Biometano da cana se prepara para substituir gás e ajudar a produzir fertilizantes

No caso da substituição do fóssil, o renovável chega ao mercado em 2022; e a partir de 2023 ela começará a ser fonte de fabricação de amônia.

Biometano da cana se prepara para substituir gás e ajudar a produzir fertilizantes
Créditos da imagem: Canalização: BNDES

A cana-de-açúcar, tradicional matéria prima para a fabricação de açúcar, etanol e eletricidade, entra em prática como fonte de outros nobres produtos.

Desta vez, ela será empregada na produção de biocombustível para substituir o gás fóssil e, também, para fabricar componentes de fertilizantes.

Pode ser difícil de acreditar, mas é isso mesmo. E o destaque é que tanto o gás quanto o integrante de fertilizantes já têm data para chegar ao mercado.

Vale explicar que tanto o gás como o componente do fertilizante serão obtidos a partir do biometano. Por sua vez, trata-se de biocombustível gasoso gerado a partir do processamento do biogás, feito a partir da digestão de material orgânico como bagaço, palha e torta de filtro da cana.

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Antes de prosseguir, é preciso lembrar que apesar dos investimentos necessários em inovação, tecnologia e nos empreendimentos geradores, o biometano depende da cana, ou seja, é produto 100% feito a partir do setor sucroenergético, braço do agronegócio brasileiro.

Como se sabe, o gás convencional é combustível fóssil normalmente encontrado em reservatórios profundos, associado ou não ao petróleo. Se não há produção nacional, basta importá-lo de países como a Bolívia, como, aliás, o Brasil já faz. Aqui, joga contra o custo – que é em dólar – e as emissões de gases de efeito-estufa (GEEs).

Sim, na briga com derivados de petróleo como óleo combustível, o gás natural emite menos 44% CO2, dióxido formador dos GEEs (leia mais aqui).

Mas na briga com o biometano, o gás natural perde porque o biocombustível simplesmente tem uma pegada negativa de carbono. Ou seja: não emite CO2 (saiba mais aqui).

O caso é semelhante no emprego do biometano como fonte para amônia “verde” a ser direcionada para produzir fertilizantes. Aqui, sairá o gás natural e entra o gasoso feito de subprodutos da cana.

Fonte de amônia ‘verde’ sairá de usinas da Raízen

Primeiro vamos ao gás renovável para fazer amônia ‘verde’. No dia 20 deste setembro, a Raízen, joint venture da Shell e da Cosan, divulgou comunicado ao mercado no qual anunciou ter firmado sua primeira venda de longo prazo de biometano.

De seu lado, o cliente é a Yara Brasil Fertilizantes, da norueguesa Yara, compradora de volume diário de 20 mil metros cúbicos por prazo de cinco anos.

O biometano será utilizado pela Yara para a produção de hidrogênio e amônia ‘verde’ em seus parques industriais.

Segundo o jornal Valor, o volume acertado supre 5% da demanda da unidade por gás natural, de 700 mil metros cúbicos ao dia. O montante pode ser baixo, mas é o “primeiro passo” para o emprego do gás renovável também na indústria da companhia.

Aliás, vale explicar que a Raízen, junto com a sócia Geo Energética, possui unidade de biogás em anexo à usina Bonfim, em Guariba (SP). A produção de biometano para a Yara, no entanto, não sairá dessa unidade.

Mas a Raízen já divulgou plano de expandir suas plantas de biogás anexas a usinas, o que poderá culminar na construção de pelo menos 39 unidades até a safra 2030/31.

Gás renovável biometano chega a três cidades

Crédito da imagem: GasBrasiliano
Crédito da imagem: GasBrasiliano

Vamos, agora, ao caso do biometano para substituir gás convencional. Trata-se do projeto “Cidades Sustentáveis”, que insere os municípios paulistas de Narandiba, Pirapozinho e Presidente Prudente em destaque nacional já que serão pioneiros no abastecimento de biometano gerado a partir de resíduos da cana.

O projeto integra a distribuidora GasBrasiliano e a Usina Cocal. A primeira é responsável pela construção de gasodutos para distribuir biometano na região. Já a Cocal encarrega-se da produção do gás renovável, que pode chegar a até 25 mil metros cúbicos diários.

Pois as obras de construção da rede começaram no fim de agosto. Serão implementados cerca de 51 quilômetros de tubulação em açõ (DN4”) para interligar a fonte de suprimento (no caso, usina da Cocal localizada em Narandiba) ao mercado consumidor (os três municípios), além de mais 14,5 quilômetros de tubulação em Polietileno (PEAD) para a conexão do mercado industrial, comercial, residencial e veicular, localizados na área urbana dessas localidades.

Ademais, o investimento total estimado é de R$ 180 milhões, dos quais R$ 30 milhões da GasBrasiliano e R$ 150 milhões da Cocal.

A previsão do término das obras da rede e início de fornecimento do gás canalizado para os clientes é julho de 2022.