Eletricidade de biomassa participa do leilão ‘antiapagão’ com 3,8 gigawatts (GW)
Crédito da imagem: UNICA

A bioeletricidade, nome da energia elétrica produzida a partir da biomassa de cana-de-açúcar, terá participação representativa do leilão de contratação emergencial de energia de reserva.

Marcado para o próximo dia 25 deste mês de outubro, o chamado leilão ‘antiapagão’ é considerado uma das respostas do governo aos efeitos da crise hídrica sobre o setor de energia elétrica (leia mais a respeito aqui).

Para se ter ideia, em termos de potência a fonte biomassa representa 6% dos projetos cadastrados para o certame, que somam 62 gigawatts (GW).

Sendo assim, 3,8 GW são de termelétricas movidas a bagaço e outros subprodutos da cana, que formam a grande maioria da fonte biomassa – outros integrantes dessa fonte são cavaco de madeira, algas e resíduos agrícolas.

Em termos comparativos, os 3,8 GW representam 0,5% do total de potência instalada da fonte biomassa no País, que totaliza 14.299 GW segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS) (saiba mais aqui).

Sendo assim, caso todos projetos de biomassa cadastrados sejam adquiridos no próximo dia 25, significa que em apenas um leilão será contratada 0,5% de toda energia de biomassa disponível em território nacional.

Além disso, é preciso destacar que ao contrário de outras fontes geradoras de energia participantes do leilão ‘antiapagão’, a biomassa tem vantagem socioambiental.

Melhor dizendo: como qualquer processo de combustão, a queima da biomassa gera emissões de dióxido de carbono (CO2), porém entende-se que o carbono emitido é o mesmo que foi absorvido pela planta no processo de fotossíntese. “E, assim, o balanço é nulo”, atesta a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia (MME). (leia mais aqui).

Leia também: O que é preciso fazer para o Brasil assumir a liderança mundial em bioeletricidade, segundo Gonçalo Pereira

Entrega de bioeletricidade extra vai até o fim de 2025

Vale lembrar que o Procedimento Competitivo Simplificado (PCS), como é oficialmente denominado o leilão, destina-se a contratar energia de reserva com conexão nos submercados (regiões do País) Sudeste/Centro-Oeste e Sul. 

E a energia contratada das termelétricas a biomassa será entregue entre o dia 1º de maio de 2022 até 31 de dezembro de 2025.

Em resumo, trata-se de um socorro para suprir o parque gerador de eletricidade do País no enfrentamento da atual situação de escassez hídrica, a maior em 91 anos.

Clique aqui para saber mais a respeito. E, aqui, para acessar pdf da Portaria 24 do Ministério de Minas e Energia sobre essa iniciativa.

Por fim, em termos de número de projetos cadastrados no certame, os de biomassa somam 29,1 (3%) dos totais 972.

Fonte: EPE

“Reconhecimento efetivo dos atributos da biomassa”

Qual é o balanço da participação de projetos de biomassa no leilão do próximo dia 25?

Para responder à pergunta, Energia Que Fala Com Você ouve Zilmar José de Souza, gerente de bioeletricidade da UNICA, entidade representativa do setor sucroenergético.

Em sua opinião, “apesar de pequeno relativamente aos projetos cadastrados de gás natural [que somam 56% do total], até que foi um bom número para a biomassa.”

Segundo ele, o saldo “mostra estar havendo um processo de melhorias na forma de contratação da biomassa, com o reconhecimento efetivo dos atributos dessa fonte.”

“No futuro, a biomassa poderá responder rapidamente e positivamente nos próximos leilões de energia elétrica, entregando uma energia não intermitente e renovável ao sistema”, diz.

E finaliza: “precisamos ter uma sequência de leilões que consiga contratar mais biomassa para estimular essa importante cadeia produtiva nacional.”