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As unidades produtoras sucroenergéticas têm pela frente uma longa entressafra. Muitas das usinas encerraram a safra 2021-22 ainda em outubro, por conta da menor oferta de cana-de-açúcar, devido à estiagem e a geada que afetou áreas canavieiras da região Centro-Sul.  

No entanto, a longa entressafra pode ser período de geração de recursos financeiros extras para as usinas. Essa oportunidade ocorre com a produção de bioeletricidade nos meses de parada para adequações da indústria.  

As estratégias para viabilizar essa oportunidade são detalhadas por Eberson Muniz, Business Development da CPFL Soluções, empresa do Grupo CPFL que é parceira do setor sucroenergético e realizou em parceria com a Fenasucro & Agrocana TRENDS o webinar “Entressafra: Como a Boa Gestão da Infraestrutura Energética pode impactar Ganhos e Eficiência nas Usinas” (clique aqui para acessar o vídeo do evento). 

Realizado pela Fenasucro & Agrocana TRENDS, o evento online foi mediado por Paulo Montabone, diretor da feira, e contou com a participação de Gonçalo Pereira, professor titular da Unicamp, e de Eduardo Peres, consultor do Grupo Tonielo.  

Maximizar geração de energia cria fonte extra de recursos financeiros 

Segundo Eberson Muniz, da CPFL Soluções, as unidades produtoras de etanol e de açúcar possuem uma fonte para geração extra de recursos financeiros. E que podem entrar no caixa durante o período da entressafra que desta vez é mais longa. A seguir, ele fornece informações e respostas a respeito.  

De que forma as unidades podem ter fonte extra de geração de recursos?  

Trata-se da maximização da produção de energia elétrica.  

Como obter essa maximização?  

Hoje é possível a utilização da vinhaça e da torta de filtro (resultante do processo de clarificação e que chega a 40 kg a cada tonelada de cana moída – leia mais aqui).  

Com isso, as usinas podem maximizar a geração de eletricidade através do biogás, nas próximas entressafras, produzido a partir de vinhaça e da torta (saiba mais aqui).  

Mais: essa geração maximizada pode ser feita aproveitando o período da entressafra, que neste 2021 começou mais cedo, uma vez que a safra terminou já em outubro em algumas unidades produtoras devido a menor oferta de cana por conta da estiagem e mesmo da geada. 

Essa geração entra no sistema de cogeração das usinas?  

Existe aí uma novidade pouco explorada no setor sucroenergético, que é a possibilidade de futuras instalações. Elas podem ser uma nova unidade plenamente separada da usina, inclusive para operar na modalidade de geração distribuída.  

Como assim?  

Chamo de geração complementar de energia. Ela poderia, por exemplo, ser homologada na modalidade de compensação por meio da geração distribuída (leia mais a respeito aqui).  

Essa regulação é permitida pela legislação. Trata-se de regulamentação que já existe há certo tempo, mas não é explorada no segmento sucroenergético. E é completamente possível e de fácil acesso.  

Ademais, essa geração complementar trará mais resultado financeiro. E esse resultado pode ser revertido em investimentos.  

Além da geração de biogás, o que mais é necessário?  

As estruturas elétricas das unidades produtoras precisam ser avaliadas com carinho. Isso porque é preciso um planejamento para o processo de ampliação de produção de energia, ou da futura instalação, para que seja colocada em marcha e entre comercialmente em ritmo de cruzeiro.  

Para que essa geração complementar seja instalada com a eficiência esperada, a CPFL Soluções presta toda assessoria necessária em soluções de conexão do gerador à rede de concessionárias de energia.  

Diante da crise hídrica, que afetou a geração de energia hidrelétrica, a bioeletricidade se torna ainda mais estratégica. Como o setor sucroenergético pode participar mais do mercado de energia?  

Tem o valor da energia, que precisa ser atrativo para incentivar investimentos em produção maior de bioeletricidade. Fomentar essa expansão é fundamental, principalmente agora, diante à crise hídrica.  

Daí, é importante realizar estudos detalhados para avaliar o potencial de conexão. Ter capacidade, mas não escoamento, é um problema.  

O que mais? 

É preciso atentar a detalhes e aprofundar no projeto de subestações e do ponto de conexão. Isso porque a depender da estratégia adotada, afeta diretamente os investimentos e prazos, até porque muito da venda da energia é negociada em leilões.  

Da porteira pra fora, independe da usina. A ligação entre sistema elétrico e usina tem que estar azeitada. Nós assessoramos os geradores a buscar a melhor alternativa para auxiliar no escoamento da energia.  

Qual é a estrutura da CPFL Soluções para atuar em parceria com as geradoras de bioeletricidade?  

