Mercado de geração de energia acelera cadeia de fornecedores

Além das 20 novas usinas geradoras inauguradas em 2020, virão outras a partir de leilões públicos já divulgados para os próximos 3 anos do mercado.

Mercado de geração de energia acelera cadeia de fornecedores
Crédito: Fré Sonneveld/Unsplash

A implantação de novos geradores de energia elétrica revela o vigor do segmento no Brasil. Um bom exemplo está em 2020. Apesar da freada na economia por conta do novo coronavírus, o ano do mercado de geração de energia foi encerrado com a entrada em operação comercial de 4,9 mil megawatts (MW).

Segundo a Aneel, essa potência energética nova é suficiente para suprir a 6,1 milhões de brasileiros, ou seja, bem mais do que as populações de Brasília e de Salvador juntas.

Ao longo de 2020 a Aneel aponta a inauguração de usinas geradoras em 20 estados. Um dado que destaca o otimismo do setor é que os 4,9 mil MW superam em mais de 800 MW a meta inicial do ano, que era de 4,112 mil MW. Clique aqui para saber mais a respeito.

Outra boa notícia é de que esse universo de geração de energia turbina também toda a cadeia de fornecedores de bens e serviços. Afinal de contas, as novas 20 usinas geradoras recrutaram um verdadeiro exército de peças, estruturas e engenharias, além de outros.

E não fica por aí.

Leilões públicos animam cadeia de fornecedores

Os setores de geração e dos fornecedores sinalizam anos aquecidos de novos empreendimentos.

Uma prova deste clima positivo é que em dezembro último o Ministério de Minas e Energia (MME) divulgou o calendário de compra de energia. Com um detalhe precioso: inclui programações para 2021, 2022 e 2023.

Conforme apurado pelo portal de notícias Energia Que Fala Com Você, a divulgação surpreende positivamente porque o anúncio de leilões para 3 anos permite planejamento para as empresas fornecedoras que pretendem trabalhar com os futuros geradores.

“É um avanço termos um calendário prévio para os leilões regulados”, contou ao Energia Que Fala Com Você Zilmar de Souza, gerente de bioeletricidade da Unica, entidade representativa das usinas de cana, que também produzem eletricidade (leia mais aqui).

Mas o que são esses leilões no setor de geração de energia?

É por meio deles que o governo supre com energia o sistema nacional de distribuição, tecnicamente chamado de Sistema Interligado Nacional (SIN).

Esse Sistema administra a energia injetada pelos geradores e a entrega para o consumidor final por meio das distribuidoras.

Assim, as compras de eletricidade por meio de leilão garantem o suprimento. Mas além de garantir o abastecimento do SIN, eles também atendem aos geradores da energia em contratos de aquisição que normalmente têm duração de 25 anos.

Ou seja: por meio desses contratos de venda garantida, os geradores investem para produzir a eletricidade.

É preciso lembrar que há leilões denominados de Energia Existente, disponibilizado pelas geradoras, e Energia Nova. Nesse caso, trata-se daquela que será gerada por um empreendimento novo, ou greenfield.

Em resumo, esse tipo de leilão não abriga a produção de uma unidade geradora já existente. Só vale usina geradora nova.

Aí entra um detalhe precioso: o empreendimento novo  exige investimentos que, dependendo do tipo e da capacidade, vão de R $30 milhões a até R $100 milhões.

Por fim, os leilões são transparentes e estipulam um valor mínimo para cada megawatt-hora (MWh), indicador para a eletricidade produzida.

É por meio do valor do MWh que o empresário avaliará se vale ou não a pena entrar e vencer o leilão.

Um fato, no entanto, já pode ser dado como certo: a participação da iniciativa privada na geração de energia é um caminho sem volta. Mesmo porque o modelo de leilões públicos atesta êxitos porque libera o governo de investimentos públicos quando o caixa está apertado.

Investimentos de empresas aquecem mercado de fornecedores

Além dos leilões públicos, existem também os privados, a cargo de geradores de energia elétrica que também investem continuamente para manter os ativos com produtividade eficiente.

Afinal, esses empreendimentos têm condições de crescerem a oferta de eletricidade para atender ao mercado consumidor em caso de picos de aumentos de demanda.

E há, também, contratações diretas de fornecedores para investimentos em otimização. O mesmo vale para as transmissoras, encarregadas de levar a energia gerada até a ponta final.

Exemplos nessa linha não faltam.

Um deles diz respeito à transmissora privada de energia ISA CTEEP, que no começo deste janeiro recebeu da GE Renewable Energy Renovável 3 compensadores síncronos rotativos e da subestação de interligação dos mesmos à rede básica do Sistema Interligado Nacional em 500kV.

O que são eles?

Segundo a GE, são os maiores equipamentos do tipo já produzidos no Brasil, pesam cerca de 425 toneladas cada e operam em uma potência de 300 MVAR/ 500KV.

O nome pode até ser complexo, mas os equipamentos cumprem uma função bastante simples e ao mesmo tempo essencial: ampliar a capacidade e estabilidade do sistema nacional com o objetivo de manter a qualidade da energia elétrica mesmo em condições de faltas ou perturbações transitórias. Leia mais aqui.

Já a gigante Furnas, da Eletrobras, é destaque em investimentos.

Até novembro de 2020, a empresa já tinha investido R $4,5 bilhões em modernização de equipamentos de transmissão, conforme relato de executivo da empresa ao portal MegaWhat.

Outra boa notícia também para os fornecedores é de que nos próximos anos Furnas já reserva R $1,87 bilhão para investimentos em renovação que inclui 2,7 mil equipamentos instalados. Ler mais aqui.

Por fim, o mercado das empresas geradoras, transmissoras e distribuidoras de energia, bem como toda a cadeia de fornecedores, segue aquecido e os investimentos só tendem a crescer nos próximos anos.