que as duas companhias são pesos-pesados do setor. A Raízen é uma joint venture da Cosan e da Shell e tem a maior capacidade no país de processamento de cana, a matéria-prima empregada para fabricar açúcar, etanol e eletricidade. 

Com 26 usinas em operação, a Raízen, segundo a empresa, é dotada de capacidade instalada para moer 73 milhões de toneladas de cana. Leia aqui mais a respeito. 

Já a Biosev, do grupo francês Louis Dreyfus Group Company, controla 8 unidades produtoras e possui capacidade para processar 31,6 milhões de toneladas de cana. Saiba mais aqui

O peso da esperada gigante na produção de açúcar e etanol pode ser comprovado pela própria capacidade de moagem, que representa o quanto as usinas podem processar de cana. 

Juntas, os dois líderes chegam a 105 milhões de toneladas. E esse montante significa nada menos do que 17% dos 598 milhões de toneladas de cana moídas até 16 de janeiro pelas usinas dos estados do Centro-Sul do país. Vale lembrar que essa região é responsável por 90% da cana processada em todo território nacional, conforme a Unica, entidade representativa do setor (saiba mais aqui). 

Brasil como protagonista

Assim como a gigante em fase de formatação mostra relevância em termos produtivos, também é preciso destacar outras possibilidades de ganhos para as empresas envolvidas e para todo o setor. 

Por exemplo: o Brasil já é protagonista mundial em etanol, biocombustível cada vez mais empregado na transição mundial para o consumo de energia limpa (clique aqui para ler conteúdo a respeito). 

Nesse sentido, o esperado player só reforçará o protagonismo do Brasil porque a Raízen é reconhecida como investidora em tecnologia de ponta em seus processos produtivos. E eles certamente serão migrados para as unidades hoje controladas pela Biosev. Como se sabe, o ganho tecnológico permite também produção mais eficiente e limpa. 

No mais, as usinas da Raízen e da Biosev estão devidamente certificadas no programa de Estado RenovaBio (leia sobre aqui). 

Ele incentiva o uso de biocombustíveis como o etanol para reduzir as emissões de poluentes. 

Ademais, usinas certificadas que produzem o combustível da cana com menor uso de diesel e poluentes ampliam suas ‘notas de eficiência’ e, desta maneira, podem comercializar mais volumes de créditos de descarbonização, os CBios. 

Assim como no exemplo da tecnologia, certamente o gigante em formatação unirá esforços das duas companhias para melhorar as ‘notas.’

As possibilidades positivas vão além. 

As empresas em fase de transação são dotadas de infra-estrutura como terminais próprios para armazenagem, caso da Biosev, e escoamento por meio do modal ferroviário, uma vez que a Cosan, sócia na Raízen, controla a companhia de logística Rumo

Essas estruturas reforçam a segurança produtiva das usinas das duas empresas. Há também a questão do mercado de trabalho. 

Juntas, Raízen e Biosev possuem 49 mil funcionaŕios. Os avanços tecnológicos nos processos produtivos migram parte desse corpo de colaboradores, mas para funções que esses mesmos avanços tecnológicos criam no dia a dia. 

Além disso, vale repetir que as usinas estão espalhadas pelo Brasil. As unidades da Biosev estão em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Já a Raízen tem usinas em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás. Ou seja, territorialmente é um país a parte dotado pelos dois líderes. 

Vale destacar também os impactos da esperada gigante na produção de açúcar e etanol no mercado de investidores em Bolsa. 

É que Biosev e a Cosan, sócia na Raízen, estão listadas na B3, a bolsa de São Paulo. E até a tarde de quarta-feira (03/02), quando este texto foi finalizado, as ações de ambos líderes só cresciam. Enquanto a controlada pela Louis Dreyfus Group registrava alta de 1,79% (ler aqui), a Cosan avançava 0,20% (aqui).  

Diante das avaliações e dados destacados acima, é só esperar agora pelo final feliz e a chegada deste gigante sucroenergético.