Produção de álcool 70º e em gel criam nicho promissor para usinas de cana
Crédito: SENAI

A produção de álcool destinado para finalidades sanitizantes confirma-se como nicho promissor do setor sucroenergético. Não que ele seja novo.

Na verdade, é tradicional na oferta de produtos de usinas e destilarias. No entanto, ganhou escala comercial a partir do primeiro trimestre de 2020 por conta da pandemia de Covid-19. 

Entre abril de 2020 até 01 de fevereiro deste ano, as unidades produtoras venderam 1,09 bilhão de litros de álcool para fins sanitizantes e industriais. Trata-se de uma alta de 31,16% ante a registrada até a mesma data de 2020, quando foram vendidos 834,80 milhões de litros. 

Os dados acima estão no mais recente levantamento da Unica, entidade representativa do setor de açúcar, etanol e bioeletricidade (leia aqui). 

Mais: conforme o levantamento, a comercialização desse tipo de álcool entre abril e 01 de fevereiro já supera em 8,89% o total vendido durante todo o último ciclo agrícola do setor, quando foi comercializado um volume de 1,01 bilhão de litros em 12 meses. 

Não fica por aí. Em termos de exportações, a produção de álcool para fins sanitizantes e industriais também é destaque positivo. 

No mês de janeiro, por exemplo, os embarques da categoria que inclui esse produto derivado da cana cresceram em volume e, assim, em valores. Ou seja: foram exportadas 201 mil toneladas, correspondentes a US$ 114,6 milhões, ou alta em valores da ordem de 83% sobre janeiro de 2020. 

Os dados são do Ministério da Economia, e a categoria avaliada inclui também álcoois, fenóis, fenóis-álcoois e seus derivados. 

Vale também destacar ainda que o desempenho de exportações desses produtos em janeiro representou 1,34% do valor FOB (que considera valor até o porto) de todas as exportações brasileiras. No mesmo mês de 2020, tinha representado quase a metade, ou 0,71%

Essa alta pode ser explicada pela maior demanda mundial por produção de álcool sanitizante. 

Já no caso das exportações de etanol (aí entram também o hidratado – para veículos flex – e o anidro – para mistura na gasolina), a Unica lista que os embarques também avançaram em janeiro: foram 147 milhões de litros, alta de 120% ante os 64 milhões de litros de igual período de 2020 (leia aqui).

Leia também: Açúcar deverá superar o etanol na produção das usinas em 2021

Produção de álcool 70º avança no ranking de produtos sucroenergéticos

O álcool para fins sanitizantes, que avançou no mercado pelos nomes ‘álcool 70º’ e ‘álcool em gel’, também ocupa espaço considerável ante as produções de etanol e açúcar. 

Exemplo: o 1,09 bilhão de litros vendido entre abril de 2020 até 01 de fevereiro representa 4,2% de todos os 25,9 bilhões de litros de todos os tipos de etanóis comercializados no mesmo período (leia aqui mais sobre produção). 

Nem tudo, porém, é motivo de celebração e existem percalços no meio do caminho. Um deles é o custo de fabricação. É que o álcool sanitizante exige insumos como espessante importado em sua formulação. Por sua vez, trata-se de matéria prima que encarece o produto final. 

Porém, o Senai descobriu um espessante nacional, extraído a partir da madeira, que barateia o custo do álcool sanitizante. Os trabalhos contam inclusive com parceria de uma usina de cana, a Adecoagro Vale do Ivinhema. Leia aqui a respeito desse insumo brasileiro. 

Em resumo, o setor – por meio de empresas como a Adecoagro – segue ao lado de pesquisadores em busca de insumos para reduzir o custo do álcool sanitizante. 

Sabe-se não ser possível por ora prever se a demanda mundial por esse derivado da cana seguirá progressiva como ocorreu até o momento. Mas um fato é certo: a produção de álcool para fins sanitizantes em escala veio para ficar.