5G: Anatel se diz pronta para gerir barreiras regulatórias

Afirmação é de representante da Agência durante participação em webinar da FIEE Talks e da Abinee

5G: Anatel se diz pronta para gerir barreiras regulatórias
Crédito: Agência Brasil

A Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel, estará pronta para solucionar as barreiras regulatórias relacionadas às redes 5G.

É o que destacou Agostinho Linhares, gerente de Espectro, Órbita e Radiodifusão da Anatel, durante participação no webinar “Infraestrutura para um 5G de Qualidade”, promovido pela FIEE Talks e pela Abinee no fim de fevereiro.

Edição de FIEE TALKS sobre Infraestrutura para um 5G de qualidade
Edição de FIEE TALKS sobre Infraestrutura para um 5G de qualidade

Discutir barreiras regulatórias para o desenvolvimento do 5G no Brasil foi um dos principais temas do webinar, que também contou com a presença de Wilson Cardoso, Chief Solutions Officer na Nokia Networks; José Brito, professor no Inatel; Daniel Blanco, Gerente de Inovação na Furukawa Electric; e de José Eduardo Bertuzzo, executivo de Tecnologia do Instituto Eldorado. A mediação do evento foi de Israel Guratti, Gerente de Tecnologia e Política Industrial da Abinee, enquanto a apresentação coube a Adriana Guidi, Gerente de Produto da FIEE.

Entre as barreiras regulatórias para o desenvolvimento do esperado 5G estão a regulamentação, aferição de qualidade, certificação e homologação, entre outras questões importantes.

Para o representante da Anatel, em 2019 a Agência implantou agência regulatória que substitui outras anteriores, então focadas no desenvolvimento de serviços.

“Agora tudo está consolidado em um único regulamento, mas quando for necessário, a Anatel atualiza”, disse Linhares.

Ele citou como exemplo o fato de a Internet das Coisas (IoT) estar fora do regulamento. “É que não está muito claro o IoT como modelo de negócios, porém a Anatel acompanha a evolução e, quando for o caso, atualiza para proteger o usuário final quanto [a essa tecnologia].”

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5G em questão do espectro

Em relação ao espectro, Linhares lembrou que o 5G pode empregar qualquer faixa de frequência. “Há faixas hoje usadas por 3G, mas que também podem ser operadas pelo 5G”, disse, emendando que, quando a operadora quiser, já pode usar as faixas liberadas.

No entanto, disse, há faixas mais indicadas para determinadas aplicações. As mais baixas, exemplificou, podem atender a comunicação máquina-máquina.

“Já se estiver em ambiente industrial, com ondas milimétricas para atender o requisito de milissegundo, com banda larga otimizada, as mais mais altas serão mais interessantes”, pontuou.

5G aliado ao B2B

O executivo da Anatel destacou, também, que o 5G será diferencial no B2B (prestadores de serviços a outras empresas), lembrando que até hoje as tecnologias focam nos pacotes B2C (empresas e consumidores).

“Teremos empresas com rede integrada, usando 5G, e essas integrarão toda a sociedade, com novos arranjos produtivos”, disse. “Temos que melhorar a competitividade do Brasil e o 5G permitirá isso.”

Como suprir as demandas

Para suprir as demandas possibilitadas pelo 5G, serão necessários, por exemplo, novos data-centers e redes de suporte. Para o representante da Anatel, será um grande desafio, com o emprego de fibra óptica para permitir milissegundos, ou trazer o data center mais perto para ser processado.

“A regulamentação da Anatel é moderna”, frisou. Como prova, lembrou que é permitido o emprego de rádios multibanda, com 80 gigahertz (GHz) combinado com 13 GHz.”

Conectividade

E a conectividade para viabilizar tecnologias como o 5G, que seguem falhas em boa parte do território?

Linhares disse que a Anatel enxerga o uso de satélites como escopo no arcabouço do 5G. “Tem as mega constelações chegando ao Brasil, que também auxiliarão nas áreas mal ou não atendidas”, frisou.