Com vendas aquecidas, Sergomel entrega 500 modelos do Rodotrem 11 eixos por ano

Desde 2018, tradicional fornecedora, Sergomel, já vendeu 1,5 mil dos equipamentos, que são preparados para rodar com 91 toneladas

Com vendas aquecidas, Sergomel entrega 500 modelos do Rodotrem 11 eixos por ano
Imagem reprodução de Revista Opiniões

O super rodotrem, nome do semirreboque de 11 eixos, depende de definição de processo judicial para entrar em circulação no mercado canavieiro (leia aqui a respeito). 

Entretanto, muitas usinas já se preparam para utilizar o equipamento de 91 toneladas, que oficializa o transporte de 61,5 mil toneladas de cana-de-açúcar. O modelo atual, de 9 eixos, permite o transporte de 43 toneladas. 

Essas usinas estão aptas porque adquiriram antecipadamente equipamentos preparados para receber o terceiro eixo e, assim, ter o super rodotrem. 

Tradicional fornecedora do setor sucroenergético e expositora da Fenasucro & Agrocana, a Sergomel possui o modelo Rodotrem Sergomel 11 eixos, que faz sucesso de vendas entre as usinas. 

“Desde 2018, entregamos 500 desses equipamentos a cada ano”, afirma Vagner Laércio Gomes, diretor comercial da Sergomel. 

Com a esperada liberação do 11 eixos, a tendência é de uma corrida e, assim, o mercado do equipamento deverá disparar. 

Com sede em Sertãozinho (SP), a Sergomel caminha lado a lado do setor sucroenergético desde 1975, quando o programa Proálcool, que consolidou o álcool combustível, entrou em seu segundo ano de vida. 

Produtividade maior

Com tanta experiência acumulada no setor, a empresa saiu na frente com o Rodotrem Sergomel 11 eixos, que apresenta condições ideais para receber o aumento na capacidade de carga por apresentar uma estrutura mais robusta e ao mesmo tempo leve. 

Com isso, gera maior produtividade e ganho ao frotista, sempre atendendo as normas da legislação sobre os limites máximos de peso por eixo e dimensões existentes no país.  

“Desenvolvemos um produto que reduz a tara [peso do veículo sem sua carga] e, assim, tem a possibilidade de levar mais cana e ter ganho maior quando vier o 11 eixos”, comenta o diretor comercial da Sergomel. 

Em outras palavras, o equipamento conquista o mercado porque reduziu em média 10% da tara, que sai das normais 30 toneladas para 27 toneladas.

“Conseguimos isso usando aço de alta resistência”, destaca Gomes, que é membro do Conselho de Administração da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir)

A Sergomel, entretanto, também tem condições de fabricar o semi-reboque já com o terceiro eixo. 

Por sua vez, o empresário lembra que a maioria das usinas adquire o equipamento preparado para adequação posterior. 

E, para se ter ideia do mercado a ser aberto com a liberação dos 11 eixos, uma usina com moagem de 3 milhões de toneladas de cana por safra emprega 40 caminhões, considerando cinco viagens diárias em transporte líquido de 70 toneladas em 210 dias de ciclo. 

“Estamos prontos para atender ao setor sucroenergético com esse equipamento, como temos feito em nossos 46 anos de história”, comenta Gomes. 

Saiba mais sobre o Rodotrem Sergomel 11 eixos

– Maior capacidade de carga líquida transportada

– Aço de alta resistência, proporcionando assim uma menor tara;

– Patolas hidráulicas: favorecendo o sistema bate-volta;

– Acoplamento com sistema multi-faster: facilidade no engate/desengate do semirreboque;

– Sistema de frenagem com válvulas acopladas junto ao comando push-pull (sistema “enxuto”);

– Estrutura totalmente adequada para inserção do terceiro eixo, porém, para que seja utilizado nas rodovias é necessário a emissão da AET (Autorização especial de trânsito).

