Etanol de milho avança em produção e terá duas novas usinas

Mato Grosso do Sul entra no mapa de estados produtores ao sediar os dois empreendimentos.

Etanol de milho avança em produção e terá duas novas usinas
Créditos da imagem: Unsplash

A produção de etanol a partir do milho avança no Brasil. E o exemplo mais recente foi no começo deste mês de agosto, quando a companhia sucroenergética Cerradinho Bioenergia anunciou projeto de biorrefinaria do cereal em Maracaju, no Mato Grosso do Sul.

Será a segunda planta de etanol de milho da Cerradinho, sendo que a primeira, em produção desde 2019, fica junto à unidade de cana-de-açúcar em Chapadão do Céu (GO) (leia mais aqui).

Além disso, com o anúncio da nova planta, a Cerradinho insere o Mato Grosso do Sul no mapa de estados produtores de etanol de milho.

É que hoje o Brasil tem 19 usinas dessas plantas, das quais 12 ficam no Mato Grosso, 5 em Goiás, uma em São Paulo e outra no Paraná.

A nova planta da Cerradinho deverá entrar em operação em 2023 em projeto desenvolvido pela sua subsidiária Neomille com tecnologia de processos da americana ICM.

No caso, a usina de etanol de milho de Maracaju terá capacidade de produção de 500 milhões de litros de anidro (adicionado à gasolina) por ano, ou de 540 milhões de litros de hidratados (veículos flex) também por ano.

Essa produção é garantida desde que haja oferta de milho. Sendo assim, a planta pode produzir nos 365 dias do ano, ao contrário das usinas de cana-de-açúcar, cujo ciclo produtivo médio é de 210 dias.

Daí a importância estratégica das plantas de etanol de milho como forma de garantir a oferta do biocombustível.

Para se ter ideia, entre 01 de abril, quando começou a safra da cana, até 16 de julho, as usinas fabricaram 11,81 bilhões de litros. Desse total, 815,61 milhões de litros foram feitos a partir do milho, destaca levantamento da UNICA (leia mais aqui).

O avanço da produção de etanol de milho em 2021

Produção de etanol de milho em 2021 - relatório UNICA
Fonte: UNICA

Tendência de produção é crescente

Os dados da UNICA atestam que a produção de etanol de milho avança quase 100 mil litros por mês. E seguirá nesta cadência crescente.

Projeção da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) aponta que as 19 plantas deverão alcançar 3,3 bilhões de litros na safra vigente, chamada no setor de 2021/22 (mais aqui).

Se confirmado, esse volume representa 10% dos esperados 33 bilhões de litros totais de etanol.

E tem mais: a Unem prevê que o Brasil chegará a 8 bilhões de litros de biocombustível do cereal entre 2027 e 2028.

Essa projeção está baseada nos investimentos em aumento de produção pelas plantas existentes e na chegada de novas unidades, caso da Neomille/Cerradinho.

Tem, ainda, outra nova planta de etanol do cereal em projeto. É a do Grupo Millenium, que assume a gestão da Usina São Fernando, em fase de recuperação judicial. Em entrevista ao RPA News, o CEO da empresa, Eduardo de Lima, anunciou que a usina também terá produção total flex, ou seja, com cana e milho.

Mais: a São Fernando está localizada em Dourados, município do Mato Grosso do Sul. E, desta forma, o estado não só entra no mapa do etanol de milho, mas entra com duas unidades de uma só vez.

Preço em alta para o milho e o DDG

Nem tudo, porém, é motivo de celebração.

No período de um ano, o preço da saca de 60 quilos de milho saltou de R$ 58 médios, em agosto de 2020, para atuais R$ 101, conforme o Cepea, da Esalq/USP.

Tudo bem que a maioria dos gestores adquire o cereal com antecedência e, assim, não fica à mercê de altas de preços como as deste ano. Ademais, se tiverem de comprar parte da matéria-prima no spot, elas assumem o ônus.

Mas tem um lado positivo nessa história. É que assim como o milho subiu de preço – graças a geadas e quedas de produção -, as cotações dos farelos proteicos gerados por essas usinas também disparou.

Empregados como nutrição do gado de corte aqui e no exterior, esses farelos, denominados DDGs, viram a tonelada passar de R$ 855,00 em junho de 2020 (ler aqui) para R$ 1.906 no fim de julho último, conforme a Scot Consultoria.

Enfim, para se ter noção do ganho com a venda dos DDG, basta lembrar que cada tonelada de milho gera 380 quilos dos proteicos.

Como até os primeiros 15 dias de julho as usinas de etanol de milho consumiram pouco mais de 2 milhões de toneladas, podem, também, ter gerado 760 mil toneladas do valorizado coproduto.

“O DDG faz hedge natural com o milho”, destacou, em entrevista, Guilherme Nolasco, presidente da Unem. “Não é um subproduto, é tão importante quanto o etanol.”