Quais os rumos da eletromobilidade? Confira as respostas e avaliações de especialistas

Eles participaram do painel “Inovação em Eletromobilidade”, promovido pela EMBRAPII e ABINEE TEC

Quais os rumos da eletromobilidade? Confira as respostas e avaliações de especialistas
Quais os rumos da eletromobilidade? Confira as respostas e avaliações de especialistas

Que o Brasil precisa apertar o passo em tecnologias de eletromobilidade ou mobilidade elétrica, não é novidade. Em termos globais, quase que diariamente são anunciadas novidades dentro deste ecossistema, que inclui, entre outras, eletrificação e veículos autônomos.  

Mas o Brasil tem condições de participar de igual em inovações nesse universo que, sabemos, é um caminho sem volta?  

De forma resumida, a resposta a esta pergunta é sim.  

Uma prova é de que o Brasil possui minérios, que são estratégicos para essa revolução. Outra: o país tem engenharia de altíssima qualidade.  

Tais exemplos integram respostas de cinco executivos de empresas atuantes em eletromobilidade participantes do painel “Inovação em Eletromobilidade”, dentro da programação de debates promovida pela EMBRAPII e ABINEE.  

Com abertura de Israel Guratti, gerente do Departamento de Tecnologia da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE), o evento online foi mediado por Carlos Eduardo Pereira, diretor de operações da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII).  

Em sua apresentação, Pereira frisou que a EMBRAPII coordena um programa prioritário, dentro do Rota 2030, que trabalha na área de mobilidade e de logística.  

E foi enfático: “temos recursos [financeiros] disponíveis para apoiar projetos de inovação com empresas, e há espaço também para startups.” A empresa possui orçamento de R$ 1,8 bilhão.  

Energia Que Fala Com Você apresenta a seguir destaques de cada um desses executivos, representantes da Bosch, Siemens, Moura, WEG e BYD. Se você quiser assistir o evento na íntegra, só clicar aqui.  

“Como fomentar o know-how?” 

Quais os rumos da eletromobilidade? Confira as respostas e avaliações de especialistas

Alexandre Uchimura, Gerente Sênior da Bosch Brasil:   

Aporte – Para nós, a eletrificação não é uma novidade. Nas ruas, há mais de 2,5 milhões de veículos elétricos ou híbridos e eles têm componentes nossos, da Bosch. Estamos investindo mais, acreditando que cada aplicação, cada tecnologia, terá o seu espaço. Há muito ainda a ser trilhado no mundo inteiro.  

Know-how – No Brasil, estamos estruturando nossa empresa. Nosso diferencial sempre é know-how. Quando se fala em tecnologia, é know-how. A gente enxerga que, além da tecnologia dos componentes, existe o know-how do sistema e da parte de segurança.  

Dificuldade – Como fomentar esse know-how de sistema e de segurança no Brasil? É preciso investimentos de várias fontes. Podemos trazer essa tecnologia e adaptá-la para o que precisamos no mercado local. Para isso, precisamos de engenheiros e técnicos muito bem formados.  

Mercado – Ele tem que existir. Como fazer o elétrico pegar no Brasil? Na China, cada semana tem um modelo novo e faz o mercado se mexer. E aqui? Tem que ter recursos para comprar veículos. O share irá aumentar, mas os elétricos ainda estão em nicho. O mercado só virá quando, em vias tecnológicas, reduzir custos e massificar os veículos.  

Tendência – No veículo elétrico, o custo maior é a bateria. Se ela for super eficiente, também será preciso investir em componentes. Tendência do usuário final: muita gente ainda está cética, com muito mito atrás. E houve muito investimento em P&D, por isso é preciso levar ao consumidor.  

“Em meio à transformação” 

Adalberto Maluf, diretor de Marketing e Sustentabilidade e Novos Negócios da BYD Brasil e presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE)

Estratégias – Dentro do ecossistema da inovação, o que se vê no mundo, cada vez mais, são novas tecnologias. No caso, o Brasil tem muito a crescer no desenvolvimento e ele tem os minérios estratégicos para essa revolução. Empresas como Moura, Bosch e WEG são exemplos de companhias para fomentar esse ecossistema.  

Mercado – No ano passado, a expectativa era de que globalmente o mercado de venda de modelos elétricos chegasse a 1,7 milhão de unidades. Isso não ocorreu. Pelo contrário, em 2020 o mercado cresceu 43% e vendeu 3,4 milhões de modelos. Isso mostra que o mercado está meio à transformação.  

