Entenda como o valor do indicador de contratos de energia (PLD) bateu o teto e ficará assim até outubro
Foto: Arek Socha (Pixabay)

O valor do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) alcançou o teto em julho e agosto, ou seja, R$ 584 pelo megawatt-hora (MWh).  

Motivo: as baixas afluências nas áreas dos reservatórios da hidrelétricas, segundo a FGV Energia (leia aqui), empurraram o valor para o teto permitido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).  

Os agentes do mercado já esperavam essa valorização, mas ela provocou impacto. Isso se deu pois o PLD é o indicador empregado na regulamentação dos contratos de compra e de venda de eletricidade. Em síntese, esse indicador remunera a energia contratada que sobrou ou deixou de ser consumida. Por exemplo, se 10 MWh deixaram de ser absorvidos a CCEE, que intermediou o contrato, terá a receber o equivalente em valor do PLD. O mesmo ocorre caso 10 MWh tenham consumo excedido do contrato.  

Daí dá para sentir porque no teto o PLD assusta os consumidores de energia contratada? Se o indicador vale R$ 240 o MWh, o valor a pagar pelos 10 MWh é de R$ 2,4 mil. Assim como, se o indicador vale R$ 584, como agora, a dívida dispara para R$ 5,8 mil.  

Mas e agora, como fica? 

Vamos a outra questão: como fica daqui para frente o PLD, uma vez que a crise hídrica só deve reduzir com o período de chuvas?  

Simples: o valor do indicador fica no teto até outubro e recua entre outubro a dezembro, conforme projeção da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) (clique aqui para acessar os arquivos InfoPLD).  

Melhor dizendo: o PLD vale R$ 584 pelo MWh até o fim de outubro e cairá para médios R$ 328 em novembro e R$ 229 em dezembro.  

E, segundo a Câmara, esses valores valem para os quatro submercados (regiões) avaliadas: Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país.  

Entretanto, na mesma projeção a CCEE alerta que o valor do indicador voltará a bater o teto de R$ 584/MWh em janeiro próximo. Mas e a culpa? Novamente pela baixa incidência de afluências (chuvas) nas cabeceiras dos reservatórios das usinas hidrelétricas.  

É que, mesmo com a crescente oferta de energias eólicas e solares, as usinas seguem representando acima de 60% de toda a geração de eletricidade no país.  

Confira as projeções do PLD até outubro de 2022 

Fonte: CCEE 

Leia também: Retorno da atividade econômica turbina as previsões de crescimento da carga de energia

Impactos nos contratos  

A alta do valor do PLD já afeta os contratos do mercado livre, ou seja, em que grandes consumidores fecham contratos de compra de eletricidade com comercializadoras da CCEE. 

É simples entender o motivo. O MWh, que chegou a R$ 100 em meados deste ano, hoje é vendido por R$ 580 por conta do PLD cotado no valor-teto.  

Além disso, tende a se registrar, a partir deste mês, o impacto no mercado livre. Isso porque até a primeira quinzena de agosto os contratos nessa modalidade (oficialmente chamada Ambiente de Contratação Livre – ACL) seguiam firmes.  

Segundo a CCEE, o mercado livre é o responsável pelo ritmo de crescimento moderado do consumo de energia na primeira quinzena de agosto, que avançou 1% ante igual período de 2020.  

Por fim, a Câmara (leia aqui) destaca que o resultado reflete o avanço significativo no mercado livre, em que estão os consumidores de alta tensão, como a indústria e grandes redes comerciais.  

Para se ter ideia, o segmento, que responde por mais de 35% do total consumido pelo país, registrou alta de 7,8% em relação a 2020.