Mercado de energia elétrica ganha novos geradores, mesmo diante a pandemia de Covid 19

O mercado de energia tem usinas térmicas liderando o ranking de eletricidade nova da Aneel, seguidas bem de perto pelas eólicas

Crédito imagem: Free-Photos/Pixabay

Quase metade do ano de 2020 foi paralisado por conta das restrições impostas pela Covid 19. Ela gerou isolamento social e empresas paradas.

No entanto, diversos setores da economia brasileira seguiram em frente mesmo nos meses de pico da pandemia, entre abril e setembro. É o caso, por exemplo, dos supermercados.

Apenas no primeiro semestre, ante igual período de 2019, as vendas cresceram 3,47% segundo a Abras, entidade representativa do setor (leia mais aqui). Tornando assim, o semestre de maior alta de vendas dos últimos 8 anos.

Outro segmento da economia que seguiu em alta em 2020 foi o de empresas geradoras de energia elétrica.

A maioria delas tem contratos de venda com o governo federal, vencidos por meio de leilões, e precisa entregar os empreendimentos geradores. Mas, apesar disso, o novo coronavírus poderia ser motivo de justificativa para possíveis atrasos. Mas não. Essas empresas seguiram em frente.

Como resultado, 2020 foi encerrado com a entrada em operação comercial de 4.932 megawatts (MW). É um montante que supera em mais de 800 MW a meta inicial do ano, de 4.112,43 MW, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Está bom. Os números saltam, esbanjam bons resultados. Mas e o que significam?

Em primeiro lugar, os 4.932 MW representam, conforme a Aneel, potência suficiente para atender a 6,1 milhões de brasileiros, ou suprir os 3 milhões de moradores da cidade de Brasília e os 2,8 milhões de Salvador.

Em segundo lugar vem o fato de que esses novos empreendimentos de geração de energia também mantiveram aquecidos os mercados de trabalho e de fornecedores de diversos setores, como de bens, construção e mesmo de transmissão e distribuição de eletricidade.

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Fontes renováveis do mercado de energia no ranking da Aneel

Quando se fala em novos geradores, é preciso destacar quais as fontes que eles empregam para produzir energia elétrica.

É que está na ordem mundial evitar o emprego de fontes poluentes, que ajudam a provocar gases de efeito estufa e, entre essas, estão os derivados de petróleo. Tais gases, como se sabe, reforçam o aquecimento global.

Pois em 2020 a maioria da nova energia elétrica é produzida pelas usinas térmicas, que usam, em sua maioria, gás natural como fonte. E o gás pode ser puro ou derivado do petróleo. Leia a respeito aqui.

Entretanto, o gás natural não é vilão do meio ambiente. Sua combustão não produz materiais particulados, óxidos de enxofre e óxidos de nitrogênio – grandes responsáveis pela formação da chuva ácida e por doenças respiratórias em humanos, destaca a distribuidora GasBrasiliano (leia aqui).

Além disso, a distribuidora relata que um carro abastecido com gás natural veicular (GNV) gera, em média, de 20 a 30% menos de CO2 quando comparado com veículos abastecidos com etanol e gasolina. Saiba mais aqui.

Feitos os relatos, voltemos às novas geradoras de eletricidade. Segundo a Aneel, dentre as fontes de geração em operação em 2020 a térmica lidera com 63 usinas e 2.235,1 MW acrescidos ao sistema. Elas representam 45,3% da potência instalada no ano.

Para se ter ideia, apenas uma das novas térmicas (também denominadas termelétricas) é a Porto de Sergipe I, em Barra dos Coqueiros, em Sergipe, com capacidade de geração de 1.551 MW. Ou seja, apenas ela equivale a 69% de todas as térmicas entrantes em 2020.

O levantamento da Aneel (acesse-o aqui) destaca que o segundo lugar no ranking é ocupado pela fonte eólica. Sim, a energia gerada pelo ‘vento’ acrescentou ao sistema elétrico 1.725,8 MW em 53 usinas, o que representa 34,9% do total de energia nova que entrou em operação.

Aqui vale ressaltar que a eólica é destaque entre as fontes renováveis. Assim como é a fonte solar – também chamada de fotovoltaica. Essa fica em terceiro no ranking de geração: inaugurou 21 empreendimentos em 2020, com 793,2 MW instalados que, por sua vez, representam 16% do total.

O peso das renováveis nas operações

É preciso questionar sobre o peso dos 4.932 MW de geração entrantes em 2020.

Então, o que eles significam diante a capacidade instalada no País?

Em termos percentuais, eles somam 3% dos 174.412,6 MW de capacidade instalada no território nacional. Pode parecer pouco, mas não é. Isso porque os 4.932 MW foram implantados em apenas um ano.

A própria Aneel destaca em seu relatório que a geração nova de 2020 é ‘memorável’ e integra usinas espalhadas por 20 estados.

Veja abaixo imagem das geradoras em operação da Aneel – as siglas ao lado indicam as fontes. UTE: termelétricas/térmicas; UHE, CGH e PCH: hídricas; UTN: termonucleares; EOL: eólicas e UFV: solares:

Mercado de energia -imagem das geradoras em operação da Aneel

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Fontes renováveis avançam no mercado de energia

O avanço das fontes renováveis no mercado de energia segue neste 2021. Segundo o relatório da Aneel, a fonte eólica supera a térmica nas usinas geradoras em construção.

Em síntese, os empreendimentos em implantação eólicos significam 36,72% de todas as fontes. O segundo lugar é das termelétricas/térmicas, com 36,67%.

Deve-se pontuar aqui o crescimento da fonte termonuclear, que ocupa o terceiro lugar, com 11,67%. Em quarto lugar vêm as usinas solares, com 10,54% do total dos empreendimentos em curso.

Por fim, a Aneel destaca também os empreendimentos cujas construções ainda não foram iniciadas.

Nesse caso, a liderança é das solares (49,91% do total de empreendimentos), seguidas das eólicas (30,21%) e das termelétricas (13,97%).

Confira:

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