Biogás e descarbonização apontam para nova onda de investimentos
Fonte: Canaoeste

Primeiramente, temos o açúcar, junto do etanol e a bioeletricidade, geradas a partir de subprodutos da cana-de-açúcar. Em seguida, veio a produção de biogás e, mais recentemente, a emissão de créditos de carbono.  Mas onde entra o biogás e descarbonização, afinal?

Ao todo, o setor sucroenergético chega a cinco produtos. Com isso, reforça sua importância e destaca o Brasil no cenário mundial. É o que afirma os debatedores do webinar “O RenovaBio como impulsionador da indústria de base do mercado de bioenergia”.

A ação teve o patrocínio da General Chains. Sua realização ocorreu no último dia 25 de março. Inicialmente, podemos dizer que está oficialmente inaugurada a grade de programação da Fenasucro & Agrocana TRENDS em 2021.

O Brasil tem grande importância como produtor de açúcar e etanol. Por sua vez, a eletricidade obtida por meio da queima do bagaço tem enorme projeção de crescimento. Isto, uma vez que apenas 18% desse potencial é atualmente empregado. 

Já o biogás, produzido a partir de subprodutos canavieiros, gera em primeiro momento eletricidade e, se transformado em biometano, substitui o poluente óleo diesel. 

O biogás e descarbonização já são realidades em usina da Raízen. Está em vias de ser processado a unidade da Cocal e empreendido em usina da Tereos.  Jacyr da Costa Filho, membro do comitê executivo do Grupo Tereos relatou este processo e a produção de biometano para testes.

Testes estes que terão menção tanto na frota de tratores, quanto de caminhões a partir de 2022. Esse, inclusive, é um dos relatos no webinar.

Leia também: Limpo, o biogás avança por meio de subprodutos da cana 

Mais novo produto chegou em 2020 

Já o mais novo produto sustentável do setor, o crédito de descarbonização, ou CBIO, entrou em cena em 2020. Negociado a partir de julho na bolsa de valores, ele integra o programa federal RenovaBio. A representação é de uma tonelada de gás carbônico (CO2). O feitio, por sua vez, deixa de ser lançado no meio ambiente.  

Costa Filho, que também preside o Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp – COSAG, relatou que os CBIOs geraram R$ 700 milhões para as usinas em 2020. Assim, para este ano, a receita esperada é de R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões. 

Mais do que o valor em si, o CBIO, conforme o executivo, gera maior segurança, permite estabilidade no fluxo de caixa das companhias. O que não ocorre com o etanol e com o açúcar, cujos preços dependem de oscilações do mercado.  

Jacyr destaca, também, que a receita do crédito depende da eficiência. Hoje, em média, uma usina precisa produzir 850 litros de etanol para emitir um CBIO. “Temos unidades que emitem com 700 litros. O caminho a ser percorrido é longo.” 

Como assim?  E o Biogás e a descarbonização, afinal?

É que para reduzir o número de litros para emitir um crédito, as usinas credenciadas no RenovaBio precisam investir em melhorias nas áreas agrícola e industrial. Assim, em linhas gerais, a emissão de um crédito depende de nota de eficiência que reúne índices de poluentes, como óleo diesel, empregados na produção de etanol. Em resumo, reforçamos o uso do biogás e a descarbonização.

Quanto melhor essa nota, menos litros são necessários para lançar um CBIO. Sendo assim, os novos produtos do setor sinalizam a retomada do mercado de fornecedores de bens de capitais.  

“O RenovaBio veio para salvar a indústria de base, que tem ociosidade instalada”. É o que afirmou no evento online, Luiz Carlos Júnior Jorge, presidente do CEISE Br. “O programa é o novo Proálcool, fará a usina comprar equipamentos. Já o fornecedor, por sua vez, contratará, impulsionando toda a cadeia.” 

Luiz Carlos Bróglio, diretor da General Chains, fornecedora do setor, reforça: “planejamos comprar mais máquinas para atender a esse mercado. Há também o treinamento dos profissionais da General Chains, bem como dos fornecedores”. Ainda destaca: “essa reação em cadeia chegará rápido à indústria de base e temos de estar preparados.” 

Aí entra uma questão: a ociosidade reflete crise de anos recentes do setor sucroenergético. Dessa maneira, como as empresas fornecedoras terão capital para investir e se preparar para a nova onda de crescimento? 

Evandro Gussi questionou a respeito a um dos participantes. O mediador do webinar e presidente da UNICA foi direto na questão: “Como o BNDES vê os outros elos da cadeia do setor diante o RenovaBio?”.

A resposta foi de Mauro Arnaud de Queiros Mattoso. O executivo é chefe do departamento do Complexo Agroalimentar e de Biocombustíveis do BNDES. Também, lembrou que o banco de fomento lançou em 2020 a linha RenovaBio. A lei que vigora até dezembro de 2022 foi feita para usinas credenciadas no programa e focada no fator de emissão de créditos. 

“Depois, na segunda rodada, olha-se para outros elos”, disse o representante do BNDES. Reforçando, então, que a instituição que conta com linhas de financiamento, “sempre tentou ajudar o setor em [ganho de] produtividade.” 

Como resultado temos a expectativa de que o BNDES atenda o quanto antes as empresas fornecedoras de bens de capital das usinas. Até porque o cenário permitido pelos produtos do setor sucroenergético é promissor.  

“O que a gente construiu foi criar política pela qual o carbono é a moeda do século 21”. O relato é de Gussi, da UNICA. “O RenovaBio premia o biocombustível com externalidades positivas.” 

Lembrou também como é a repercussão do RenovaBio no mundo. “Os indianos querem construir um ‘mini-Brasil’. Ou seja, um país com mais de 1 bilhão de pessoas, cada vez quer mais participar do conserto ambiental e quer ‘copiar’ o Brasil”. “Já que somos o ‘gigante’, é o grande sinal do setor neste momento.” 

Destacou, ainda, o Reino Unido, que neste ano sediará a Conferência do Clima (COP26). E amplia de 5% para 10% a adição de etanol à gasolina. “O objetivo não é financeiro, mas evitar 750 mil toneladas de CO2 com a mistura”, disse. 

“Este é o cenário à nossa frente”, resumiu. “O RenovaBio coloca o etanol na dianteira, lastreia em carbono e eu diria que este é o início do começo, já que há muito ainda a acontecer.” 

Por fim, em breve o conteúdo do webinar “O RenovaBio como impulsionador da indústria de base do mercado de bioenergia” estará disponível na íntegra. E você terá acesso vitalício!

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