Produtores de biocombustíveis avançam no mercado de títulos verdes

Companhias como FS, Bioenergética Aroeira e Tereos captaram US$ 732 milhões junto a instituições nacionais e estrangeiras.

Cresce o uso de títulos verdes para financiamento de projetos, ativos e atividades de agricultura sustentável no Brasil, entre eles os de biocombustíveis.

A título de informação, as emissões desses títulos acumulam US$ 9 bilhões e representam 84% do mercado de dívida sustentável brasileira. Em segundo, com 15% do volume total, vêm os títulos sustentáveis, com US$ 1,6 bilhão.

Os valores integram o relatório Análise do Mercado de Financiamento Sustentável da Agricultura no Brasil, da Climate Bonds Initiative (CBI), com dados emitidos entre 2015 e até fevereiro último. Clique aqui para acessar o documento.

Antes de avançar sobre a participação dos biocombustíveis nesse estudo, relatamos, em resumo, o que vem a ser os títulos verdes.

Criados em 2015, eles reúnem produtos financeiros oferecidos por instituições financeiras e têm rótulos diversos, tais como títulos, sociais, sustentáveis, de transição e vinculados à sustentabilidade.

Vale destacar, sobretudo, que o foco dessas oportunidades oferecidas por bancos é abater a chamada dívida sustentável. E isso acontece por meio de títulos Certificados de Recebimento do Agronegócio (CRAs).

É bom lembrar que novos produtos surgem conforme os bancos reformulam seus portfólios de empréstimos agrícolas sustentáveis.

Pois bem. Esses títulos chegaram de vez ao mercado há dois anos por meio de bancos nacionais e estrangeiros, assim como instituições de controle público como o BNDES.

E, conforme a CBI, as empresas de papel e celulose lideram as emissões desses títulos, embora o segundo lugar seja da categoria de uso da terra.

E, nesse sentido, onde é que entram os biocombustíveis?

Eles integram as energias renováveis e já respondem por 45% do mercado de títulos verdes.

Energia renovável no mapa dos títulos verdes:

Energia renovável no mapa dos títulos verdes

Quem lidera no mercado entre os produtores de biocombustíveis

Antes de seguir adiante, vale mencionar que, embora as transações domésticas e em moeda local prevaleçam, as emissões em dólares americanos também são populares.

Em síntese, a maioria das emissões verdes do Brasil (76%) foram domésticas, e as restantes (24%), internacionais.

As empresas de biocombustíveis captaram até fevereiro US$ 832 milhões em sete títulos diferentes. O maior emissor é a FS Bioenergia, produtora de etanol de milho com unidades no Mato Grosso, com três emissões.

Ela lançou o primeiro título de bioenergia, que chegou ao mercado em fevereiro de 2020. Trata-se de um CRA no valor de US$ 39 milhões.

Depois, ela também lançou um título de US$ 550 milhões em dezembro desse mesmo ano. O terceiro título foi em janeiro deste 2021, no valor de US$ 50 milhões.

Assim como a FS, a Bioenergética Aroeira, com unidade produtora de etanol em Minas Gerais, estreou no mercado com a emissão de CRA em 2020. É que em dezembro ela lançou CRA no valor de US$ 29 milhões.

Já no segmento de títulos vinculados à sustentabilidade, o relatório da CBI lista duas companhias sucroenergéticas. Entra aí a já citada FS, desta vez com US$ 59 milhões.

Também entra aí a Tereos, com sete unidades sucroenergética no interior paulista, com empréstimo de US$ 105 milhões.

E qual é a tendência desse mercado para os biocombustíveis?

Em seu relatório, a CDI destaca que os “recursos também têm sido usados para o processamento e industrialização de matérias-primas, ou para cobrir despesas operacionais, como custos com plantio, biomassa e outros produtos agrícolas.”

Mais: os indicadores definidos para os instrumentos financeiros vinculados à sustentabilidade ligados à bioenergia – principalmente SLLs – têm como foco a redução das emissões de gases de efeito estufa e do consumo de água; o aumento da cana certificada; a ampliação da transparência; e a redução da pegada de carbono.

Enfim, a instituição destaca que “há uma expectativa de que as emissões de bioenergia (com diferentes rótulos e por meio de diferentes mecanismos) aumentem no Brasil nos próximos anos devido à liderança do país como grande produtor e exportador de biocombustíveis.”

E encerra afirmando que há grandes oportunidades de investimento na produção de matérias-primas e na expansão de unidades novas e existentes.

O potencial desse setor é de US$ 30,6 bilhões, relata a CBI com base na publicação “Destravando o Potencial de Investimentos Verdes para Agricultura no Brasil” (leia mais aqui).

Com isso, a produção de bioenergia confirma sua importância estratégica para o Brasil. Até porque, como descreve em seu relatório, a CBI lembra que “embora a eletrificação seja considerada a solução mais eficaz pelos mercados europeu e norte-americano,  projeções indicam que a penetração significativa de veículos elétricos leves no Brasil só começará em 2035.”

E isso, prossegue, “destaca a importância dos biocombustíveis para a descarbonização dos transportes, considerando que 78% dos veículos leves no Brasil são flex fuel, e que esse número deve atingir 90% até 2030.