IEA destaca RenovaBio como estrutura mundial de descarbonização

Programa brasileiro de biocombustíveis integra estudo que traz roteiro de práticas para redução de gases de efeito estufa

A Agência Internacional de Energia (IEA) destaca Renovabio, o programa de estado implantado no fim de 2019 com o objetivo de promover a descarbonização pelo maior uso de biocombustíveis, como estrutura mundial de descarbonização. Antes de tudo, o programa faz o Brasil ser destaque mundial em políticas de redução de emissões de gases de efeito estufa, conhecidos pela sigla GEE. 

A referência da IEA foi tirada de seu recente levantamento Net Zero by 2050, que traça um roteiro de práticas de descarbonização para o sistema global de energia até 2050. Clique aqui para acessar o documento original em inglês. 

No estudo, a instituição destaca o RenovaBio entre as “estruturas de sustentabilidade considerando as emissões de GEE do ciclo de vida líquido e outros indicadores de sustentabilidade.”

Além do programa brasileiro, são citados a Diretiva de Energia Renovável II da União Européia e o programa Padrões de Combustível Low – C da Califórnia (EUA). 

Conforme a IEA, existe “consenso global sobre uma estrutura e indicadores de sustentabilidade nos próximos anos

ajudariam a estimular o investimento [de menos emissões de GEE].” E atesta: “isso deve ser uma prioridade.”

“Tal estrutura deve abranger todas as formas de bioenergia (líquida, gasosa e sólida) e outros combustíveis de baixa emissão, e devem esforçar-se para a melhoria contínua do desempenho ambiental”, relata a instituição no que estudo que, segundo ela, “é um dos empreendimentos mais importantes e desafiadores da [sua] história.” 

A IEA foi criada em 1974 e possui atualmente 30 países membros. 

“RenovaBio coloca o Brasil na vanguarda”

O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Evandro Gussi, destaca o estudo da IEA que lista o RenovaBio, e o uso de biocombustíveis, “dentro das medidas necessárias para que as emissões de GEE sejam zeradas até 2050”. 

“Sempre citamos que o RenovaBio é a maior política de descarbonização do mundo e que coloca o Brasil na vanguarda na redução das emissões de gases que agravam o efeito estufa”, relata ele em seu perfil no Linkedin.

“Agora, relatório da IEA aponta o protagonismo do RenovaBio e o uso dos biocombustíveis  dentro das medidas necessárias para que as emissões sejam zeradas até 2050.”

E prossegue: “no estudo, a IEA aponta que até 2030 os caminhos para a redução de emissões vêm de tecnologias já disponíveis, como o etanol e a bioeletricidade.”

“A partir de então, a redução virá de tecnologias que estão em desenvolvimento, como as células combustíveis, caminhões que estão no escopo do RenovaBio, que prevê cada vez mais eficiência.”

Por fim, Gussi relata que “fortalecer o RenovaBio significa fortalecer a mobilidade sustentável brasileira e promover um futuro com mais qualidade de vida aos brasileiros.” 

Mais de 67% das usinas estão certificadas no RenovaBio

Mas por que o RenovaBio é estratégico a ponto de ser destacado no estudo da IEA?

Em primeiro lugar, ele é transparente, com dados abertos no portal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) (saiba mais aqui). 

Na prática, o programa que, como já citado é de Estado e não de governo, prioriza o maior consumo de etanol, biogás, biometano, biodiesel e bioquerosene de aviação graças ao peso deles como redutores das emissões de GEE.

Os participantes do RenovaBio incluem os produtores de biocombustíveis que, uma vez credenciados, emitem créditos de descarbonização (CBios) equivalentes cada um a uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) que deixa de ser lançada. 

De outro lado entram também os distribuidores de combustíveis que são ‘compradores obrigados’ dos CBios para quitar o passivo de emissões gerado com a venda de combustíveis derivados de petróleo. 

As vendas desses créditos são realizadas pela bolsa paulista, a B3 e a aquisição também pode ser feita por empresas com políticas internas de descarbonização.

Leia mais em: O RenovaBio mais forte, apesar de pendências relacionadas à tributação

Para se ter ideia do êxito do RenovaBio junto aos produtores de biocombustíveis, nada menos do que 67,15% deles estão devidamente credenciados. 

Em números, segundo o levantamento mais recente da ANP, são 276 produtoras de etanol, biodiesel e biometano liberadas para emitir CBios de um total de 411 usinas autorizadas a operar. 

Quem está certificado no RenovaBio

IEA destaca RenovaBio como estrutura mundial de descarbonização
Fonte: ANP