Participação – No Brasil, as vendas não acompanham as globais, mas a participação dos eletrificados no mercado de veículos saiu de 0,8% para atuais 2,4%.  

Carbono – Durante a pandemia, a maioria dos governos afirmou seus  compromissos de neutralidade de carbono. E o Brasil, embora não tenha os orçamentos [focados nessas metas] dos EUA ou da China, possui um diferencial: tem engenharia de altíssima qualidade. A engenharia brasileira sempre foi líder.  

Caminhos a serem seguidos – Há muitos ainda, pelo fato de o Brasil não ter política industrial de eletromobilidade. Mas há iniciativas de instituições e do governo federal. Sinto que a pandemia acelerou tecnologias como lives, compras eletrônicas. Por isso, o veículo elétrico se transforma em indutor de tecnologias.  

Catalisador – O veículo traz em si uma eletrônica embarcada avançada. O veículo normal tem 15% de eletrônica embarcada, enquanto o elétrico tem 80%. Esse é um catalisador do uso de tecnologias que não tinham aplicações. E existem inúmeras oportunidades. IA, IoT, blockchain: no veículo elétrico isso será acelerado, já que ele irá conversar com a infra, com o semáforo, com outros carros.  

“Reciclagem e segundo uso de baterias” 

Fernando Castelão, diretor geral da Divisão de Baterias de Lítio e dos Negócios de Logística e Transporte no Grupo MOURA:  

Soluções para o Brasil – Temos buscado trazer soluções em bateria, logística, industriais, em redes de assistência técnica. Buscamos segundo uso, reciclagem. Trazer solução completa. Acreditamos muito no crescimento do mercado nacional.  

Híbrido – A questão do etanol vejo como faca de dois gumes. De um lado, é importante ativo e contribui para a questão ambiental. Mas não podemos apostar todas as fichas. O híbrido é uma transição para o elétrico, que terá acessibilidade com queda dos preços das baterias. O Brasil não pode ficar para trás na eletrificação.  

Caminho – Precisamos ter na Rota 2030 um caminho mais audacioso para a eletrificação veicular para que tudo se desenvolva no Brasil.  

Baterias mais em conta – Em 2030, a bateria deverá cair abaixo de US$ 100 e o carro elétrico ampliará o mercado no Brasil. A principal barreira aqui é o custo e todo mundo gostaria de ter um elétrico.  

“Indústria tem que manter protagonismo” 

Alexandre Sakai, Head Automotivo e de Eletromobilidade da Siemens Brasil:  

Sustentabilidade – Mobilidade elétrica já se tornou realidade. É a resposta mais consolidada do segmento de transportes aos desafios enfrentados em sustentabilidade. E de se viver cada vez mais nas cidades. Busca-se, assim, menos poluição via eletromobilidade.  

Tem que viver – A indústria automotiva foi responsável por 18% do PIB da indústria de transformação em 2018. Ela tem de continuar sendo protagonista, mas tem que viver, e passar por essa transformação.  

Fontes renováveis – Outro desafio são as várias discussões, caso da transição energética. Fala-se de maior penetração de fontes renováveis de forma distribuída. Isso traz complexidade adicional.  

Grid – Quando se pega veículo elétrico, ele tem bateria e pode coletar energia do grid ou então injetar no grid no momento certo. E, ao mesmo tempo, a bateria pode não servir mais para o veículo e, em uma ‘segunda vida’, pode ajudar a gerenciar sistemas intermitentes no grid.  

Transformação digital – só através dela se terá plataformas para garantir toda a gestão de infraestrutura de recargas, aplicativos para a melhor experiência e realizar a fusão do sistema energético. É desafio: em todos esses ingredientes sem inovação não dá.  

“Empenho diante a mega-disrupção” 

Valter Knihs, diretor da Zest WEG

Disrupção – O Planeta tem mega-disrupção. Ela é obrigatória e tem que ser agora no século XXI. O empenho tem que ser grande. Seja a nível de produtos ou na forma de operar.  

Fábricas locais – Estamos em um contexto que é o século da virada para os semicondutores. Laser, visão, conversão de energia, geração de energia solar. Temos, portanto, fábricas produzindo no Brasil medidores, infraestrutura para esse segmento.  

Projetos – Temos muitos projetos de pesquisa e inovação, apenas em setembro eu assinei 10 projetos de eletromobilidade em busca de fomento.