Especificações Gerais:

  • Equipamento fabricado com os melhores e mais resistentes materiais que existem no mercado;
  • Parte estrutural projetada em aço de alta resistência, travado com tubos nas laterais.
  • Reforço em chapa nos travamentos e apoio dos mancais, caracterizando um equipamento leve e robusto;
  • Caixa de Carga e rebaixo com estrutura formada por tubos e com fechamento em chapa de alta resistência (estampada). Sendo o rebaixo, arredondado nos cantos, e reforçado na região onde se encontra as correntes;
  • Tombamento da caixa de carga fixada por quatro dobradiças com buchas auto lubrificantes, acionada por sistema hilo;
  • Chassi Central podendo ser rebaixado ou reto, com longarina em forma de I, cinturado em chapa de alta resistência, com travessas de ligação entre as duas longarinas;
  • Toda parte mecânica é composta por peças reforçadas para que o cliente obtenha um menor custo com manutenções;
  • Instalação elétrica em LED, garantindo uma maior durabilidade;
  • Suspensão pneumática ou mecânica com rodado duplo ou single (garantindo um ganho real no peso da composição);
  • Sistema Balancin que promove um ótimo desempenho com baixo custo de manutenção.
  • Sistema de Freio: ABS / Tubeless, sistema “S came” com duas linhas de alimentação, sendo uma de serviço e outra de emergência e spring-brake em um dos eixos, trazendo uma maior segurança ao usuário;
  • Patola com acionamento manual ou pneumático;
  • Rodas: aço ou alumínio (mais leve e resistente);
  • Dolly trucado fixado por mesa giratória (rala);   
  • Cabeçalho estrutura quadrada com ponteira forjado para pino redondo;
  • Pintura em sistema P.U.;
  • Para-lamas metálicos, com lameiros de borracha;
  • Opcionais: sistema de cobertura de carga com lonas, corote de água, caixa de ferramentas, engate, etc. 

Entre março e dezembro, durante a safra de cana-de-açúcar nos estados da região Centro-Sul, é fácil perceber em canaviais a movimentação de extensas carretas anexadas a caminhões. 

O transporte da matéria-prima do etanol ocorre nas 24 horas do dia e as operações de corte e carregamento têm iluminação própria durante a noite, o que chama a atenção de quem dirige por estradas.

Para se ter ideia, cada conjunto desses equipamentos transporta até 43 toneladas. E como as usinas do Centro-Sul têm capacidade para processar 600 milhões de toneladas, são necessários 13,9 milhões de carregamentos e viagens do canavial até a indústria.

É um vai-e-vem que, entre outras situações, gera emissões de gases geradores de efeito estufa, por conta do uso de óleo diesel usado pelos caminhões. 

Trata-se, enfim, de um problema que o setor sucroenergético tenta resolver. E, na verdade, já existe solução para reduzir as emissões de poluentes e agilizar a logística das usinas. Esse remédio atende pelo nome de equipamentos de 11 eixos. 

Ao invés dos 9 eixos de hoje, o rodotrem (como é chamada no meio a combinação de caminhão com reboque) ganha mais 3 e, assim, pode transportar até 61,5 toneladas de cana. 

Em resumo, o 11 eixos pode carregar 18,5 toneladas a mais que o equipamento em uso. Em termos comparativos, o transporte das 600 milhões de toneladas de cana pode ser reduzido em 4 milhões de viagens por conta da possibilidade de maior carga.

Os ganhos ambientais e logísticos são motivos de celebração. 

Rodotrem (como é chamada no meio a combinação de caminhão com reboque) ganha mais 3 e, assim, pode transportar até 61,5 toneladas de cana

De seu lado, a introdução desses equipamentos, apelidados como super rodotrem, está prevista por duas Resoluções de 2016 e de 2017 do Conselho Nacional do Trânsito, o Contran (leia aqui). 

Entretanto, apesar de tudo, o 11 eixos não pode ser colocado em prática.

Por que? 

Devido a processo judicial movido pela Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), que pediu a suspensão das resoluções do Contran. Um dos motivos é que o grande aumento de peso dos veículos, que passam de 74 para 91 toneladas de peso máximo, foi adotado de forma inconsistente.

