Fórmula 1 adota o etanol em sua meta de zerar a pegada de carbono

Biocombustível será adicionado em 10% nos carros da mais importante modalidade mundial de automobilismo.

Fórmula 1 adota o etanol em sua meta de zerar a pegada de carbono
Crédito da imagem: FIA

Etanol chega às pistas da Fórmula-1! Em 2022, os carros da mais importante modalidade mundial de automobilismo rodarão com a mistura denominada E10 (90% de gasolina e 10% do biocombustível). 

Anunciada no último dia 15 de julho (leia aqui), a novidade atende ao compromisso da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) de obter pegada de carbono líquida zero até 2030 (aqui você lê mais a respeito no site da entidade).

Embora faça uso de motores híbridos desde 2014, quem domina nos motores da F1 é a gasolina. E enquanto busca tecnologias, a FIA elegeu o biocombustível como estratégico em seu projeto de sustentabilidade. 

Resultados mundiais do etanol

A novidade veio em uma hora em que o etanol colhe resultados mundiais de sua importância pela descarbonização. 

Os exemplos ambientais em favor do etanol são vários. Dois deles:  enquanto está na fase crescimento, a cana-de-açúcar captura dióxido de carbono (CO2). Exemplo dois: o etanol produz baixa emissão do mesmo CO2 (ante a gasolina) com o motor flex em funcionamento (saiba aqui mais a respeito). 

Não é a toa que as externalidades ambientais positivas do etanol. Aliás, dos demais biocombustíveis também, como biodiesel, biogás, biometano e bioquerosene de aviação. Os biocombustíveis serviram de base para a criação do programa de Estado Renovabio. O programa tem existe com o intuito de incentivar o uso dos renováveis para reduzir as emissões de CO2, um dos principais gases geradoras de efeito estufa, os GEEs. 

Só para ilustrar, Francis Queen, VP de Etanol, Açúcar e Bioenergia da Raízen, destacou ao Energia Que Fala Com Você que o setor sucroenergético brasileiro deve se preparar porque participará de um “gigantesco mercado que se abre”. 

“O desafio será muito grande, uma vez que observamos não só o aumento da demanda global para adição do etanol à gasolina, mas também observamos uma demanda crescente para uso do etanol para outros fins, como plástico verde e outros”, disse ele. 

Dito e feito.

A adesão da F1 ao etanol atesta essa crescente demanda pelo biocombustível

Mas tem aí outra novidade. No texto que destaca o E10, Greg Stuart, do staff da FIA, informa que “o etanol deve ser um biocombustível de segunda geração feito de forma sustentável. O que significa que terá uma pegada de carbono quase zero.”

Também chamado de celulósico e 2G, enquanto o etanol convencional é o 1G, o de segunda geração já é ofertado por duas plantas industriais no Brasil:

  • uma da Raízen em Piracicaba (SP)
  • outra da Granbio. 

Além disso,: a Raízen anunciou em junho que produzirá 2G em outra usina, a Bonfim, de Guariba (SP). Se tudo for conforme o planejado, em 2023 o setor terá uma capacidade instalada de 150 milhões de litros desse etanol. Leia aqui mais a respeito. 

Não é possível dizer hoje quanto do 2G brasileiro irá para os tanques dos carros de F1. 

Mas seja o volume que for, fará toda a diferença na briga para reduzir emissões de GEEs. Mesmo porque um carro desses queima cerca de 3,6 mil litros de gasolina num único fim de semana, relata a Época Negócios

As repercussões de quem entende do assunto

Presidente e CEO da Volkswagen América Latina, Pablo Di é entusiasta de longa data do etanol (leia aqui entrevista que fizemos com ele). 

Ele demonstra o mesmo entusiasmo com a notícia de emprego do biocombustível pela F1 em 2022. 

“A F1 será mais rápida em 2022, e também mais sustentável”, resume Di no Linkedin. 

Confira seu relato: “A Fórmula 1 é reconhecidamente um laboratório importante, desenvolvendo novas tecnologias que são introduzidas posteriormente nos carros de rua, com a capacidade de produzir um motor que combine tecnologia híbrida e combustíveis sustentáveis.”

“Esse é mais um exemplo de que o etanol é uma tecnologia que pode ajudar na transição para um futuro com baixa pegada de carbono”, emenda. 

E revela: “Na Volkswagen América Latina estamos trabalhando no mesmo caminho, apostando no desenvolvimento de soluções tecnológicas baseadas em etanol e outros biocombustíveis para mercados emergentes, que utilizam energia limpa, como uma estratégia complementar aos veículos elétricos e híbridos.”

Iniciativa fortalece motores híbridos

Na mesma linha, em seu perfil no Linkedin, o doutorando em Bioenergia e especialista em petróleo, gás e energia Marcelo Gauto destaca que a novidade é  “uma excelente notícia para a bioenergia, pois a F1 é um grande laboratório de desenvolvimento de motores, cujas tecnologias são depois utilizadas nos carros que usamos no dia a dia.”

Em síntese, ele atesta que com a iniciativa “o desenvolvimento de motores híbridos será fortalecido.”