Como o milho ajuda a garantir a oferta de etanol no Brasil

Biocombustível feito do cereal deverá reforçar o suprimento dos postos nos próximos meses

Como o milho ajuda a garantir a oferta de etanol no Brasil
Crédito da imagem: Unica

O milho ajudará a garantir o suprimento do mercado nacional de etanol entre este mês de outubro e março de 2022. A avaliação é de especialistas consultados pelo Energia Que Fala Com Você em referência aos seis meses do período denominado entressafra

No caso, nestes meses as usinas de cana-de-açúcar dos estados da região Centro-Sul estão em recesso e investem em reformas e adequações para a próxima safra, prevista para começar entre meados de março e abril próximos. 

Em tempo: as usinas do Norte e Nordeste estão em plena safra, já que nessas regiões o ciclo vai de agosto a meados de fevereiro. 

Mas qual o motivo de o milho garantir a oferta de etanol nos postos justamente no período no qual a demanda é mais aquecida por conta das viagens de verão? 

Em resumo, o cereal é matéria-prima para 19 usinas produtoras de etanol, 12 delas localizadas no Mato Grosso. E, ao contrário das usinas movidas a cana, cuja safra dura em média 210 dias, nas de milho o ciclo produtivo é de 365 dias

Mais: a previsão é de que as 19 cheguem a uma produção de 3 bilhões de litros neste ano. Em termos comparativos, o montante previsto equivale a 10% da fabricação média das usinas de cana do Centro-Sul. 

Os 10% podem parecer pouco, mas servirão para ajudar a garantir o suprimento dos postos de combustíveis. E dos dois tipos de etanol combustível: o hidratado (veículos flex) e o anidro (adicionado em 27% ao litro da gasolina). 

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Safra de cana termina mais cedo 

O etanol do cereal tem todas as condições de ajudar a suprir o mercado nacional mesmo que o consumo mensal chegue a médios 2,5 bilhões de litros vendidos de anidro e de hidratado. 

Essa foi a venda média dos meses de verão de 2020, conforme a Unica, entidade representativa do setor (leia mais aqui). 

Mas tem aí um problema: a safra 2021/22 no Centro-Sul chega ao fim dois meses antes do normal, devido à quebra na oferta de cana. E, como consequência do ciclo e da oferta menor de matéria-prima, a produção também encurtou. 

Até o fim da primeira quinzena de setembro, a Unica contabilizou 20,7 bilhões de litros produzidos, quebra de 3% ante igual período da safra anterior. 

Como a produção das usinas depende das condições climáticas – e neste ano os canaviais sofreram com geada, estiagem e queimadas -, a proteção do suprimento é garantida pela estocagem. 

Em períodos de produção de 30 bilhões de litros por safra, as usinas conseguem armazenar 17 bilhões de litros, segundo estimativa do Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege)

Ou seja, os meses de entressafra costumam ser atendidos pelo etanol estocado. E diante tudo isso o etanol de milho surge como salvador da pátria. 

Em projeções nossas, se houver escassez de 1,5 bilhão de litros de anidro e de hidratado, as usinas de milho podem atender porque, na média, têm fabricado 400 mil litros por quinzena e, até o fim de dezembro, farão o suficiente para suprir as necessidades do mercado. 

Vale lembrar que há um percalço e ele atende pelo nome de logística. Como já descrito anteriormente, a maioria das destilarias de milho está no Mato Grosso, distante 1,6 mil quilômetros do estado de São Paulo, principal mercado consumidor do País. 

No entanto, o transporte do biocombustível entre os dois estados já é 100% feito por composições ferroviárias de empresas como a Rumo. É certo que entra aí a questão do custo, que encarece o produto final. 

Mas essa é uma questão que pode ser resolvida em negociações.

O que não dá para resolver é caso falte etanol e seja preciso importar o combustível. 

Mas como descrevemos neste texto, a escassez de biocombustível pelas usinas brasileiras parece estar fora de cogitação.