Transporte de etanol por dutos avança e promove ganhos principalmente ambientais

Cerca de 2,5 bilhões de litros chegarão neste ano a distribuidoras através de dutos, deixando de lado caminhões movidos ao poluente óleo diesel

Transporte de etanol por dutos avança e promove ganhos principalmente ambientais
Crédito da imagem: Agência BNDES.

Talvez você não saiba, mas muito do etanol anidro (adicionado à gasolina) e hidratado (veículos flex) chega às distribuidoras através de dutos.

Para se ter ideia, em 2020 foram transportados 2 bilhões de litros de etanol nesse tipo de estrutura entre Uberaba (MG), Ribeirão Preto (SP), Paulínia (SP) e Ilha D’Água (RJ).

O volume poderia ser maior, mas o consumo de combustíveis caiu por conta da pandemia, que reduziu a circulação de veículos.

Já neste ano, a movimentação pode alcançar 2,5 bilhões de litros no mesmo circuito, que compreende 350 quilômetros de etanoldutos ou álcooldutos entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

É preciso destacar que a estrutura permite uma série de ganhos. Entre eles estão os ambientais, uma vez que por esse sistema minimiza em muito a emissão de gases de efeito-estufa (GEEs), enquanto os caminhões transportadores a diesel seguem emitindo tais poluentes. Ou seja, mesmo que utilize veículos rodoviários para levar e trazer etanol das bases, a operação dutoviária é ambientalmente 87% mais eficiente ante a tradicional, via caminhões.

Há também ganhos logísticos (rapidez e garantia de entrega), de segurança (as chances de acidentes são mínimas ante o modal rodoviário) e financeiros – existem aí os custos de uso dos dutos, mas os caminhões exigem aportes seja em diesel, pneus e manutenção.

Em resumo, o transporte por dutos atesta a importância do etanol como combustível limpo e renovável.

Mas como se dá o transporte do biocombustível por dutos?

O Brasil conta com empresa especializada, a Logum Logística S/A, criada em 2011 com a responsabilidade de construir e operar sistema de transporte de combustíveis e biocombustíveis.

No caso, entram logística, carga, descarga, movimentação e estocagem, operação de portos e terminais terrestres. E tudo amarrado por transportes multimodais: dutos, rodovias (caminhões-tanque) e cabotagem (navios).

O controle da Logum, conforme a empresa relata em seu site, é integrado por três sócios. São pesos-pesado no setor de combustíveis: Raízen, joint-venture da Shell e da Cosan, dona de 30% do controle; a trader Copersucar, comercializadora de algumas das principais usinas do País, também com 30%; a estatal Petrobras, com outros 30%, enquanto os 10% restantes pertencem a Uniduto Logística.

Vale lembrar que apesar dos ganhos estratégicos, o etanolduto ficou anos sem dar saltos de crescimento. Um dos motivos foi a crise que acometeu o setor sucroenergético, principalmente durante o governo de Dilma Rousseff, que congelou os preços dos combustíveis (leia aqui) e fez com que muitas usinas de cana fechassem.

Outro motivo, conforme apurações do jornal Valor (confira aqui), foi o de que os então sócios Odebrecht e Camargo Corrêa, envolvidos na Lava-Jato, congelaram por um tempo os aportes do BNDES no empreendimento.

Entretanto, isso tudo é passado.

Devidamente capitalizada, a Logum ampliou sua rede e a partir deste mês de setembro toda a demanda de etanol na região metropolitana de São Paulo pode ser atendida por dutos.

Com a expansão da estrutura, municípios da região como Guarulhos e São Caetano do Sul passam a contar com terminais interligados à estrutura principal, em Ribeirão Preto.

Tem mais: em 2022 está prevista a inauguração do terminal de São José dos Campos (SP) e, com ele, o etanol dos postos de serviços poderá, em sua maioria, chegar por meio de dutos.

Pelas previsões de Walter Biasoli, presidente da Logum, ao Valor, com toda estrutura em funcionamento pleno será possível movimentar 9 bilhões de litros de biocombustível por ano a partir de 2030.

Em termos comparativos, esse montante equivale a 27,6% dos 32,503 bilhões de litros produzidos na safra anterior no Brasil, segundo a Unica, entidade representativa do setor.

Mais: com os dutos transportando 9 bilhões de litros, eles substituirão 410 mil viagens de caminhões-tanque por ano, relata a Logum.

Para finalizar, além dos ganhos ambientais, de segurança já mencionados neste conteúdo, as prefeituras da área metropolitana contempladas pela rede dutoviária também celebram a novidade.

É o caso da prefeitura de São Caetano do Sul, que projeta arrecadar R$ 67 milhões anuais extras entre impostos como ISS e ICMS, que passam a ser recolhidos, conforme o jornal Diário do Grande ABC, com a chegada dos dutos.