Eficiência energética: seguro garante retorno de investimentos

Entenda mais sobre a novidade, lançada em parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas

Eficiência energética: seguro garante retorno de investimentos
Crédito da foto: Sebastian Ganso from Pixabay

Empresas geradoras de energia solar e projetos de eficiência energética contam com um novo tipo de seguro no Brasil. Trata-se do Seguro de Economia Energética, ou Programa ESI, criado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Lançado no começo de março, o ESI funciona como “seguro de performance energética” e embora seja novidade no Brasil e em países vizinhos, já existe principalmente na Europa.

Mas de que trata esse “seguro de performance energética”?

Em resumo, ele funciona como apólice que garante o retorno financeiro de projetos de eficiência energética e de instalação de geração de energia fotovoltaica (painéis solares).

O ESI prevê o pagamento do valor correspondente à redução no consumo de energia (para projetos de eficiência energética) ou à geração elétrica (para instalações fotovoltaicas) previstas em contato, caso esses indicadores não sejam atingidos por problemas de desempenho do projeto ou dos equipamentos envolvidos.

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Como funciona a cobertura do seguro do BID

Muitas vezes projetos de instalação de painéis solares são postergados por medo de os investimentos não gerarem economia.

É aí que entra o seguro, que se propõe a fornecer a cobertura das economias de energia projetadas para medidas de eficiência energética especificamente definidas e verificáveis, a partir da assinatura de um contrato padrão entre empresas e provedores de serviços de tecnologia.

Para tanto, mecanismos de compartilhamento de risco compensam as empresas no caso de não alcançarem os fluxos financeiros associados à eficiência energética.

Conforme o BID, a novidade é similar aos seguros de performance oferecidos pelo mercado segurador brasileiro.

Ao garantir que o investidor não sofrerá prejuízo econômico em caso de desempenho abaixo do esperado, o seguro do BID reduz o risco mais evidente dos projetos de geração solar distribuída e eficiência energética, assim tornando-os mais atrativos.

Fora isso, grande parte dos fornecedores, prestadores de serviços e integradores tem capacidade limitada de tomar financiamento para grandes projetos.

No modelo do seguro recém-lançado, “o pagamento das parcelas do financiamento é feito pelas empresas-clientes à instituição financeira, e não pelo fornecedor como em um modelo tradicional de serviços de conservação de energia, ou ESCO, sendo produto da economia energética gerada”, atesta Maria Netto, especialista em mercado de capitais do BID. “Uma vez que o principal risco esteja mitigado, esperamos que mais empresas possam conhecer e se beneficiar dos investimentos em eficiência energética.”

Parceria com a ABNT

Tem mais: além do seguro, o Programa ESI contempla acompanhamento do pré-projeto, da instalação dos equipamentos e da mensuração do desempenho durante período de até cinco anos.

Para gerir esse suporte, o BID fez parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Ela responderá pela certificação de provedores de tecnologia e pela validação de projetos de eficiência nas empresas.

“A iniciativa possui abordagem inovadora e prevê financiamento para as empresas  investirem no aumento da produtividade e, ao mesmo tempo, reduzirem as emissões de gases de efeito estufa”, relata a Associação.

Eficiência energética: expectativas a serem atendidas

Com seus mecanismos devidamente implantados, o Programa ESI promete atender às seguintes expectativas:

1 – sentimento de confiança de potenciais investidores do setor privado de que projetos de eficiência energética irão gerar economias de energia suficientes para pagar os empréstimos assumidos e, eventualmente, obter lucro;

2 – gerar consciência nas instituições financeiras locais sobre o risco real e dos retornos associados a esses projetos e, assim, aumentar sua disposição de financiá-los.

Quais são as tecnologias em eficiência energética contempladas pelo programa?

Inicialmente, são: cogeração, preaquecimento solar, caldeiras, ar condicionado, motores, energia solar fotovoltaica, fio diamantado e trocador de calor.

Que instituições financeiras operam o seguro?

Por ora, três instituições financeiras: Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes); Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE); e Goiás Fomento.

Suporte internacional para investimentos em eficiência energética

O programa ESI no Brasil pode ter apoio de entidades internacionais. É o caso, por exemplo, da Global Innovation Lab for Climate Finance, que reúne investidores privados e, segundo a ABNT, “endossou a iniciativa como um dos instrumentos mais promissores para mobilizar investimento do setor privado em eficiência energética.”

Mercado de eficiência: R$ 4 bilhões anuais

“Queremos incentivar o crescimento de um mercado com potenciais óbvios em termos ambientais e econômicos, sobretudo para pequenas e médias empresas”, relata Morgan Doyle, representante do BID no Brasil.

Segundo o BID, estudos indicam que somente o setor industrial brasileiro poderia economizar custos na ordem de R$ 4 bilhões ao ano com a adoção de tecnologias mais atualizadas em processos de resfriamento, climatização, compressores de ar, motores e sistemas de vapor e cogeração de energia.

Portanto, o desafio é aumentar o investimento privado em projetos de eficiência por meio da maior conscientização dos investidores quanto às reais vantagens da implementação dos projetos.

É isso que propõe o seguro lançado no Brasil pelo BID, criado em 1959 como fonte de financiamento de longo prazo para o desenvolvimento econômico, social e institucional da América Latina e o Caribe.