Eletromobilidade é estratégica em várias frentes. Saiba aqui como o Brasil está se preparando para ela

As avaliações são de executivos de gigantes como Bosch, Siemens, Hitachi ABB, Moura, BYD e WEG, participantes de showcase da FIEE AbineeTec Digital Week.

Eletromobilidade. Como o Brasil se prepara para aderir de vez a esse tema que, em resumo, significa eletrificar carros, ônibus e demais veículos?

Sob o mesmo ponto de vista, quais os desafios. Além disso, como eles são enfrentados?

Afinal de contas, sabemos que muitos países, caso da Alemanha, já anunciaram a aposentadoria dos motores a combustão (diesel e a gasolina) nos próximos dois a três anos.

Sim, estamos em uma corrida contra o tempo até porque a descarbonização (reduzir a zero as emissões de gases geradores de efeito estufa, os GEEs) entrou no radar mundial. Com um detalhe: é tudo para ontem.

Foi no fim de 2015, no chamado Acordo de Paris, que quase 200 países se comprometeram em reduzir os GEEs, causadores do aquecimento global.

Uma das armas contra os gases é a eletromobilidade, já que ela zera as emissões enquanto roda os motores dos veículos.

Pois bem. Para a implantação de políticas de descarbonização, surgem  legislações específicas que, por exemplo, incentivam a eletromobilidade como ferramenta. E como já escrito aqui, o tema não diz respeito apenas à eletrificação de veículos mas, por exemplo, às smart cities (cidades inteligentes).

Dito isso tudo, vem a pergunta do começo deste texto: como o Brasil se prepara em ritmo que precisa ser acelerado?

A resposta – com direito a muitas avaliações de quem domina o assunto – é de executivos de algumas das principais fornecedoras ( stakeholders) da cadeia de eletromobilidade.

Esses experts senhores participaram em 20 de julho do showcase “Eletromobilidade – O Futuro dos Veículos”

O conteúdo faz parte da programação do FIEE AbineeTEC Digital Week 2021.

 júlio omori
Omori, mediador do evento online com “seis grandes nomes do cenário nacional”

Energia Que Fala Com Você apresenta a seguir um resumo da participação de cada um dos executivos participantes do evento, mediado por Júlio Shigeaki Omori, superintendente de Smart Grid e Projetos Especiais da Companhia Paranaense de Energia, (Copel).

“Estamos com seis grandes nomes do cenário nacional”, destacou Omori, lembrando que todos têm “atuação diretamente voltada aos veículos e a soluções tecnológicas.”

adalberto maluf
Adalberto Maluf: “Brasil tem liderança importante no setor”

Adalberto Maluf, diretor de Marketing, Sustentabilidade e Novos Negócios da BYD Energy, lembra que a crise atual – que vai da pandemia à falta de chips – “pode ser uma oportunidade.”

“O Brasil tem liderança importante”, lembra.

Também presidente da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), Maluf é entusiasta da eletromobilidade. Destaca que, na mobilidade urbana, haverá a integração do veículo à casa, quando, por exemplo, frotas poderão ser carregadas durante a noite.

Alexandre Sakai
Sakai, da Siemens: “rota tecnológica tem histórico no Brasil”

Alexandre Sakai: desde 2006 a Siemens tem cases de eletromobilidade

Gerente de Desenvolvimento Automotivo e Eletromobilidade da Siemens, Alexandre Sakai atesta que a eletrificação “já é rota tecnológica no Brasil com certa velocidade e também é rota escolhida pelos stakeholders deste ecossistema.”

Como exemplos, cita players nacionais que desenvolvem veículos localmente e cita o caminhão elétrico da ‘família’ E-Delivery recém-lançado pela Volks.

O executivo lembra, também, que desde 2006 a Siemens tem cases de eletromobilidade. Naquele ano, emenda, houve projeto com veículo a célula de combustível por hidrogênio com participação da empresa.

Em síntese, ele destaca que há muito o que se fazer no Brasil, “mas não saímos do 0, porque temos históricos, avanços, e essa rota é uma realidade no país.”

Alexandre Uchimura: “Investimento forte em P&D”

Alexandre Uchimura fala sobre eletromobilidade
Uchimura, da Robert Bosch: “importa é reduzir a emissão de GEEs”

Alexandre Uchimura, gerente de Novos Negócios em Eletromobilidade da Robert Bosch, bate na tecla de que é preciso haver uma adaptação para a eletrificação, que já integra 2,5 milhões de veículos no mundo.

“O desenvolvimento da eletrificação precisa ser forte, mas não pode ser individualizado, devido ao custo”, diz. “Daí investimos forte em P&D para haver produto padronizado a ser adquirido.”

Ele lembra incentivos já criados em diversos países que aceleram a eletrificação veicular para mitigar os GEEs.

Em sua opinião, as tecnologias irão coexistir, caso dos biocombustíveis e e-cel (recarga sem fio). “Independente se um é melhor que o outro, importa é reduzir os GEEs.”

Fernando Pontual Castelão: “tropicalizar as baterias de lítio”

Fernando Pontual fala sobre eletromobilidade
Castelão, do Grupo Moura: “57% dos veículos serão elétricos em 2040”

Fernando Pontual Castelão, diretor geral da Divisão de Lítio do Grupo Moura, atesta que a eletrificação veicular veio para ficar. “Mais de 57% dos veículos serão elétricos em 2040”, comenta, lembrando que os custos das baterias caíram nos últimos dez anos.

As baterias de lítio, por exemplo, são altamente demandadas na China, EUA e Europa, responsáveis por mais de 70% da procura. “Ele é elemento super-reativo, bom condutor de energia e hoje a maior produção fica na Austrália”.

Segundo ele, a principal rota hoje é a China, mas a Moura investe para trazer o ecossistema de lítio ao Brasil, “tropicalizando soluções com equipe de engenharia, assistência técnica, garantia e reciclagem.”

Henrique Gross: “Players precisam trabalhar de forma integrada”

Henrique Gross
Gross, da Hitachi ABB: “é preciso integração”

A eletromobilidade é fundamental, assim como é fundamental aplicar esse recurso. “A iniciativa de troca de matriz energética demanda investimento e hoje não existe espaço, por exemplo, para aumentar a tarifa de ônibus para justificar a eletrificação desse veículo”, diz Henrique Gross, gerente de vendas Segmento de Transporte América Latina da Hitachi ABB Power Grids.

Para ele, no conceito de otimização todos os players (sejam fabricantes, empresas de engenharia, órgãos de fomento e financiamento) “precisam trabalhar de forma integrada para que o processo se dê de forma mais rápida possível.”

Valter Luiz Knihs: “eletrificação foi possibilitada desde 1.801”

Valter Luiz: “eletrificação foi possibilitada desde 1.801”
Knihs, da WEG: empresa está mais do que posicionada para a eletromobilidade

Valter Luiz Knihs, diretor de Sistemas Industriais e Mobilidade Eletrônica da WEG, lembra que desde 1.801, com a criação da pilha, a eletrificação começou a ser possibilitada.

Mais de 200 anos depois, diz, a WEG se posiciona da geração ao consumo, além da infraestrutura, estando em todo deslocamento energético.

Assim, ele destaca que a empresa está mais do que posicionada para a  eletromobilidade. “Somos uma multinacional brasileira com presença robusta nos continentes e com média de 70 mil motores produzidos por dia”, afirma.