Programa Combustível do Futuro_porque ele é vital para o etanol
Foto: Agência Brasil

Por meio do Ministério de Minas e Energia (MME), o governo federal criou em abril o Programa Combustível do Futuro, cuja resolução de instituição foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) (leia mais aqui). 

Em linhas gerais, o Programa prega o uso de fontes alternativas de energia e o fortalecimento do desenvolvimento tecnológico nacional. E objetiva propor medidas para incrementar o uso de combustíveis sustentáveis e de baixa intensidade de carbono.

Além disso, indica também “a aplicação de tecnologia veicular nacional, com biocombustíveis, com vistas a maior descarbonização da nossa matriz de transportes”, como relata o MME. 

O etanol, biodiesel e o biometano como protagonistas do Programa. 

Mas lançamos aqui a pergunta: o setor de biocombustíveis,  que já possui o Programa de Estado RenovaBio, precisa de mais um programa? 

É aí que está uma das características do Combustível do Futuro. Ele terá coordenação interinstitucional e integra políticas públicas relacionadas ao setor automotivo e de combustíveis, como o citado RenovaBio, o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, o Programa de Controle de Emissões Veiculares, o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, o Programa Rota 2030 e o Programa Nacional de Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural

Integram também as diretrizes do Programa a avaliação da eficiência energético-ambiental por meio da análise do ciclo de vida completo do combustível, nos diversos modos de transporte. 

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Diretor do MME destaca detalhes do Programa Combustível do Futuro

Para explicar em detalhes o Combustível do Futuro, portal de conteúdo Energia Que Fala Com Você entrevista Pietro Adamo Sampaio Mendes, diretor de Biocombustíveis do MME e que está à frente do recém-lançado Programa. 

Confira a seguir a entrevista com Pietro Mendes, que será um dos participantes do webinar ‘Como Potencializar o Uso de Bioenergia em Nível Global sem Transformar o Etanol em Commodity?’.

O evento online está programado para o dia 25 deste mês e é realizado pela Fenasucro Trends. Clique aqui para mais informações. 

O etanol ruma para se tornar commodity com a previsão de ganhar consumo gigantesco a partir de sua maior adição à gasolina na China e na Índia. Estima-se uma necessidade adicional de 18 a 20 bilhões de litros por ano. O Brasil é protagonista do etanol, por conta de sua experiência de quase 50 anos. E no fim de abril o governo instituiu o Programa Combustível do Futuro. Como ele pode impactar no etanol e em sua trilha rumo à comoditização?

Pietro Adamo Sampaio Mendes – Os veículos flex, híbridos e a célula de combustível, todos abastecidos com etanol, devem ter espaço no futuro da mobilidade e na redução dos gases do efeito estufa. 

O Programa Combustível do Futuro introduz o conceito de análise de ciclo de vida do poço à roda para avaliação da sustentabilidade da mobilidade e não somente do tanque à roda. 

Ao serem consideradas as emissões também da etapa de geração de energia, tem-se que o veículo flex no Brasil, quando abastecido com etanol hidratado, possui emissões de 37 gCO2eq/km, enquanto que o elétrico europeu possui emissões de 54 gCO2eq/km

Dessa forma, outros países também podem adotar o etanol para promover a descarbonização do setor de transportes, levando à sua comoditização, sem fechar o mercado apenas para uma rota tecnológica.

O Programa contempla a promoção do uso em larga escala do etanol de segunda geração e o incentivo à célula combustível a etanol. Como se dará isso? 

Pietro Adamo Sampaio Mendes – Serão constituídos seis subcomitês. Dentre eles, o subcomitê do ciclo Otto que vai avaliar o estágio atual do etanol de segunda geração e da célula combustível a etanol. 

Este subcomitê proporá medidas para alavancar a produção de etanol 2G, bem como incentivar que operadoras de O&G invistam em temas do Combustível do Futuro, dentre eles pesquisa, desenvolvimento e inovação (P, D & I) na célula de combustível de etanol.

Em sua opinião, os motores a combustão serão substituídos pelos elétricos em uma ou duas décadas? Ou teremos os dois tipos? 

Pietro Adamo Sampaio Mendes – É preciso dar os indicadores corretos para redução das emissões. Tanto as emissões do escapamento quanto da geração de energia devem ser consideradas.

Nesse contexto, não há motivos para banir motores de combustão interna se eles podem contribuir para redução das emissões de gases do efeito estufa, quando olhamos a análise de ciclo de vida completa. 

Nesse contexto, veículos de combustão interna terão espaço e vão conviver com veículos elétricos.