Sim, o setor sucroenergético tem sinergias logísticas com o varejo. Saiba quais são elas

Quem explica é Roberto Lellis de Souza Júnior, gerente comercial corporativo da Telog.

O ano de 2020 e este primeiro semestre de 2021 desafiaram e seguem desafiadores por conta da pandemia de Covid-19. Por isso, o setor sucroenergético precisou se adaptar em gestões para a entressafra e, posteriormente, para a safra. Afinal, o setor integra o agronegócio, que não parou durante a pandemia e até sustentou o crescimento do PIB do país. 

Sim, o setor sucroenergético tem sinergias logísticas com o varejo. Saiba quais são elas
Créditos da foto: Apta

Ademais, assim como as empresas sucroenergéticas, setores como o de varejo também enfrentou revezes e criou soluções principalmente em logística.

Sem dúvida, existe aí um saldo positivo: usinas e varejo têm sinergias logísticas, embora o setor de bioenergia tenha GAPs a vencer.

Com o intuito de avaliar a situação, Energia Que Fala Com Você entrevista Roberto Lellis de Souza Júnior, assessor corporativo da Telog Logística.

A empresa é especializada em soluções integradas, cuja lista de clientes do segmento sucroenergético inclui players como São Martinho, Tereos, Pedra Agroindustrial, Cofco Intl, entre outros.

Confira nossa entrevista com o executivo da Telog:

A princípio, quais são as lições que o setor de bioenergia pode aprender com o setor de varejo a respeito de logística? E, além disso, quais são as sinergias?

Roberto Lellis de Souza Júnior – São muitas as lições e novas experiências vividas neste ano de 2020 e 2021. Houve cenários até então não imaginados e quase impossíveis de serem previstos.

Previsão e planejamento são os alicerces da logística e foram extremamente desafiados neste último período, desde o primeiro mês das medidas de isolamento social, sofrendo diretamente os impactos da suspensão das atividades do comércio em geral.

Em resumo, infelizmente, o impacto negativo foi evidente nesse período.

Roberto Lellis de Souza Júnior – Mesmo alguns setores como supermercados, farmácias, açougues e alguns serviços classificados como essenciais formam um cinturão econômico resiliente, as vendas de eletrônicos e outros bens de consumo duráveis desabaram, seguido pela queda de produção industrial percebida de forma global.

Neste período, o setor de varejo teve que buscar uma reinvenção no modelo de vender e entregar seus produtos. Assim, de forma muito ágil, o varejo digitalizou suas vendas, necessitando assim organizar seus estoques, sistemas de gerenciamento tais como WMS e TMS.

Só para ilustrar, é o caso das vendas online?

Roberto Lellis de Souza Júnior – A venda pelo modelo e-commerce começa a fazer parte do novo normal, e setores do varejo reagem com as vendas online durante a pandemia, demandando novos esforços e adaptações logísticas entre as grandes varejistas e as empresas transportadoras.

Cite algumas.

Roberto Lellis de Souza Júnior – As principais ações que elevaram a logística do setor varejista:

    •Aprimoramento dos serviços de entregas, principalmente com utilização de ferramentas de rastreios.

    •O cadastro dos produtos, embalagens e um eficiente endereçamento.

    •Administração dos processos fiscais em link com os processos de geração dos pedidos até a emissão dos documentos de transporte. 

    •As transportadoras se especializaram em entregas de cargas fracionadas individuais.

    •Investimentos em centros de distribuição regionalizados, funcionando como condomínios logísticos otimizados e compartilhados entre várias empresas, com um único operador logístico permitindo 24 horas de operação. 

    •Novas formas de entrega e ou retiradas de mercadorias com maior flexibilidade, de serviços como as entregas por aplicativos, contração de TAC – Transportador Autônomo de Cargas.

Nesse sentido, são opções principalmente utilizadas para “last mile” como é conhecida a última etapa da entrega, onde a relevância da capilaridade é de suma importância.

E sobre as sinergias com o setor sucroenergético, quais são elas?

