VP da Raízen avalia como o setor sucroenergético brasileiro participará do gigantesco mercado mundial que se abre para o etanol

Confira entrevista exclusiva com Francis Vernon Queen, que foi um dos participantes do webinar da Fenasucro Trends no último dia 25 de maio

Como o setor sucroenergético brasileiro deverá participar do gigantesco mercado mundial de etanol que está sendo estruturado? 

Com expertise de sobra, 400 usinas e mais de 50 mil fornecedores de bens e serviços, o setor tem muito a oferecer para países que querem não só o etanol combustível, mas o destinado a outros fins, para produzir plástico verde e o óleo para aviação SAF, entre outros. 

Para tratar deste assunto, o portal de conteúdo Energia Que Fala Com Você entrevistou Francis Vernon Queen, VP de Etanol, Açúcar e Bioenergia da Raízen. 

Além de ‘receitas’ para o setor sucroenergético entrar de vez nesse crescente mercado de etanol, Queen comenta, também, sobre outros temas. 

No mais, essa entrevista serve como adendo em vista do último webinar da Fenasucro & Agrocana Trends, em que Francis participou como debatedor.

O evento discutirá a viabilização do etanol como aditivo em combustíveis fósseis em escala global, potencializando sua transformação em commodity. 

Saiba mais sobre o evento aqui.

Confira a seguir nossa conversa com o VP da joint venture da Cosan e da Shell. 

O mercado mundial de etanol pode ter demanda extra entre 18 a 20 bilhões de litros anuais em 10 anos, caso, por exemplo, China e Índia confirmem a adição do biocombustível à gasolina. Como atender a essa demanda? 

Francis Vernon Queen – Antes de tudo é importante destacar os enormes diferenciais do nosso etanol. Atualmente é a melhor solução global para deslocar consumo de combustível fósseis, tanto economicamente quanto ambientalmente.

O etanol brasileiro emite CO2 cerca de 4,5 vezes menos que a gasolina nos Estados Unidos. E o veículo híbrido que está disponível comercialmente no Brasil já é hoje o de menor emissão, inclusive comparado com alternativas de EVs globalmente.

Na visão da Raízen, o desafio será muito grande, uma vez que observamos não só o aumento da demanda global para adição do etanol à gasolina, mas também observamos uma demanda crescente para uso do etanol para outros fins, como plástico verde, SAF (Sustainable aviation fuel) e outros.

Qual sua receita para dar conta dessa expressiva demanda que vem por aí?

Francis Vernon Queen – Para atender essa demanda crescente, acreditamos numa combinação de ações:

  1. Aumento da produção brasileira
  2. Aumento da produção em outros países. 
  3. Essa questão é muito importante para que o etanol, que é a melhor solução para deslocamento de combustível fóssil, seja adotado de forma mais abrangente no mundo.
  4. Tecnologia. 

Acreditamos que a tecnologia vai ajudar de forma significativa. Hoje a Raízen possui tecnologia de etanol de segunda geração (E2G) que tem o potencial de aumentar em aproximadamente 50% a produção atual no Brasil. 

Essa tecnologia também pode ser utilizada com outros tipos de biomassa. 

Acreditamos que esse tipo de solução será um pilar importante da solução global de atendimento a essa demanda crescente.

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Com a expertise que possui em produção e tecnologia de implantação de usinas, qual o papel do setor sucroenergético brasileiro diante desse novo mercado consumidor de etanol?

Francis Vernon Queen – O setor sucroenergético brasileiro tem papel fundamental no aumento da produção de etanol e no suporte a outros países no desenvolvimento de indústria de fabricação. 

É muito importante que consigamos fomentar a produção em outros países para que esse produto seja utilizado de forma mais ampla no mundo.

Muitas das empresas fornecedoras de bens e serviços do Brasil têm 30% de ociosidade, por conta dos anos de crise do setor, e enfrentam problemas financeiros para se readequarem para esse novo mercado. Como resolver isso para que essa indústria de base não perca mercado para a de outros países? 

Francis Vernon Queen – Estamos enxergando um cenário diferente quando olhamos para os anos à frente. O RenovaBio, que foi recém implementado, já mostra o seu potencial de valorizar o etanol e promete uma estabilidade muito maior para o nosso setor.

Com o cenário que vemos pela frente, é fundamental que tenhamos no mercado empresas de bens e serviços no Brasil que estejam estruturadas e possam atender a demanda que teremos.

Na Raízen temos trabalhado muito em parceria com nossos fornecedores para que possamos ajudá-los nessa evolução necessária.

Como estruturar preços e regular oferta e produção em caso de avanço mundial do consumo? É possível tornar o biocombustível em commodity? Se sim, como? 

Francis Vernon Queen – Acreditamos que o mercado deve ser livre e que deve encontrar os seus pontos de equilíbrio.

Para o avanço da adoção do etanol de forma mais abrangente no mundo, cremos que se faz necessária a produção em mais países, aumentando a oferta e alternativas de suprimentos global. Isso seria um importante passo para tornarmos o etanol realmente uma commodity.

Fique à vontade para outros comentários. 

Francis Vernon Queen – Queria reforçar que acreditamos muito no etanol como solução ideal nos aspectos ambientais e econômicos. 

Esse produto é hoje no mundo a melhor solução de deslocamento de combustível fóssil, e estamos observando cada vez mais outros países reconhecendo esse potencial. 

É também uma alternativa valiosa para substituir outras partes da cadeia de derivados de petróleo, como plástico e outros químicos.

Estamos num momento muito positivo no mundo e o Brasil pode ser protagonista em um mundo que necessita de soluções sustentáveis.