O Brasil está sob risco de apagão?

Para falar sobre o risco de apagão no Brasil, listamos 6 destaques sobre abastecimento de energia elétrica, assunto que entrou de vez no dia a dia de empresas

O Brasil está sob risco de apagão?
Crédito da imagem: Andrey Metelev/Unsplash

A ‘crise elétrica’ entrou de vez no noticiário. O assunto tem espaço constante na TV, rádio, jornais e em mídias online. E há especialistas assegurando até que o Brasil esteja em contagem regressiva para um apagão. 

É isso mesmo? O Brasil está novamente sob o risco de apagão e racionamento de eletricidade de 2001

O tema é complexo, mas o portal de notícias Energia Que Fala Com Você elenca a seguir várias peças deste quebra-cabeças com o objetivo de unir informações que apontem tendências do setor elétrico no curto prazo. 

1 – Escassez hídrica

Em outras palavras, é a falta de água nos reservatórios que abastecem as usinas hidrelétricas. E, sem água, a geração de energia despenca. Em pesquisa realizada em 25/05 no portal do Operador Nacional do Sistema (ONS), as usinas das regiões Sul e Sudeste/Centro-Oeste tinham, respectivamente, 55,49% e 32,46% de energia armazenada, contra 84,44% e 64,17% nas respectivas regiões Norte e Nordeste – a alta, aqui, é explicada porque o período é de chuvas nos estados nordestinos (leia mais aqui).

2 – Peso da hidrelétrica

A geração de energia por usinas hidrelétricas sempre liderou no país ante outras fontes em mais de 75%. 

Exceto na região Norte, onde a energia fotovoltaica/solar é maioria, nas demais regiões quem manda é a elétrica, segundo relato de 25/05 do ONS. Por isso, se as hidrelétricas reduzem a geração, o risco de crise bate à porta. 

3 – Acionamento de termelétricas

Ligar o parque de usinas térmicas disponíveis é uma medida comum tomada pelo governo federal e ele fez isso em maio.

Mas há dúvidas se esse acionamento resolve e tem outra: o custo é elevado porque essa energia é movida a gás natural, gás combustível e óleo diesel e quem banca, em grande parte, é o dinheiro arrecadado pelas bandeiras tarifárias. 

Para se ter ideia, o país entrou em maio sob bandeira vermelha e pode ficar nela até o fim do ano. Ou seja, até que o período chuvoso melhore o nível dos reservatórios.

4 – Autoprodutores estão garantidos?

Chamados “eletrointensivos”, são os grandes consumidores industriais que investiram bilhões de reais para garantir o próprio suprimento de energia. 

No entanto, em caso de crise de abastecimento nem eles estão 100% protegidos. 

Ao jornal Valor, a  Abiape, entidade que representa essas empresas, destaca que apenas estão garantidos os que têm usinas ligadas diretamente ao ponto de consumo, ou seja, 15% do total de energia gerada pelo grupo. 

5 – Compra de energia no mercado livre

Adquirir energia elétrica direto do gerador é uma estratégia para os grandes consumidores (leia aqui a respeito desse mercado). 

Em que pese o nicho do mercado livre, ele tem peso na comercialização de eletricidade. 

Em seu boletim de maio, a Abraceel, que representa os comercializadores, destaca que 65% da energia transacionada no país ocorreu no mercado livre e não no mercado convencional de distribuidoras. 

6 – Saída: fazer campanha por redução de gastos de energia

Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Adílson de Oliveira dispara em artigo que o país está em contagem regressiva para um apagão. Relata que o país pode não ter capacidade para abastecer o mercado daqui cinco meses. 

Por sua vez, ele, que é engenheiro químico, garante que para não haver racionamento é preciso agir rapidamente. E cita, como estratégia, a medida adotada em 2001, quando houve crise no setor, e o governo “chamou os grandes consumidores e ofereceu compensações para aqueles que conseguissem reduzir o gasto de energia.”

“É preciso fazer o mesmo neste momento”, afirma.