Brasil se prepara para ofertar 150 milhões de litros anuais de etanol 2G – e a maioria já está vendida

Oferta em escala do disputado biocombustível está prevista em 2023, com a segunda planta industrial da Raízen

Brasil se prepara para ofertar 150 milhões de litros anuais de etanol 2G - e a maioria já está vendida
Imagem por Canva

O setor sucroenergético brasileiro se prepara para dar um novo salto com a oferta em escala de etanol celulósico (etanol 2G). 

Esse salto deverá ser confirmado a partir de 2023, quando a Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, deverá inaugurar unidade produtora de etanol celulósico, ou de segunda geração (E2G). 

Conforme anúncio da empresa (leia aqui), a futura unidade terá capacidade instalada para produzir 82 milhões de litros por ano e será integrada ao parque de bioenergia Bonfim, localizado em Guariba, no interior paulista. 

Esta será a segunda planta E2G da Raízen. A primeira funciona junto à unidade Costa Pinto, em Piracicaba (SP), com capacidade instalada de 41 milhões de litros por ano. 

Com as duas unidades, a Raízen terá capacidade para produzir 120 milhões de litros de E2G por ano. 

Vale destacar que a pioneira em produção de etanol celulósico no Brasil é a GranBio, controlada pela GranBio Investimentos S. A. (confira aqui mais informações sobre a empresa).

Localizada no parque industrial da Usina Caeté, em São Miguel dos Campos, em Alagoas (AL), a planta, inaugurada em 2014, é a primeira do Hemisfério Sul dedicada ao celulósico, fruto de investimentos de US$ 220 milhões. Capacidade de produção: 30 milhões de litros por ano. 

Com isso, vem a explicação do primeiro parágrafo sobre a projeção de oferta em escala. É que com esses 30 milhões de litros, o Brasil terá como ofertar 150 milhões de litros de etanol E2G por ano já em 2023. 

Tem mais: toda essa oferta já terá comprador garantido. A GranBio destaca que 100% de seu biocombustível é hoje exportado aos mercados americano e europeu. 

De seu lado, a Raízen explica que 91% do volume da nova planta já estão comercializados em contrato de longo prazo com um player global de energia. 

Bom para as empresas e para o setor sucroenergético brasileiro, que novamente é destaque mundial em biocombustíveis. 

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Por que o Etanol 2G é tão disputado?

Mas por que há tanto interesse mundial pelo etanol celulósico? E o que é mesmo esse biocombustível? 

Vamos lá. 

Na realidade, a disputa pelo E2G é explicada pela sua própria estrutura. 

Segundo relata a Raízen, esse biocombustível avançado apresenta um índice de 30% menor de emissão de gases do efeito estufa, se comparado ao etanol de primeira geração (E1G), este que é adicionado à gasolina na proporção de 27% (anidro) ou que movimenta os motores flex (hidratado). 

Só esse ganho ambiental já explica o interesse do mercado internacional pelo E2G. Mas tem mais: a joint venture relata que ele possui certificação pelos rigorosos padrões de sustentabilidade de Bonsucro e ISCC

Ainda segundo a Raízen, o E2G se diferencia por utilizar o bagaço proveniente da produção do açúcar e etanol comum para a produção de mais etanol. E esse reaproveitamento proporciona um aumento em até 50% na produção sem aumento da área plantada. 

Em reforço às explicações, a GranBio destaca que o etanol de primeira e o de segunda geração têm a mesma composição físico-química. 

A diferença está na matéria-prima e no processo de produção. É assim: o etanol tradicional é produzido a partir do caldo ou melaço da cana-de-açúcar. Já o Etanol 2G é feito a partir de açúcares extraídos da celuloses da planta, presentes na palha e no bagaço de cana. 

Conforme relata a GranBio, o etanol de segunda geração é o combustível produzido em escala comercial mais limpo do mundo em intensidade de carbono – 7,55 gramas de CO2 por megajoule (gCO2/MJ), índice comprovado pelo Air Resources Board (ARB), da Califórnia. 

Esse cálculo leva em conta as emissões de CO2 desde a coleta da matéria-prima, passando pelos insumos e consumo de energia, até o transporte e distribuição em porto na Califórnia. 

Como lembra a Granbio, nenhum outro combustível produzido em larga escala é mais vantajoso para o meio ambiente e para reversão das mudanças climáticas que o 2G.