5G no Brasil: confira quais são os próximos passos

Diretor da Abinee faz avaliação positiva e pede urgência na realização do certame

Confira quais são os próximos passos do 5G no Brasil
Crédito: Gerd Altmann from Pixabay

O 5G chega de vez ao Brasil. Tema de discussões nos últimos anos, a tecnologia sai do discurso e entra na prática com o edital do leilão de 5G aprovado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em 25 de fevereiro último.

Mas e o que acontece a partir de agora?

Nesse sentido, o portal de notícias Energia Que Fala Com Você destaca respostas para essa pergunta, produzido a partir de informações da própria Anatel (acesse aqui a íntegra dessas informações).

5G no Brasil: maior oferta da história

O edital do leilão de 5G oferece a maior oferta de espectro da história da Anatel, uma vez que a licitação das radiofrequências nas faixas de 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz proporciona maior volume de recursos de espectro para que as prestadoras possam expandir suas redes.

Atender áreas não servidas

A proposta aprovada estabelece compromissos nacionais e regionais de investimentos de cobertura e backhaul que obrigam as empresas vencedoras do leilão a atenderem áreas pouco ou não servidas, como localidades e estradas, com tecnologia 4G ou superior. Para os municípios com mais de 30 mil habitantes, estão previstos compromissos de atendimento já com tecnologia 5G.

Propostas agregadas

A deliberação agrega as propostas: de edital de licitação para autorização de uso de radiofrequências nas faixas de 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz; de alteração da Resolução nº 711/2019 e do Regulamento sobre Condições de Uso da Faixa de Radiofrequências de 3,5 GHz a ela anexo; de aprovação do Regulamento sobre Condições de Uso da Faixa de Radiofrequências de 24,25 GHz a 27,50 GHz; e de alteração do Plano Geral de Autorizações do Serviço Móvel Pessoal (PGA-SMP), aprovado pela Resolução nº 321/2002.

Leia também: Especialistas avaliam estratégias do 5G para a Indústria 4.0

Avanços em banda larga móvel

O 5G traz avanços em relação ao 4G no quesito de banda larga móvel, permitindo o aumento de 20 vezes na taxa de pico, chegando a uma taxa de transmissão de dados de até 20 megabits, e de 10 vezes na taxa de dados experimentada pelos usuários, chegando a 100 megabits.

Novos modelos de negócios

A tecnologia irá alavancar novos modelos de negócios, incluindo-se a indústria 4.0, a telemedicina, o carro autônomo, as cidades inteligentes, a agricultura inteligente, entre outros.

Diferentes aplicações

Diferentemente das mudanças nas gerações passadas (2G, 3G e 4G), o foco desta tecnologia não está somente no incremento de taxas de transmissão, mas também na especificação de serviços que permitam o atendimento a diferentes aplicações.

Avanços esperados

O 5G vai concretizar conceitos como os de Internet das Coisas (IoT) e aprendizagem de máquina em tempo real, promovendo assim uma verdadeira transformação na forma como as pessoas e organizações se relacionam.

Entre os avanços esperados para o 5G no Brasil estão:

  • Aumento das taxas de transmissão > maior velocidade
  • Baixa latência > tempo mínimo entre o estímulo e a resposta da rede de telecom
  • Maior densidade de conexões > quantidade de dispositivos conectados em uma determinada área
  • Maior eficiência espectral > quantidade de dados transmitidos por faixa de espectro eletromagnético
  • Maior eficiência energética dos equipamentos > economia e sustentabilidade

Fatiamento da rede

A tecnologia 5G é flexível e se adapta de acordo com a aplicação utilizada. Uma das funcionalidades previstas para a quinta geração é o network slicing ou “fatiamento da rede” – no qual as características da rede poderão ser adaptadas de acordo com a necessidade. Por exemplo: vídeos de alta resolução (como 4K) podem demandar larguras de banda extremamente altas, enquanto aplicações como carros autônomos ou cirurgias assistidas demandarão latências extremamente baixas.

Fruto de consulta pública

O edital foi objeto da Consulta Pública nº 9, de 14 de fevereiro de 2020, que recebeu 262 contribuições da sociedade em seus 60 dias de duração.

E agora?

Com a deliberação do Conselho Diretor, ocorrem os estudos de viabilidade e cálculo do preço mínimo, após conclusão pela área técnica da Agência, que deverão ser encaminhados para o Tribunal de Contas da União (TCU).

A Anatel mantém sua expectativa de realização do certame ainda neste primeiro semestre de 2021.

“Todos entenderam os ganhos do 5G”, destaca diretor da Abinee

O portal de notícias Energia Que Fala Com Você ouviu dois diretores da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) sobre o edital do leilão 5G.

Para Paulo Castelo Branco, diretor da área de Telecomunicações da entidade, a avaliação é amplamente positiva.

“Em primeiro lugar, porque foi o resultado de um amplo debate envolvendo todos os players da sociedade – nunca se viu tanto debate fora da mídia especializada”, relata.

“Em segundo, porque pela primeira vez as autoridades falam em um certame não arrecadatório – pleito do setor há muitos anos para os leilões de espectro”, atesta.

“E, finalmente, porque parece que todos entenderam os ganhos que o 5G pode trazer para a sociedade, o que acarreta um certo clima de urgência.”

Ativa participação da Abinee

Por sua vez, Aluizio Byrro, vice-diretor da área de Telecomunicações da Abinee, lembra que este edital foi objetivo de consulta pública da Anatel com ativa participação da Abinee.

Como exemplo, cita “as contribuições marcantes da Associação como o estudo de Mitigação ou Migração para os serviços hoje existentes na faixa de 3,5 GHz, preparado pelo Centro de Estudos da PUC do Rio (CETUC), além de outras consultas públicas que possibilitam desde a certificação de equipamentos que comporão a futura rede 5G no Brasil até os parâmetros técnicos de convivência das prestadoras dentro das diferentes faixas de frequências.”

Byrro lembra que o edital contempla “a concessão da maior quantidade de espectro de radiofrequências já realizado pela Anatel em um leilão único e um dos maiores do mundo, o que é muito positivo para a sociedade brasileira.”

“Será, conforme já divulgado pelas autoridades do setor, um leilão de caráter não arrecadatório, mantendo assim os investimentos em sua maior parte dentro do próprio setor”, destaca.