Etanol anidro ajuda a gasolina a emitir menos CO2

Além disso, colabora para conter altas de preços nos postos. Desde 2015, cada litro do derivado de petróleo contém 27% de biocombustível

Etanol anidro ajuda a gasolina a emitir menos CO2
Foto: Flickr

A gasolina C, que abastece os veículos flex, emite menos poluentes que a gasolina pura. Além disso, seu preço nas bombas dos postos também fica livre de tantas altas. Tais performances, no entanto, não resultam do derivado de petróleo em si, mas de sua mistura com o chamado etanol anidro.

Desde 2015, por força de lei federal, cada litro de gasolina conta com a adição de até 27,5% do etanol denominado anidro. Por conta desse mix, a C injeta menos dióxido de carbono (CO2) e particulados no ambiente caso fosse usada de forma pura. 

Em resumo, enquanto um litro de gasolina pura emite em média 2,5 quilos de CO2, o litro do anidro gera 1,5 quilo. Isso segundo estudo do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável.

Como cada litro da C é composto em 27% pelo biocombustível, significa que neste um terço a emissão de dióxido é 60% menor

Em tempos nos quais vale tudo para economizar cada quilo de CO2,  trata-se de um resultado vigoroso. 

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Os ganhos ambientais da presença de anidro vão além. Fazendo as contas, basta pegar os 8,9 bilhões de litros de gasolina C. Conforme levantamento da ANP, foram vendidos no Brasil nos três primeiros meses de 2021. 

Como 27% desse total equivale a etanol anidro, são 2,4 bilhões de litros. Em termos de emissões, resultam em menos 3,6 milhões de toneladas de CO2 injetadas no meio ambiente. 

Vale perguntar: qual é o peso dessas 3,6 milhões de toneladas? 

Dá para comparar com a média de emissão bruta per capita de cada brasileiro que, segundo destaque da National Geographic, é de 10,4 toneladas. Sendo assim, como somos 210 milhões de brasileiros, a emissão anual da população vai a 2,184 bilhões de toneladas. 

Em resumo, a menor emissão de CO2 da gasolina permitida pelo anidro equivale às emissões anuais de 350 mil brasileiros. 

Por que o etanol anidro ajuda a conter altas no preço da gasolina

Fora os ganhos ambientais, a presença de anidro na gasolina também evita novas altas de preços nos postos de combustíveis. 

Isso decorre do fato de o Brasil importar o derivado de petróleo para dar conta de atender ao mercado doméstico. Isto é, ele não possui condições de refinar 100% do petróleo explorado no país. 

Por conta disso, em março deste ano o Brasil importou 126,4 milhões de litros, segundo a ANP. O volume representa 2,7% dos 2,8 bilhões de litros comercializados no mesmo mês. 

O percentual de 2,7% pode parecer pouco no contexto geral. Mas é preciso levar em conta que os valores da importação são em dólar, e a cotação em janeiro ficou em médios R$ 5,30. 

Além disso, se não fosse a presença de anidro, o Brasil teria de importar outros 730 milhões de litros em março. Uma vez que esse montante equivale à adição de 27% aos 2,8 bilhões de litros de gasolina comercializados naquele mês. 

Mesmo internamente, o preço da gasolina estaria maior não fosse a presença do biocombustível. 

Segundo levantamento da Petrobras, o etanol anidro equivale a 15,2% da composição do preço ao consumidor. Cujo cálculo é baseado nos preços médios da gasolina A e nos da C. 

Composição do preço da gasolina ao consumidor: 

Etanol anidro ajuda a gasolina a emitir menos CO2
Fonte: Petrobras

Em valores apurados pelo portal de notícias Energia Que Fala Com Você, os 27% de anidro representam média de R$ 0,68 do litro da gasolina. Isso, se ele é vendido a R$ 5,48. 

Por fim, o anidro alivia o preço do litro da gasolina ao consumidor, uma vez que os custos da Petrobras na composição acima ficam em 35%. Assim, essa participação cresceria sem a presença do biocombustível.