Entenda por que o leilão do 5G deve ocorrer o quanto antes

Usuários, operadoras e fornecedores estão prontos para a nova tecnologia, afirma gerente do Departamento de Tecnologia da Abinee

Entenda por que o leilão do 5G deve ocorrer o quanto antes
Photo by Mikel Parera on Unsplash

O usuário brasileiro terá à disposição todas as vantagens que a tecnologia 5G pode oferecer ainda neste ano? Oficialmente, o governo mantém para o fim deste primeiro semestre, ou começo do segundo, o leilão de frequências que permitirá a entrada da tecnologia.

Mas e os fornecedores dessa ferramenta, como ficam? E os potenciais usuários industriais, como devem se portar diante disso?

Para ajudar a entender a situação, entrevistamos Israel Guratti, gerente do Departamento de Tecnologia e Política Industrial da Abinee.

Confira a entrevista com Israel Guratti sobre leilão do 5G

Em 29 de janeiro o Ministério das Comunicações publicou portaria com diretrizes para o leilão do 5G (leia aqui mais a respeito). Como o senhor avalia esse conjunto de regras?

Israel Guratti – As regras divulgadas pelo Ministério não impõem restrição à origem das soluções de 5G a serem ofertadas. Ou seja, as operadoras poderão comprar soluções dos fornecedores com os quais desenvolvem soluções conjuntas.

Significa, então, a entrada de fornecedores disponíveis no mercado, e não de apenas um e outro?

Israel Guratti – A não restrição à origem das soluções é boa para equilibrar o mercado, inclusive com oportunidades para parcerias em pesquisa e desenvolvimento. 

O que mais chama a atenção na portaria?

Israel Guratti – Chama a atenção a exigência do Ministério pela implantação de rede privada para a administração pública federal. Ou seja: haverá rede pública 5G para os usuários; a possibilidade de estabelecimento das redes privadas, muitas de uso industrial; e essa rede para uso da administração pública.

O governo já não possui redes semelhantes?

Israel Guratti – O governo já dispõe de faixas de frequência para comunicações críticas e de segurança.

Existem bandas suficientes para atender a essa rede própria do governo no esperado leilão?

Israel Guratti – Sim, a Anatel é quem definirá as bandas a serem disponibilizadas.

Em sua avaliação, o 5G entra de fato em prática tão logo seja realizado o leilão?

Israel Guratti – Do lado das operadoras, elas já planejam seus investimentos para definirem as ações assim que o leilão for realizado. Elas também aproveitam a experiência que os fornecedores têm no atendimento ao mercado global, nos quais a regulação e a implantação do 5G também estão acontecendo.

E no caso do usuário industrial?

Israel Guratti – No caso do usuário industrial, ou das redes privadas a serem ofertadas, é preciso entender que o 5G é mais uma ferramenta. Se a empresa não pode esperar pelo 5G, há soluções de conectividade hoje que podem evoluir para o 5G. Os fornecedores das soluções estão aptos a projetar diversas possibilidades e oferecer isso aos clientes.

E o impacto da pandemia de Covid-19 para essas empresas?

Israel Guratti – A insegurança do cenário econômico global é um fator que posterga a decisão de investimentos, muito pela incerteza do retorno. Previsões são difíceis no atual cenário de recrudescimento da pandemia.

Diante tudo isso, qual o papel da Abinee junto às empresas diante a esperada chegada do 5G?

Israel Guratti – Uma das ações é realizar eventos com temas do universo 5G. Há novos desafios de regulação e homologação de dispositivos a serem endereçados pela Anatel, diversidade de modelos de operação a serem considerados nos investimentos e uma grande necessidade de redes de transporte devido ao aumento no tráfego de dados. No evento online iremos discutir estas e outras questões importantes, como a aferição de qualidade, certificação e homologação.