Produção de açúcar e etanol tem projeções positivas

Setor sucroenergético também é estratégico para garantir o mercado interno de combustíveis e do adoçante

Produção de açúcar e etanol tem projeções positivas
Crédito: CEISE Br

Usinas de produção de açúcar e etanol tem projeções positivas. Como resultado, vem aí mais um ciclo produtivo das usinas de cana-de-açúcar nos estados da região Centro-Sul. Somente este ciclo em questão, é responsável por 80% da produção de etanol e açúcar do País.

A princípio, a safra começa em 1º de abril e segue até 30 de março de 2022 nas 280 unidades que, segundo a ANP, estão devidamente autorizadas. Mas, afinal, o que as usinas mais deverão produzir desta vez: açúcar ou etanol?

Consultorias e instituições divulgaram recentemente suas estimativas e o portal Energia Que Fala Com Você apresenta texto a partir dessas previsões com nossa avaliação.  

Antes de mais nada, é preciso destacar a flexibilidade produtiva das usinas de cana brasileiras. Diferente das unidades produtoras dos Estados Unidos, cuja matéria-prima principal é o milho e só fabricam etanol, as movidas a cana do Brasil podem alterar o mix produtivo. 

Ou seja, uma usina de cana tem como entrar à safra performando 60% de açúcar. Já o etanol a 40% no meio do caminho. No entanto, com as adaptações industriais necessárias, esse percentual tender a ser alterado. 

Caso o mercado do etanol sinalize alta a partir de julho, por exemplo, é possível ampliar a produção do biocombustível um ou dois meses antes de julho. Só assim é possível atender esse aumento de demanda. O mesmo acontece caso o mercado de açúcar esteja na dianteira em termos de consumo. 

O fato é que a indústria sucroenergética brasileira está a frente quanto a existir mais quantidade em etanol ou açúcar. A missão, afinal, é ofertar produtos para equilibrar o mercado interno, seja de combustível, seja do adoçante. 

Leia também: O setor sucroenergético e seu potencial de crescimento, segundo Renato Cunha 

Setor é estratégico para garantir suprimento na produção de açúcar e etanol

Antes de mais nada, o setor sucroenergético é estratégico para garantir o suprimento interno de combustíveis. 

No caso das unidades canavieiras, a maioria encerra a produção na primeira quinzena de dezembro para só retornar no próximo mês de abril.

O mercado será abastecido com os estoques do etanol hidratado (veículos flex) e do anidro (adicionado em 27% ao litro da gasolina), diante disso.

Estamos em uma situação de menor consumo de combustíveis, devido a pandemia de Covid-19, e apenas no caso do hidratado as vendas internas caíram 0,30% em fevereiro. Segundo o que destaca a Unica, entidade representativa do setor.

Segundo profissionais do setor, produção de açúcar e etanol movimenta mercado

Diante o consumo menor, foi possível reforçar a armazenagem. “Em 1º de março deste ano, o estoque de etanol anidro fechou 5,47% acima do volume observado na mesma data do ano anterior”. O relato é de Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica. 

“No caso do etanol hidratado, o montante armazenado neste ano superou em 11,48% o registrado no último ciclo agrícola”, emenda. Em outras palavras, na comparação com as vendas de fevereiro, o estoque de anidro nas usinas no início de março representava dois meses de consumo. Já em relação hidratado, a proporção era equivalente a 1,25 mês de vendas. 

E mais do que garantir o suprimento do mercado, o etanol ajuda a frear novas altas nos preços da gasolina. Essa ‘ajuda’ acontece pela presença de 27% do biocombustível em cada litro do derivado de petróleo. 

Neste parágrafo explico que as distribuidoras venderam 3,2 bilhões de litros de gasolina C em janeiro, segundo a ANP (mais em relatório aqui).

Como 27% desse montante equivale a 864 milhões de litros, significa que se a gasolina não tivesse a adição do biocombustível, certamente seu preço de venda seria bem maior.  

Leia também: Por que os biocombustíveis podem ajudar a reduzir os preços da gasolina e do diesel

Tendências de produção são animadoras

Agora, quanto as estimativas de produção, em linhas gerais tudo indica que as usinas irão produzir mais açúcar. Isso para atender às necessidades mundiais do alimento. 

No entanto, para que o mix vá mais para o açúcar, será preciso esperar o que acontece na Índia, importante player produtivo e que até a finalização deste texto enfrentava impactos na logística de exportação. 

Por exemplo, se os indianos não conseguirem êxito nos embarques, os preços internacionais do açúcar subirão. “O mundo precisa do estoque de açúcar que está alocado na índia”, disse ao Notícias Agrícolas Guilherme Bellotti, gerente Agro do Itaú BBA (leia aqui). 

Em todo caso, ele estima que as usinas do Centro-Sul terão um mix 46% açucareiro, enquanto o etanol ficará com os demais 34%.

Percentual à parte, existe aí uma questão que nenhum especialista discorda: as usinas deverão ter menos cana para operar. 

Até o dia 1 de março, o Centro-Sul tinha processado 599 milhões de toneladas. A safra deverá ser encerrada com 605 milhões de toneladas, segundo a Unica.

A entidade não possui tradição de fazer previsões, mas, se depender das projeções de especialistas, teremos, sim, menos cana. 

Segundo o Itaú BBA, as usinas do Centro-Sul terão 585 milhões de toneladas para processar. Já Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro, disse para a Folhapress que a estimativa é de oferta de 586 milhões de toneladas de cana. 

Como ficará a produção das usinas do Centro-Sul

Em vista disso, como ficará a produção das usinas do Centro-Sul? Há a obtenção de 63,8 quilos de açúcar por tonelada, segundo levantamento da Unica. Cerca de 46% do total da moagem será novamente destinado ao adoçante, com igual perfil produtivo, será possível repetir o desempenho, mesmo com oferta final menor por conta da oferta da matéria-prima.

Guardadas as mesmas comparações, também se poderá alcançar 46 litros de etanol por tonelada nas usinas do Centro-Sul, por exemplo. 

No entanto, em resumo é preciso lembrar que as condições produtivas dependerão muito da qualidade da cana que será entregue aos parques industriais das usinas. Mas uma garantia está certa: o setor sucroenergético terá um ano de produções que também serão estratégicas para suprir o mercado brasileiro de combustíveis e de açúcar.