Roberto Lellis de Souza Júnior – As sinergias com o setor sucroenergético:

    •Aprimoramento dos sistemas de entrega e rastreio e monitoramento de todas as etapas do e-tracking.

    •Melhoria nos processos de cadastros dos produtos, embalagens e endereçamentos.

    •O link dos processos fiscais com geração dos pedidos e emissão dos documentos fiscais.

E quanto aos fornecedores do setor sucroenergético?

Roberto Lellis de Souza Júnior – No setor sucroenergético hoje temos uma grande pulverização de fornecedores, que têm pela frente empregar vantagens como, por exemplo, alocar seus estoques em CD’S regionalizados, compartilhando e otimizando as operações de (Armazenagem, Endereçamento e Expedição).

Por outro lado, quais os GAPs e o que é feito para tentar corrigi-los?

Roberto Lellis de Souza Júnior – Entre as maiores preocupações das empresas do setor sucroenergético, após a crise inicial do Covid-19,estão muito voltadas ao gerenciamento da cadeia de suprimentos.

Isso porque ainda não puderam assertivamente ter as dimensões exatas dos impactos gerados para a cadeia de suprimentos, que congelaram seus investimentos em supply chain. Assim, necessitam agora redimensionar seus estoques, em adequação com o fluxo de caixa e nível de produção e venda do produto acabado. 

Que ações o varejo ‘passou’ para o setor sucroenergético?

Roberto Lellis de Souza Júnior – Entre as ações adaptadas do varejo para o setor sucroenergético estão:

    •Saneamento de cadastros, para maior assertividade dos pedidos, de reposição automáticas.

    •Ajuste dos processos fiscais em link com a geração dos pedidos, em congruência com a emissão dos documentos de transporte.

    •Regionalização dos fornecedores que tem como principais vantagens, a melhora do “lead time” com a redução dos tempos de coleta e o “transit time”. Aqui, é preciso observar que está em curso está uma das principais ações para redução do custo de transporte agregados ao produto, possibilitando a diminuição dos estoques com um melhor “lead time”. 

    •Estabelecer uma política de contratação de transporte, onde possa possibilitar ao comprador uma gestão interligada, com o controle logístico de todas as etapas do e-tracking e visibilidade antecipada do custo de frete, sendo hoje para criar um ambiente de segurança logística, o modelo mais utilizado o (FOB – Free On Board). Neste caso, a responsabilidade do embarcador termina no despacho das mercadorias.

Além disso, o que mais acrescentar a respeito do setor sucroenergético?

Roberto Lellis de Souza Júnior – As ações e processos descritos acima proporcionam para as empresas do setor sucroenergético, a melhoria de vários GAPs que fazem parte do cotidiano de várias empresas. Exemplos:

    •Problemas de cadastros causando muitos problemas de recusa e devoluções de entregas de pedidos, que além do custo de transporte, causam insegurança logística pelos atrasos.

    •Falta de visibilidade do e-tracking pela variação da estratégia de modal, da contratação do transporte alternando entre as opções (CIF e FOB), prejudicando a gestão também da medição do “lead time”.

    •Alto custo logístico e transporte, devido a pulverização de fornecedores sem uma estratégia de regionalização.

Por fim, quais são suas considerações finais?

Roberto Lellis de Souza Júnior – Ainda estamos atravessando uma mudança na consciência coletiva, trazendo uma nova visão do todo. Essas questões devem ter impacto também nas corporações, na economia, e consequentemente no mundo da logística.

O maior exemplo do varejo foi:

  • inovação;
  • otimização;
  • compartilhamento;
  • contratação de empresas operadores logísticos, com soluções tecnológicas, conhecimentos e performando pelos melhores resultados, focando seus esforços no processo de vendas digital “online”.

O futuro próximo vai passar pela percepção de grandes empresas fornecedores do mercado sucroenergético, na melhoria de gestão dos seus estoques, com a unificação em grandes Centros de Distribuições regionalizados, distribuídos próximos aos seus clientes, diminuído os custos de transporte e “lead time”, com maior visibilidade e segurança logística, terceirizando sua logística para empresas especializadas.