Diante o processo, o Conselho baixou a resolução 172, em 2018, suspendendo a circulação dos 11 eixos. 

Passados pouco mais de dois anos, o super rodotrem ganha embasamento favorável que pode fazer com que ele volte a ser operado pelas usinas. 

Para entender mais a respeito dessa possibilidade, o portal de notícias Energia Que Fala Com Você entrevista Mário Campos, presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura e da SIAMIG, entidade representativa da indústria sucroenergética de Minas Gerais.

Confira entrevista com Mário Campos, presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura e da SIAMIG

O que é necessário para que os 11 eixos entrem em circulação? 

Mário Campos – A autorização efetiva depende do Contran. Esse Conselho é formado pelos membros dos ministérios e coordenado pelo Denatran, órgão do Ministério de Infraestrutura e presidido pelo ministro Tarcísio Gomes de Freitas.  

Hoje as resoluções de 11 eixos estão suspensas pela Justiça.

Nos últimos anos fizemos estudos adicionais para provar, seja para o Ministério de Infraestrutura, ou para instituições jurídicas, que o equipamento é seguro e tem todas condições de trafegar em condições já previstas pelas resoluções ora suspensas. 

Cabe ao Contran efetivar os equipamentos e que precisarão de autorizações especiais de trânsito, a serem liberadas pelo Dnit, de rodovias federais, e de DERs, de rodovias estaduais e, se houver municipais e o órgão estiver cadastrado, ele também entra.

Tudo isso está previsto nas resoluções suspensas.

A avaliação cabe ao Denatran? 

Mário Campos – Não sabemos como isso será avaliado pelo Denatran. Podemos ter solução jurídica mas certamente tenhamos modificação dos textos das resoluções. Uma delas é a determinação de que equipamentos sejam exclusivos do ramo canavieiro. Os testes de segurança viária e de equipamento foram feitos com cana. 

Além dos ganhos de peso, que outros são oferecidos pelos 11 eixos? 

Mário Campos – Com o 11 eixos, passa-se de 74 para 98 toneladas do chamado Peso Bruto Total Combinado (PBTC), isso no contexto legal do processo, atendendo a legislação de trânsito. 

Trata-se de equipamento com  2 eixos adicionais, de 9 para 11, e que provavelmente exigirá cavalo mecânico (caminhão), que é o trator dos implementados, de maior potência. 

Isso também traz segurança ao processo. Se considerar o aumento de carga, haverá redução e consumo de diesel, ganho ambiental, e maior conformidade à legislação. 

Esse equipamento, com tração maior, permite ganho de performance. 

Há estudos nesse sentido? 

Mário Campos – Sim, há estudos já realizados pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, instituição escolhida pelo Denatran. 

O setor sucroenergético patrocinou esses estudos, diante da falta de recursos do governo, mas porque o setor é interessado, porém a instituição é totalmente isenta. 

Os resultados estão sendo avaliados pelo Denatran para tomada de decisão.

Os equipamentos de 11 eixos irão abrir um potencial mercado?

Mário Campos – Sim. Hoje temos rodotrens de 9 eixos. Será necessário adaptação ou novos conjuntos no semi ou no reboque e a utilização de cavalos de potência superior ao que hoje se usa.

Haverá investimentos fortes nos próximos anos. Muitas empresas compraram equipamentos adaptáveis esperando, sim, 11 eixos para a adaptação. É possível incluir esse terceiro eixo no semi ou no reboque. 

A partir da renovação de frota, uitas empresas já adquiriram cavalos adaptáveis. 

Há oportunidades para empresas de implementos em adaptações, indústria de caminhões. 

Como fazer esses investimentos? 

Mário Campos – Os financiamentos são convencionais. Preocupa um pouco o processo inflacionário, com pneu e preço de aço subindo, mas é algo que faremos nos próximos anos. Não virá de uma vez, mas gradativamente. Adaptação de eixos é uma realidade não para todos, mas que permitirá aumento da carga e a conformidade à questão legal.