Termelétrica de 1,3 mil MW entra em cena e reforça oferta de energia elétrica no País

Movida a gás natural e localizada na região norte do Rio, UTE Porto Açu I tem capacidade para atender a 6 milhões de residências

Termelétrica de 1,3 mil MW entra em cena e reforça oferta de energia elétrica no País
Foto: GNA

Em meio à crise hídrica que afeta as hidrelétricas, responsáveis por mais de 60% de toda energia elétrica do País, também há espaço para boas notícias. 

É o caso da usina termelétrica Gás Natural Açu (UTE GNA I), que obteve aval da Aneel para iniciar a operação comercial de todas suas unidades geradoras.  

Trata-se de uma capacidade instalada de 1.338 megawatts (MW), sendo assim, suficientes para fornecer energia a 6 milhões de residências.  

Para se ter ideia do peso dessa capacidade, ela representa 4,4% de toda geração de eletricidade produzida pela região Sudeste/Centro-Oeste do País, que somou 30.093 MW conforme medição de 22 de setembro do Operador Nacional do Sistema (ONS), responsável pela gestão do sistema elétrico nacional.  

Se comparada com a geração das termelétricas na mesma região e data, de 8.800 MW, a estrutura da UTE GNA I equivale a 15,2%

Geração de eletricidade (medição em 22/09) 

Fonte: ONS

Operação antecipada em cinco meses 

Esses comparativos destacam a nova geradora, que deverá estar 100% despachada em meados ou até o fim de 2022, como disse ao Valor Bernardo Perseke, presidente da Gás Natural Açu (GNA), controladora da termelétrica. 

Localizada no Porto do Açu, região norte do estado do Rio de Janeiro, a UTE teve a entrada em operação antecipada em cinco meses devido à situação do setor, explicou Perseke na entrevista.  

Essa antecipação, segundo ele, foi um desafio. Isso por causa da pandemia. Quando ela chegou, lembra, havia 5,5 mil trabalhadores na obra. Foi preciso parar, entender a crise e os protocolos a serem seguidos e, enfim, retomar gradualmente.  

Ao todo, o projeto empregou 12 mil pessoas diretamente durante a construção da termelétrica. Até o momento, o investimento soma R$ 5 bilhões.  

Por fim, ao entrar em operação comercial, o empreendimento contribuirá para a segurança energética do Sistema Interligado Nacional (SIN).  

“Entramos em operação em um momento crucial para o país, trazendo energia confiável para o sistema, a partir do gás natural, um combustível catalisador da transição energética global”, atesta o presidente da GNA.  

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Complexo de térmicas 

A UTE GNA I não é filha única da Gás Natural Açu. Portanto, vem aí a construção da UTE GNA II, com 1.672 MW de capacidade instalada, suficiente para fornecer energia para 14 milhões de residências.  

Tem mais: segundo a assessoria da GNA, ela possui 3 gigawatts (GW) de energia assegurados em contratos de longo prazo. Além de 3,4 GW adicionais de expansão licenciada através dos projetos GNA III e GNA IV.  

Sendo assim, o Complexo de 6,4 GW é o maior da América Latina. Além disso, inclui um terminal para movimentação de Gás Natural Liquefeito (GNL) onde está atracada a FSRU BW MAGNA, com capacidade para armazenar e regaseificar até 28 milhões de m³/dia. 

Também: a localização estratégica do Porto do Açu, próximo aos campos produtores de gás offshore, à malha de gasodutos terrestres e ao circuito de transmissão 500 kV de energia possibilitará a expansão do hub de gás e energia a partir do recebimento, processamento e transporte do gás natural associado e da integração entre o setor de gás com setores elétrico e industrial. 

Quem é a GNA 

A Gás Natural Açu é joint venture formada pela bp (sediada no Reino Unido), Siemens (Alemanha), a SPIC Brasil (China) e pela Prumo Logística, controlada pelo EIG Global Energy Partners (EUA). Clique aqui para saber mais sobre os acionistas.