Projetos de geração de energia de biomassa e de biogás disputarão leilões do governo
Foto: UNICA

Trinta projetos de geração de energia de biomassa e biogás estão cadastrados nos dois leilões de contratação de energia. O leilão, por sua vez, parte do governo federal e deverá ser realizado em junho próximo. 

A princípio, as usinas de cana-de-açúcar respondem pela grande maioria desses projetos. Isto porque mais de 90% da geração de energia a partir de biomassa e biogás emprega subprodutos da cana como matéria-prima. 

Caso esses 30 projetos saiam vencedores, a previsão é de uma injeção de R$ 8 bilhões em investimentos. A avaliação é de Zilmar José de Souza, gerente de bioeletricidade da UNICA.

Todo esse aporte financeiro é para implantar as usinas geradoras de bioeletricidade de biomassa e biogás. Como resultado, se dá o envolvimento de serviços de vários profissionais, além da compra de caldeiras e turbinas.

Seria o pontapé que falta para ativar economicamente a cadeia produtiva de biomassa do país. 

Toda essa expectativa, no entanto, dependerá do êxito dos projetos de biomassa e de biogás nos chamados leilões A-3 e A-4.

Em suma, essas fontes concorrerão nos certames, entre outros, com a fonte eólica. 

Mas seja como forem os resultados, a constatação é a de que o setor sucroenergético está pronto para ofertar a eletricidade que o país precisa. 

Confira a seguir a entrevista feita pelo portal Energia Que Fala com Você, com o gerente de bioeletricidade da UNICA.

Projetos de geração de energia de biomassa e biogás, segundo Zilmar José de Souza

Qual sua avaliação para os leilões que irão contratar energia nova para entrega em três anos (A-3) e em quatro anos (A-4)?

Zilmar José de Souza – O cadastramento para os A-3 e A-4 já terminou e a fonte biomassa/biogás cadastrou 30 projetos. Isso totaliza 1.358 megawatts (MW) de capacidade instalada. 

Se os 30 projetos fossem comercializados nesses leilões, prevemos que teríamos a injeção de algo como R$ 8 bilhões em investimentos na cadeia produtiva da biomassa no país.

Qual é o peso dos projetos de geração de energia de biomassa e biogás ante outras fontes cadastradas nos leilões?

Zilmar José de Souza – É pouco quando comparado à fonte eólica, por exemplo, que cadastrou 700 projetos. Ou 22.667 MW, equivalentes a duas usinas Belo Monte. 

Mas mostra como temos que ter atenção com a biomassa/biogás. Com isso, buscar condições que possam estimular uma retomada da contratação da biomassa mais firme e estratégica para essa fonte renovável e não intermitente.

Ao contrário de fontes renováveis – como eólica e solar, que dependem de condições climática -; a bioeletricidade pode ser produzida durante 365 dias se houver biomassa disponível.

O governo federal oficializou em portaria outro leilão, o A-5, cuja energia contratada será entregue em cinco anos. Quais suas expectativas? 

Zilmar José de Souza – Para o A-5/2021, o cadastramento vai até 2 de junho. Esperamos que a fonte biomassa possa cadastrar cada vez mais projetos. Já no A-5, possamos ter bem mais do que 30 projetos e, principalmente, comercializar mais energia.

Ao contrário da eólica e da solar, que só geram um tipo matéria-prima, a cana-de-açúcar tem dupla vantagem, uma vez que pode produzir biomassa e biogás como fontes de eletricidade. Os dois serão concorrentes nos leilões? 

Zilmar José de Souza – O biogás em geral, que não aquele referente a empreendimento de recuperação energética de resíduos sólidos urbanos (RSU), concorrerá num mesmo produto com térmicas a biomassa, e as não renováveis carvão mineral nacional e gás natural.

Seria interessante que as diretrizes futuras fossem aprimoradas para conseguir garantir produtos específicos também para o biogás em geral e a biomassa. Assim como o produto referente a empreendimento de recuperação energética de RSU; garantindo uma demanda a contratar representativa, dentro de uma política de incentivo específica à biomassa como um todo.

Como a pandemia de covid-19 tem afetado a programação de leilões de energia do governo?

Zilmar José de Souza – O advento da pandemia exigiu, já em março de 2020, que fosse postergada a realização, por tempo indeterminado, dos leilões para contratação de energia tanto de projetos novos quanto de empreendimentos existentes. Isso, por fim, gerou preocupação para os investidores em geração no setor elétrico.

Dessa forma, a confirmação do Leilão de Energia Nova A-5, a ocorrer em 30 de setembro próximo, é bem-vinda.