Como o agro faz o Brasil ser o principal candidato em atração de investimentos verdes do mundo

Mercado de títulos movimenta atuais R$ 30 bilhões, mas tem potencial de crescimento junto a fundos sustentáveis internacionais

Como o agro faz o Brasil ser o principal candidato em atração de investimentos verdes do mundo
Créditos das imagens: Canavial: UDOP

Com o agronegócio à frente, o Brasil é candidato a ser o principal player para investimentos verdes no mundo. 

Trata-se de um vigoroso mercado estimado em atuais R$ 30 bilhões em gestão de títulos verdes no País. Entretanto, o potencial de crescimento é gigantesco, uma vez que fundos sustentáveis internacionais atraem recursos da ordem de US$ 1 trilhão, conforme o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Em tempo: os investimentos verdes integram, entre outros, programas como o Plano Setorial de Adaptação e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária, chamado ABC+

Em resumo, esse Plano avança nas soluções tecnológicas sustentáveis para a produção no campo com foco no enfrentamento do agro às mudanças do clima. Segundo o Mapa, quase 50 milhões de hectares no país adotam essas tecnologias, como integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto e fixação biológica de nitrogênio. 

Ainda conforme o Ministério, o volume de financiamento para a agricultura sustentável passa de R$ 20,8 bilhões e já existem mais de 26,8 milhões de hectares de pastagens degradadas recuperadas. 

Tem funcionado porque a produção aliada com a conservação é viável e rentável. Exemplo: a cada R$ 1 investido pelo ABC+, o produtor aplicou R$ 7 em recursos próprios. 

Vale destacar que o ABC+ integra a lista de iniciativas sustentáveis empreendidas pelo agronegócio (que integra o ciclo de vida que vai do plantio ao produto agrícola entregue ao consumidor). 

Tereza Cristina, ministra da Agricultura, relatou, em sua participação no 20º Congresso Brasileiro do Agronegócio, que o Plano Safra deste ano está mais ‘verde’, com a ampliação tanto do Plano ABC, como do financiamento para restauração florestal (leia aqui). 

Outras ações nessa linha, disse, estão com o setor sucroenergético, por meio da geração de energia renovável a partir de biogás e biometano. 

Sobre biogás e biometano, empresas do setor como a Raízen, Tereos e Cocal empreendem investimentos para produzir energia elétrica de resíduos de cana-de-açúcar e mesmo gás para substituir óleo diesel em motores de caminhões (leia mais aqui).

Tereza Cristina: Divulgação
A futura ministra da Agricultura no governo de Jair Bolsonaro, Tereza Cristina, durante solenidade de entrega do Prêmio CNA Agro Brasil 2018.

“Proposta única” entra na pauta de evento da ONU

O próximo passo na campanha de tornar o Brasil player em atração de investimentos em títulos verdes está previsto para este mês de setembro, durante a realização da Cúpula de Sistemas Alimentares, da ONU.

No caso, a ministra Tereza Cristina destaca que no evento será apresentada ‘proposta única’ sobre modelo agropecuário que concilia produtividade com sustentabilidade. 

Essa proposta, disse, deverá ser defendida de forma consensual por todos os países da América do Sul e Caribe durante a Cúpula, a ser realizada na sede da ONU, em Nova York (EUA). 

Fora os exemplos já citados neste texto, que atestam iniciativas do agro brasileiro em ações verdes, o Mapa emprega mais ferramentas com foco sustentável. 

Uma delas são os dados de propriedades agrícolas declarados no Cadastro Ambiental Rural (CAR), necessário durante a implementação do Código Florestal. Pois esses documentos oficiais são um atrativo extra que pode fazer o país ampliar recursos na gestão de títulos verdes.

Outra ferramenta é a AnalisaCAR, lançada pelo Mapa com tecnologia de geoprocessamento para avançar na análise automatizada de cadastro ambiental. É mais uma peça da legislação para oferecer segurança jurídica. 

“A legislação será fundamental para que o país se torne líder na agenda global da sustentabilidade”, disse a ministra no Congresso Brasileiro do Agronegócio.