Bioquerosene de aviação entra de vez no radar de instituições e de empresas
Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O etanol e o biodiesel são biocombustíveis ‘velhos’ conhecidos dos brasileiros. Pelo poder que têm de reter a emissão de gases causadores de efeito estufa, eles fazem o Brasil ser destaque mundial em política de descarbonização sustentável.  

Ademais, etanol e biodiesel integram a Política Nacional de Biocombustíveis, ou RenovaBio, em vigor desde 2020 para incentivar o uso desses combustíveis para reduzir as emissões de poluentes nos transportes. 

Mas além deles, outros biocombustíveis integram o programa de Estado RenovaBio. É o caso do biogás, que também pode ser feito a partir de subprodutos da cana e substituir o gás natural e até o poluente diesel, desde que transformado em biometano. 

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E, além do biogás, etanol e biodiesel, o RenovaBio integra também o bioquerosene. Focado para substituir a querosene de aviação, esse biocombustível, denominado BioQAV, há muito é pesquisado e discutido no Brasil. 

Em síntese, trata-se de substância derivada de biomassa renovável que pode ser usada em turborreatores e turbopropulsores aeronáuticos ou, conforme regulamento, em outro tipo de aplicação que possa substituir parcial ou totalmente combustível de origem fóssil, destaca a Empresa de Pesquisa Energética, a EPE (leia mais aqui).

O país registra várias iniciativas experimentais. 

Em 2014, por exemplo, a companhia Gol fez mais de 300 voos durante a Copa do Mundo com uma mistura de 4% de bioquerosene ao combustível convencional (saiba mais aqui).

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Bioquerosene de aviação deve ter política própria, diz entidade

De 2014 para cá, tanto a produção quanto o consumo seguem estacionados. E um dos principais motivos é o custo de fabricação do BioQAV. 

Na comparação com o querosene tradicional, feito a partir do petróleo, o bioquerosene tinha custo até 200% superior anos atrás e, mais recentemente, reduziu essa diferença para menos de 30%

No entanto, o custo ainda é uma pedra no sapato desse biocombustível, já que o querosene representa 28,8% dos custos das companhias aéreas, destaca associação do setor. Se se considerar a queda dos negócios, diante a pandemia de Covid-19, dá para entender que qualquer custo extra é um desafio extra para as empresas aéreas. 

Mas é preciso destacar iniciativas de entidades ligadas ao bioquerosene, caso da Ubrabio. Em evento online em outubro de 2020, o presidente da entidade, Juan Diego Ferrés, sugeriu trabalho conjunto com a Petrobras em busca de soluções que sejam positivas para o país. Um dos focos é criar política para o bioquerosene. (saiba mais aqui). 

Holanda tem o primeiro voo com querosene sustentável

Bioquerosene de aviação entra de vez no radar de instituições e de empresas
Crédito: Shell/Divulgação

Enquanto isso, o bioquerosene ganha a primeira fábrica europeia de bioquerosene sustentável. Fica em Delfzijl, na Holanda, país que apoia diversas iniciativas para estimular a produção e o uso de combustíveis sustentáveis de aviação. 

Aqui entra também o querosene sintético. Produzido pela holandesa Shell em seu país de origem, o sustentável abasteceu em parte avião de passageiros da companhia KLM. E no começo de fevereiro, a aeronave voou com a mistura, marcando o registro mundial de emprego de combustível sustentável. 

Foram empregados no voo 500 litros de querosene sintético sustentável, produzido pela Shell em seu centro de pesquisa em Amsterdã com base em CO2, água e energia renovável do sol e vento. 

Não se trata de experimento. Essa versão sustentável do querosene aos poucos ganhará escala comercial. Até porque a Holanda tem outras iniciativas, caso de uma fábrica de demonstração de querosene sustentável usando o CO2 capturado do ar como matéria-prima. 

Essa fábrica fica em Rotterdam e integra a iniciativa na qual participam Uniper, Aeroporto de Rotterdam The Hague, Climeworks, e SkyNRG.

Em resumo, usa-se uma combinação de tecnologias inovadoras para se concentrar na aviação neutra em CO2 com querosene sintético sustentável. 

Enquanto essas empresas e instituições investem na fábrica de querosene sustentável, o Brasil move o tabuleiro para inserir o bioquerosene no contexto de energias renováveis. O mercado – entenda-se companhias aéreas e consumidores – fica na torcida pelo êxito dessas empreitadas.