Por que o Brasil só tem a ganhar ao promover economia de baixo carbono?

Explicações estão na carta “Empresários pelo Clima”, que, entre outros, pede ações eficazes para a preservação do meio ambiente

Por que o Brasil só tem a ganhar ao promover economia de baixo carbono
Foto: Shameer Pk (Pixabay)

Que o Brasil tem multiplos recursos naturais, não é novidade nenhuma. Em termos de matriz energética, 48% dela vêm de fontes renováveis como biomassa, solar e eólica, relata o Ministério de Minas e Energia

Por sua vez, a área ocupada pela agricultura representava 7,6% do território nacional, conforme levantamento do IBGE de 2020. 

Pois com esses menos de 8% de área a cadeia do agronegócio – que representa todo o ciclo de vida do produto agrícola – representou 26,6% do PIB brasileiro em 2020, atesta a Confederação Nacional da Agricultura

Em valores monetários, no ano passado o PIB do País foi a R$ 7,45 trilhões, enquanto o do agro chegou a quase R$ 2 trilhões

Tem mais: fora o peso econômico, o agro já protagoniza programa de Estado de descarbonização por meio do incentivo aos biocombustíveis. É o RenovaBio, em vigor desde 2020 e que já credenciou 292 produtores de etanol, biodiesel e de biogás. Leia aqui mais a respeito. 

Por seu lado, o RenovaBio é estratégico para o Brasil avançar na corrida por economia de emissões líquidas de carbono neutras e, assim, promover melhores práticas ambientais. Ou seja, já fortalece o E (enviromental) do indicador ESG (os demais são S de social e G de governança). 

Leia também: Como o agro faz o Brasil ser o principal candidato em atração de investimentos verdes do mundo

Empresas assumem responsabilidade 

Sendo assim, é fato que o agro fortalece o Brasil no ESG, conceito que ganha relevância mundial.  

Mas falta desenvolver “um arcabouço político-regulatório que apoie essa trajetória dentro de um compromisso firme com ações eficazes para a preservação do meio ambiente e o cumprimento das metas de combate ao desmatamento ilegal.”

O trecho entre aspas do parágrafo anterior diz respeito à carta “Empresários pelo Clima”, assinada por um grupo de 107 empresas e 10 entidades setoriais – a maioria ligada ao agro. 

No caso, o documento é liderado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), e, ao mesmo tempo em que defende medidas para uma economia de baixo carbono, as empresas e entidades assumem responsabilidades nessa transformação. 

Em outras palavras, a carta – a ser apresentada ao governo federal – defende “objetivos climáticos ambiciosos” e o “protagonismo” do Brasil na defesa contra o agravamento e os efeitos das mudanças climáticas. 

Às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP) de Glasgow (Escócia), a ser realizada entre 31 deste mês e 12 de novembro, o documento, conforme os signatários, relata ser possível evitar o aquecimento global para além de 1,5º C em relação ao período pré-industrial.

E como fazer isso?

“É possível trazer escala à inovação e às boas práticas e planejar estrategicamente para que o Brasil realize rapidamente o seu potencial de crescimento sustentável e alinhado com os objetivos de combater a mudança climática e proteger a biodiversidade”, destaca a Carta.

E segue: o setor empresarial brasileiro está engajado na recuperação do país dos efeitos da Covid-19, promovendo uma retomada verde (green recovery) fundada em bases de economia circular, de baixo carbono e de inclusão. 

Entre as medidas adotadas pelas empresas estão: redução e compensação das emissões de gases causadores do efeito de estufa (GEE), precificação interna de carbono, descarbonização das operações e cadeias de valor, investimentos em tecnologias verdes e estabelecimento de metas corporativas ambiciosas de neutralidade climática até 2050. 

Uma transição célere para o baixo carbono é possível e desejada pelo setor produtivo brasileiro, relata o documento.

Mais: estudo recente, apoiado pelo CEBDS, atesta ser possível reduzir as emissões de GEE em até 42% no Brasil já em 2025, em relação aos níveis de 2005. 

“Para atingirmos essa meta, são importantes os avanços representados pelo RenovaBio, nossa recém-aprovada política de pagamento por serviços ambientais – PSA, futuro mercado regulado de carbono no Brasil, bem como o esforço para o reconhecimento global da experiência e contribuição brasileiras para a mitigação das emissões líquidas de gases do efeito estufa, inclusive com soluções baseadas na natureza”, descreve o texto.

“Assim, consideramos crucial o aprofundamento da discussão entre o setor privado, a sociedade civil e o governo brasileiro sobre a posição brasileira em relação ao Artigo 6° do Acordo de Paris”, afirma em referência a necessidade de apoio e cooperação internacionais. Leia aqui sobre esse Artigo. 

Mercado de carbono regulado

Enfim, Marina Grossi, presidente do CEBDS, destaca que até 2030 o país deve priorizar o fim do desmatamento ilegal, a operacionalização de um sistema de mercados de carbono e a ampliação da agricultura de baixo carbono, resultando no aumento da ambição nas metas brasileiras. 

Dentre as medidas propostas no documento está o apoio à proposta de mercado de carbono regulado no Brasil. Estudo do CEBS aponta que esse mercado pode atingir entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões apenas na sua fase inicial (2022-2024), com transações de direitos de emissão e créditos de carbono. 

Por sua vez, os signatários atestam que os ganhos para o Brasil não são só em termos financeiros, mas também socioambientais e reputacionais.

Para tanto, basta o País estar alinhado com a agenda global e fazer as evoluções necessárias nos modelos de negócios para cumprir os compromissos e as metas mais ambiciosas para endereçar a emergência climática não deve ser tido apenas como uma obrigação moral, mas como um imperativo econômico.