Por que as cidades inteligentes chegaram para ficar?

Conceito foca o planejamento do futuro local com ações sustentáveis e emprego de tecnologia

Por que as cidades inteligentes chegaram para ficar
Crédito: Marcelo Guedes/Prefeitura Praia Grande

Cidades sustentáveis e cidades inteligentes. Você já deve ter ouvido falar destas quatro palavras e, se não ouviu ou leu a respeito, pode se preparar. 

As palavras ganharam espaço em sites e eventos desde a década passada. Mas vão ganhar ainda mais presença em noticiários, principalmente neste 2021 em que se avaliam cenários de pós-pandemia, quando se planeja como ficarão as cidades com o controle da covid-19. 

Não se trata de mais uma moda, mas as cidades sustentáveis definem, em resumo, o compromisso de gestores públicos com o desenvolvimento com sustentabilidade. 

No entanto, o leitor desta plataforma de reportagens do universo elétrico e de tecnologia deve perguntar: mas o que ‘cidade sustentável’ tem a ver com o propósito do portal de notícias Energia Que Fala com Você?

Tem muito a ver. 

Em primeiro lugar, tornar-se cidade sustentável pode ser difícil para as prefeituras sem caixa nestes anos de queda livre de arrecadação financeira. 

Contudo, existem órgãos e instituições dedicadas a informar os gestores públicos interessados. Uma delas é o Programa Cidades Sustentáveis

Além disso, integram esse conceito as cidades inteligentes. E essas têm foco direto em tecnologia e energia elétrica.

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Para ser uma das cidades inteligentes, não basta apenas ter tecnologia

Em resumo, estruturar uma cidade inteligente não é tão simples. Isso porque não se trata apenas de incorporar certas tecnologias no cenário urbano. “É preciso compreender quais serão os seus impactos no cotidiano dos cidadãos”, destaca a companhia Exati. 

Sabe como é possível medir tudo isso?

Existem indicadores que ajudam a compreender o nível de inteligência em uma cidade e um deles diz respeito diretamente à tecnologia.  

Por sua vez, esse indicador avalia o grau de conectividade da população, considerando cobertura da rede móvel e assinaturas de fibra óptica nas residências, disponibilização de serviços básicos online e demais infraestruturas disponíveis aos cidadãos.

Mas o parágrafo acima não parece texto de discurso, desses que nunca entram em prática?

Pode ser que sim. Mas há exemplos de cidades comprometidas com projetos nesse sentido. E que foram mantidos mesmo com a pandemia.

Uma dessas cidades é Boston, no estado de Massachusetts (EUA), que empreende o projeto Integrado Boston 2030. Objetivo: promover a ocupação democrática dos espaços públicos e a revitalização social e econômica dos bairros. 

Em seu site, a prefeitura de Boston relata que o programa foca compromissos para os próximos 50 anos e, para discutir tudo isso, 15 mil cidadãos compartilharam ideias e visões sobre o futuro da cidade nos últimos dois anos. 

E quais são as ações propostas?

Entre elas está o incentivo da acessibilidade e redução do tempo de deslocamento na cidade em favor da mobilidade urbana. Em consequência, promover o crescimento econômico inclusivo. 

Tem mais: o projeto destaca investimentos em espaços públicos para promoção de arte e cultura e a criação de ambientes saudáveis aptos para as mudanças climáticas que já chegaram. 

As ações do parágrafo anterior são, sim, possíveis de serem aplicadas. E, claro, às custas do emprego de muita tecnologia. 

O exemplo de Praia Grande

Por falar em tecnologia, ela há muito é aplicada, por exemplo, na cidade litorânea de Praia Grande, na baixada santista. 

O foco, aqui, é investir em tecnologia voltada à área de segurança pública na cidade que, por atrair milhares de turistas em temporadas normais, também é vitimizada pela violência. 

No entanto, a situação melhorou – e muito. A prefeitura relata que graças ao sistema houve redução em mais de 60% no número de roubos e furtos de veículos. 

Por conta disso, a administração manteve os aportes no sistema. A projeção é de que o número de câmeras de videomonitoramento saltassem de 2,5 mil para 3 mil em 2020. 

Além disso, foi mantido investimento em sistema de reconhecimento facial.

Mas como funciona o sistema de monitoramento?  

Funciona assim: o software de reconhecimento facial começou a ser instalado em 2018, está hoje em 35 pontos da cidade e a meta é chegar a 70 pontos. 

Um ganho do sistema é auxiliar as polícias Civil e Militar a capturar foragidos da justiça. Nos shows realizados até então no kartódromo, local de grande atração local, ninguém acessa a área do evento sem ser captado pelo sistema. 

Se a pessoa estiver incluída no banco de dados fornecido pela polícia, surge um aviso na tela e equipes de segurança são acionadas para a abordagem. 

Outro destaque do sistema em Praia Grande é o chamado “cerco eletrônico”, composto de softwares capazes de identificar caracteres como placas de veículos. A previsão é de que 170 faixas locais sejam vigiadas. 

Enfim, a tecnologia tem ajudado – e muito – na redução dos índices criminais na cidade. Mas o secretário local de Assuntos de Segurança Pública, Maurício Vieira Izumi, destaca: “não adianta termos câmeras e não termos os meios para trabalhar com elas: softwares inteligentes, planejamento e recursos humanos.”