Montadoras elegem o etanol como fonte para a tecnologia de motores elétricos

Nissan, Toyota e Volks querem o biocombustível, na forma de célula a combustível, para carregar os motores híbridos dos veículos.

Montadoras elegem o etanol como fonte para a tecnologia de motores elétricos
Crédito da imagem: Apex

Etanol é a aposta de montadoras para a eletrificação de motores no Brasil. No caso, o biocombustível será matéria-prima em tecnologias de motores híbridos. Em outras palavras, que rodem com eletricidade e célula de combustível a etanol.

Como assim? Entender o funcionamento dessa tecnologia dá um nó na cabeça para quem conhece pouco – ou nada – de química.

Mas, de forma bem resumida, funciona assim: as células a combustível são dispositivos eficientes para a conversão eletroquímica de um combustível em energia elétrica, podendo substituir alguns dos geradores convencionais.

Pois bem. Entre as matérias-primas dessa tecnologia estão hidrogênio, gás natural e o bioetanol, ou etanol, como é mais conhecido entre nós. (saiba mais a respeito aqui).

Agora vamos lá: as montadoras Nissan e Toyota já se decidiram pelo etanol como fonte dos seus futuros motores híbridos.

A Volks, que segue busca semelhante, também deve recorrer ao biocombustível, uma vez que seu presidente na América, Pablo Di Si, é entusiasta de mão cheia do etanol (leia aqui entrevista dele ao Energia Que Fala Com Você).

O emprego do combustível da cana-de-açúcar e do milho para rodar motores elétricos também está no radar de outras montadoras.

Isso porque o etanol faz do Brasil um verdadeiro céu de brigadeiro para essa tecnologia em fase de desenvolvimento. Em primeiro lugar, porque as quase 400 usinas têm condições de fabricar 35 bilhões de litros por ano.

Fora isso, existem pelo menos 40 mil postos de serviços espalhados pelo território nacional e a maioria deles possui bombas de etanol. 

De mão dadas com as instituições

Aqui vale um parêntese: a busca da tecnologia de célula a combustível a etanol integra iniciativa privada e instituições científicas.

A Nissan, por exemplo, segue firme na parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), autarquia vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do governo estadual paulista e gerida pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), do Ministério Da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). Aliás, a parceria acaba de ser renovada (leia aqui a respeito).

Já na entrevista que concedeu ao Energia Que Fala Com Você, o CEO da Volkswagen foi enfático ao destacar que “esse negócio de que a indústria automobilística fazia sozinha os estudos, capacitava, isso já morreu. Hoje a indústria é complementar.”

Em outras palavras, Pablo Di Si diz que a busca deve ser de forma transversal, incluir a indústria, universidade, o governo, e gerar políticas públicas com foco em toda a cadeia.

“Temos que pensar no etanol, na célula de combustível. Ela pode ser transportada em contêiner e exportada para a Europa, para a China. Como isso se dará, eu não sei. O que sei é que temos muita gente competente para fazer pesquisas de como chegar a isso e cito aqui universidades, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), entre outros”, disse ele a esta plataforma de conteúdos.

Masahiro Inoue, presidente da Toyota para América Latina, faz eco com o CEO da Volks.

Em entrevistas concedidas em julho, Inoue afirmou: “temos que aproveitar o etanol”.

No caso, o biocombustível está estrategicamente posicionado no Brasil para substituir o hidrogênio na célula a combustível. Segundo ele, é muito difícil produzir hidrogênio verde (entenda mais sobre esse hidrogênio aqui), levará décadas até ser feito, além de custar caro.

Por isso, a Toyota irá oferecer mundialmente produtos eletrificados, sejam híbridos, híbridos-plug in (tomada) ou com célula a combustível.

No caso do Brasil, adiantou, será lançado – ainda sem data – um carro com motor com tecnologia híbrido flex. Ou seja: elétrico com tecnologia que usa o etanol.