Região Nordeste ganha central de usinas de cana geridas por cooperativas
Foto: Jornal Cana

A região Nordeste do Brasil é o berço das usinas de cana-de-açúcar do país. A primeira muda foi cultivada em 1.532 na então Capitania de São Vicente, no litoral paulista, mas foi principalmente em Pernambuco e na Bahia que os engenhos de açúcar se multiplicaram (leia mais aqui).

De lá para cá, foi só questão de tempo para o Brasil tornar-se a atual potência mundial em produção e tecnologia de açúcar, etanol e bioeletricidade. 

Agora, passados 489 anos e a região canavieira do Nordeste novamente se destaca em nova investida no setor sucroenergético. Trata-se da criação da primeira central sucroenergética, formada por usinas cooperativadas dos estados de Pernambuco e de Alagoas. 

É uma novidade que une forças de fornecedores de cana, de cooperativas e de usinas para trabalhar em favor de seus interesses em um setor com mais de 350 unidades produtoras no país, 80% delas localizadas na região Centro-Sul. 

O anúncio da criação da central foi em outubro de 2020. E, em ritmo acelerado de ações de planejamento, a entidade está devidamente formalizada e, na segunda quinzena de abril, oficializou inclusive sua sede.

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Mas qual o motivo da criação dessa central sucroenergética? 

Alexandre Andrade Lima, presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), entidade gestora das usinas Coaf e CooafSul, resume bem: “o objetivo é fortalecer o sistema cooperativado no ramo sucroenergético através da busca do aumento de produção, faturamento e rentabilidade das usinas.”

Como obter esse fortalecimento? 

“Por meio da agregação de valor da cana; diminuição de custos logísticos, de insumos e equipamentos no campo e nas fábricas; e no melhoramento nos processos administrativos, fiscais, técnicos, financeiros e contábeis”, emenda ele (leia aqui suas declarações). 

Vamos, agora, à descrição da central. 

As integrantes são as usinas Coaf, localizada em Timbaúba (PE); CoofaSul, de Ribeirão (PE); Pindorama, de Coruripe (AL), e Copervales, de Atalaia (AL). 

Todas são geridas por cooperativas de fornecedores independentes de cana. É assim: a Coaf pela Cooperativa do Agronegócio dos Fornecedores de Cana; a CooafSul pela Cooperativa dos Produtores de Cana de Açúcar da Mata Sul; a Pindorama pela Cooperativa Pindorama e a Coopervales pela Cooperativa dos Produtores Rurais do Vale do Satuba. 

Em abril, seus presidentes deram mais um passo decisivo com a definição dos termos do estatuto social. 

Maceió, por exemplo, será a sede do conglomerado, que prevê faturamento de R$ 1 bilhão já sem sua primeira safra, prevista para começar em agosto próximo. 

Fora o peso do faturamento previsto, vem também o peso da capacidade de moagem. Isso porque as usinas coligadas respondem por 6% de um mercado total de 50 milhões de toneladas de cana processadas por safra no Nordeste. 

E como é feita a formação do estatuto?

Por sua vez, a formatação do estatuto é feita por consultores da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), com base nas deliberações dos dirigentes das usinas. 

Antes da formatação da central, os gestores viajam para cooperativas de Minas Gerais e de Santa Catarina, que possuem experiências semelhantes que ajudarão a formar o modelo administrativo e comercial. 

A recém-criada central já é acalentada para outros estados da região Nordeste. É o caso da Bahia, que também possui usinas e um projeto para implantar muitas outras. 

João Leão, vice-governador da Bahia e também secretário do Desenvolvimento Econômico, relatou, em outubro de 2020: que “essa modelagem de conglomerado é importantíssima para o fortalecimento do setor sucroenergético.”

“E como tenho certeza que será bem sucedido, quero que essa experiência, que já nasce exitosa e agrega dois estados do Nordeste, seja incorporada também na Bahia.”