Índia antecipa mistura de etanol e confirma crescimento da demanda mundial pelo biocombustível

Adição à gasolina começa em 10% e sobe para 20% em 2023, o que exigirá 10 bilhões de litros por ano.

A demanda mundial pelo etanol avança e chegou a vez da Índia. O governo local lançou o programa Etanol 2020-2025, que prevê a adição de 20% do biocombustível à gasolina a partir de 2023.

Na verdade, trata-se de uma antecipação, já inicialmente a mistura iria vigorar em 2025.

Atualmente, o gigante país, com mais de 1 bilhão de habitantes, emprega 10% de etanol ao derivado de petróleo em motores com tecnologia flex-fuel, já usada no Brasil.

Com um detalhe: será necessária uma oferta de 4 bilhões de litros a serem produzidos a partir de outubro, quando começa a safra local de cana-de-açúcar.

No caso da mistura com 20%, as necessidades saltam para 10 bilhões de litros anuais de biocombustível.

Para se ter ideia, esse volume representa pouco menos de um terço dos 32 bilhões de litros que todas as usinas do Brasil pretendem produzir na safra em andamento.

Quando do lançamento do programa, o primeiro ministro Narenda Modi relatou que se trata de “uma das maiores prioridades do século XXI para o país.”

Por sua vez, em seu perfil no Linkedin, Evandro Gussi, presidente da UNICA, lembra que “desde 2019 temos mostrado aos indianos todos os benefícios da produção e uso de etanol como fonte de energia renovável e sustentável para a mobilidade.”

No entanto, o executivo destaca a prioridade de o etanol ganhar produção local, e não depender de países fabricantes já consolidados, caso do Brasil e dos EUA. Isso para os países consumidores não ficarem na dependência de poucos fornecedores.

Gussi comentou a respeito em sua participação no podcast Energia Que Fala Com Você da Fenasucro & Agrocana (clique aqui para saber mais a respeito).

Não para por aí. A decisão da Índia gera outros resultados.

Ao apostar no etanol, o país acerta em sua meta de reduzir a injeção de gases de efeito-estufa, uma vez que o biocombustível reduz em até 70% as emissões na comparação com a gasolina (leia mais aqui).

Além disso, se ficasse focada 100% na gasolina, a Índia seguiria refém das flutuações de preços do petróleo no cenário internacional, uma vez que 85% de sua demanda depende de importações.

Tem mais: com a adoção gradativa de mistura de etanol, o governo indiano desviará um volume expressivo de açúcar para produzir biocombustível. E isso contribuirá para reduzir a oferta mundial do adoçante, com o esperado reflexo na melhoria dos preços. Vale destacar que a Índia é o segundo maior país produtor, logo após o Brasil.

Know-how brasileiro em bens de capital

Já sabemos que a Índia pode dar conta de produzir todo ou quase todo etanol necessário para atender o mercado interno.

E como é tradicional produtora de açúcar, também conta como vasto quadro de fornecedores de bens e serviços.

O Brasil, no entanto, tem expertise quando se fala em tecnologia. Afinal, tem know-how de sobra desde que o então álcool virou combustível com o Proálcool, programa implantado em 1975 (saiba mais a respeito aqui).

Sendo assim, toda a expertise brasileira está à disposição dos indianos – e de outros países que avançam para empregar o etanol como aditivo.

Mas para ganhar de vez o mercado mundial, os fornecedores de bens de capital do setor tem uma barreira: o custo Brasil.

Luís Carlos Júnior, presidente do CEISE Br, afirma que ou esse custo é reduzido, e gera queda nos preços dos equipamentos e serviços, ou os fornecedores brasileiros perdem na concorrência.

O alerta está no podcast (acesse aqui) e em entrevista que concedeu ao Energia Que Fala Com Você.