Biocombustíveis ampliam a expectativa de vida e reduzem mortes
Crédito: Agência Brasil

O ganho ambiental proporcionado pelo biocombustível não é novidade. Este portal Energia Que Fala Com Você, por exemplo, já divulgou reportagens que comprovam esses benefícios. 

Em uma delas, explicamos por que o etanol ‘avança’ como arma contra as emissões de gases poluentes. E publicamos relato de Marcelo Gauto, químico industrial especialista em petróleo, gás e energia.

Ele explica que um litro de gasolina gera 2,2 quilos de dióxido de carbono (CO2) lançados na atmosfera, enquanto o litro de etanol emite 0,24 gramas.

Como o Brasil produziu 31 bilhões de litros de etanol anuais em média entre 2015 e 2019, significa, segundo o especialista, que o uso do biocombustível faz o Brasil deixar de emitir 42,5 bilhões de quilos de CO2 na atmosfera. 

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Menos mortes e mais expectativa de vida

Os dados favoráveis ao etanol e ao biodiesel, dois dos principais biocombustíveis em uso nos transportes, acabam de ganhar nova comprovação. 

Trata-se de levantamento recém-divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia (MME). 

Produzido a partir de dados da Cetesb, a companhia ambiental paulista, o estudo avalia os impactos do uso de etanol e de biodiesel nos municípios da Grande São Paulo. 

Em resumo, os técnicos da EPE pesquisaram sobre os resultados dos impactos da poluição atmosférica dos combustíveis na saúde. E, como base, trabalharam sobre dados da Cetesb de 2018 e com o impacto de partículas emitidas pelos meios de transportes e cujo tamanho seja menor ou igual a 2,5 micrômetros (µm), ou MP2,5 como se diz no jargão. 

Por que o MP2,5? Segundo os técnicos, porque são partículas finas, respiráveis ou inaláveis, que transferem substâncias tóxicas para o corpo humano. 

No caso, a base de dados da Cetesb em 2018 revela as emissões das partículas MP2,5 e, para se ter ideia, os transportes representam 37% do total de emissões desse ‘veneno’. 

1. Veículos respondem por 37% da concentração das partículas

Biocombustíveis ampliam a expectativa de vida e reduzem mortes
Fonte: Cetesb

Em síntese, o levantamento da EPE chegou à conclusão de que o uso de etanol anidro (adicionado em 27% no litro da gasolina) reduz em 7,2% a concentração de MP2,5 vindo dos transportes. 

Por sua vez, essa redução aumenta a expectativa de vida da população da Grande São Paulo em 13 dias. Não é só. Também evita 371 mortes anuais por complicações relacionadas ao material particulado. 

Além disso, se for incorporado o uso do etanol hidratado (veículos flex), os ganhos crescem em 10%. Ou seja: redução de mais de 3% de emissão das partículas, aumento para 14 dias na expectativa do vida desde o nascimento. E, por fim, evita 43 mortes adicionais, o que totaliza 414

2. Ganhos na saúde a partir do biocombustível:

Biocombustíveis ampliam a expectativa de vida e reduzem mortes
Fonte: EPE

Tem também os ganhos proporcionados pelo uso de 10% de biodiesel ao óleo diesel. Em 2018, era essa a proporção de mistura, que hoje é de 12%. 

Olha só: redução de 4,8% nas emissões de MP2,5, contribuição com 9 dias na expectativa de vida da população e redução de 244 no número de óbitos por ano. 

3. Ganhos do uso de biodiesel para a saúde:

Biocombustíveis ampliam a expectativa de vida e reduzem mortes
Fonte: EPE

O levantamento que atesta os ganhos em saúde do biocombustível tem o nome de “Uso de Biocombustíveis e seus Impactos na Saúde” e foi apresentado durante webinar da EPE realizado em 06 de abril. 

Durante o evento online, Heloisa Borges Bastos Esteves, diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, lembrou que as mortes prematuras principalmente pela exposição a materiais particulados chegam a 4 milhões por ano no mundo, conforme a Organização Mundial da Saúde, a OMS. 

“A gente não vê, mas respira as partículas”, disse ela, lembrando o prioritário papel dos biocombustíveis na redução desse material. 

Angela Oliveira da Costa, superintendente de Derivados de Petróleo e Biocombustíveis da EPE, resumiu bem: “os biocombustíveis geram emprego e renda, ajudam a balança comercial com exportações e, além disso, contribuem para a saúde humana.”

Quer assistir ao webinar sobre uso do biocombustível, da EPE, na íntegra? Clique aqui