Vêm aí as normas brasileiras para a Indústria 4.0

Comissão recém-criada reúne especialistas, está sob responsabilidade da ABNT e tem apoio formal de entidades como a Abinee

Vêm aí as normas brasileiras para a Indústria 4.0
Foto: Christopher Burns (Unsplash)

Foi dada a largada para a implementação das normas brasileiras para a Indústria 4.0. E começou no fim de julho, com a criação de comissão focada no tema pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Aliás, está sob sua responsabilidade implantar as normas, afinal, cabe a essa entidade privada e sem fins lucrativos a normalização técnica no Brasil.

No caso, a ABNT está na empreitada 4.0 com a participação de instituições públicas governamentais e de entidades de classe. Entre os parceiros está a Câmara Brasileira da Indústria 4.0, que concentra trabalhos de setores tão ansiosos pelas normas como o elétrico e o eletrônico.

Por isso, além da Câmara, coordenada pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e Ministério da Economia, estão entre os apoiadores formais a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do Complexo Eletroeletrônico e da Tecnologia da Inovação (IPD Eletron) e o Comitê Brasileiro de Eletricidade, Eletrônica, Iluminação e Telecomunicações (Cobei).

Mas de que tratará mesmo a Comissão da ABNT, a 254ª criada no universo da Associação?

Em síntese, entram no escopo da iniciativa as discussões sobre a normalização no campo da Indústria 4.0 visando o fortalecimento do processo de transformação digital da indústria brasileira. Além disso, compreende a aplicação das tecnologias vinculadas à Indústria 4.0.

Para isso, será de fundamental importância a colaboração de especialistas de empresas e de institutos de pesquisas nos trabalhos técnicos alinhados com as normas e práticas internacionais ISO e IEC (leia aqui sobre elas). Isso tudo virá como apoio às ações de fortalecimento da indústria elétrica e eletrônica brasileira.

E o como fica o cronograma da Comissão?

Os participantes tiveram até 23 de julho último para se inscreverem de forma gratuita e voluntária. Conforme destaca a Câmara Brasileira da Indústria 4.0, o trabalho estabelecerá estrutura para o desenvolvimento de normas brasileiras para o tema. E está em plena execução.

Leia também:

‘Mapa’ quer conectar Brasil à discussão internacional

Em maio de 2020, a Câmara Brasileira da Indústria 4.0 apresentou roadmap sobre normalização da Indústria 4.0 (clique aqui para acessá-lo em pdf).

Energia Que Fala Com Você destaca a seguir alguns temas desse mapa criado para apresentar proposta de trabalho e que pode ajudar a construir as normas.

1 – Conectar o setor produtivo brasileiro, por meio da Câmara da Indústria 4.0, à discussão internacional sobre os principais padrões de interoperabilidade (capacidade de um sistema de se comunicar de forma transparente com outro sistema).

2 – Mapear demandas de padronização com base em um entendimento comum sobre o conceito de Indústria 4.0.

3 – Comunicar normas internacionais existentes e manuais de boas-práticas de referência aos usuários nacionais.

4 – Recomendar ações ao Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (SINMETRO), visando a conciliação entre necessidade de aderir a padrões de interoperabilidade e interesses da sociedade brasileira.

Ganhos estratégicos

Conforme o roadmap, existem objetivos estratégicos. Exemplos:

  • Ganhos de competitividade para a indústria brasileira;
  • Com fomento às soluções em Indústria 4.0 (I 4.0), podemos passar de importador para polo exportador de tecnologia;
  • Capacitação de profissionais habilitados em tecnologias I 4.0;
  • Fortalecimento das micro, pequenas e médias indústrias com programas de disseminação e transformação digital I 4.0;
  • Aumento da quantidade de empregos de maior valor agregado, voltados para tecnologias de I 4.0;
  • Estímulo à participação na normalização internacional para acompanhar e influenciar os padrões técnicos e estratégicos globais.