Temos hoje uma estrutura extremamente robusta. Estamos preparados para atender o mercado, somos hoje mais de 3 mil colaboradores dentro da CPFL Soluções.  

Isso com estrutura que vai desde a construção de linhas de transmissão e subestações até 230 kV, que consegue atingir o escoamento do universo das eólicas, solares e das usinas de etanol. No desenvolvimento a gente ajuda as usinas de etanol da porteira para dentro, no caso das conexões. Isso porque da porteira para fora com obras de rede sendo também a nossa especialidade.  

Mas depois de tudo implementado, é preciso robustez para poder manter e operar esses sistemas [de geração]. Temos uma equipe muito bem estruturada na operação e manutenção, justamente para dar conforto operacional e, principalmente, segurança para nossos clientes.  

Por que a manutenção deve ser vista como investimento 

As manutenções das instalações elétricas aumentam a vida útil dos equipamentos, reduzem perdas e paradas indesejáveis durante a safra. E devem ser encaradas como um investimento, e não como despesa.  

“Isso porque a partir do momento em que existe contratação anual ou plurianual com itens específicos, como manutenção periódica, a empresa só tem a ganhar, inclusive mensurando os resultados”, destaca Eberson Muniz, da CPFL Soluções.  

Segundo ele, o planejamento da manutenção é uma alavanca para investimentos.  

“Diferente do modelo tradicional de manutenção, o acompanhamento proposto exige sair fora da caixa e indicamos um acompanhamento periódico, por meio de contratos plurianuais.” 

Como funcionam esses contratos?  

Durante a safra, o executor e a usina devem constituir de forma customizada um plano elaborado de manutenção. Isso porque o executor tem uma ótica, foco nos ativos e a usina tem outra, foco na produção. Assim, ao acompanhar pontualmente essas ações o executor conseguirá descrever e dimensionar as ações para a entressafra de forma mais otimizada. Ou seja, conseguirá reduzir o número de equipes e de horas no momento das intervenções.  

O resultado disso é a diminuição de custos, melhoria da eficiência operacional e segurança. Por sua vez, esses resultados também reduzem recursos financeiros que podem ser reinvestidos. A CPFL Soluções oferece também estratégias de manutenção preventiva e preditiva com o auxílio da telemetria. 

Como?  

Enxergamos na digitalização uma ferramenta aliada para maximizar os resultados operacionais. Somadas às ações de operação assistida e de inteligência aplicada. De nada adianta você monitorar, ter o dashboard com kpis, se essas variáveis envolvidas não se cruzarem para se chegar a um resultado operacional mais eficiente. É aí que entra a inteligência aplicada.  

E os ganhos?  

Se a gente olhar a manutenção como investimento, e não simplesmente despesa, podemos quantificar as perdas por paradas inesperadas, prejuízos diretos e indiretos. Com esses dados, mede-se os resultados com as ações discutidas anteriormente de telemetria e de operação assistida.  

E o que isso leva para o tomador de decisões, o gestor? 

Leva à possibilidade de ele decidir tal ação de implementar ou não, mas que vai impactar em resultados quantitativos de maior eficiência e maior confiabilidade em despacho, sendo implementado. Uma parada inesperada, por exemplo, bloqueia o despacho e deixa de exportar energia. Com melhor eficiência operacional, é direto na veia: se tiver custo menor, o resultado final financeiro pode ser reinvestido. Recolocado dentro de ações, sendo novas tecnologias, melhorias, ‘n’ possibilidades.  

Brasil tem fontes produtivas para avançar em bioeletricidade 

As usinas sucroenergéticas têm plenas condições de ajudar o Brasil a ser player mundial em energia limpa. Seja pelo emprego da biomassa de cana convencional e da cana-energia, empregada na produção de etanol de segunda geração (2G).  

É o que defende o professor da Unicamp Gonçalo Pereira. Segundo ele, o número de usinas que hoje geram bioeletricidade é relativamente grande. “Mas está longe de ser exaustivo.” 

E o que é preciso ser feito?  

A primeira solução a ser feita é tornar a geração de bioeletricidade exaustiva, seja pelas tecnologias existentes, seja pelo uso de boilers (reservatórios térmicos). E é preciso de um programa que regularize, por exemplo, as modificações necessárias para a melhor eficiência desses equipamentos.  

A crise hídrica afetou a geração hidrelétrica, mas se o País retomar crescimento industrial, precisará de energia. O que fazer? 

Acredito que o Brasil precisará de muita energia. E o país é um dos poucos que têm condições de se antecipar ao que vem por aí [em termos de crise de oferta de energia]. Fala-se muito em cana-de-açúcar, mas a ciência avança para outras culturas.  

Quais? 

A cana-energia, por exemplo, já é uma realidade. Com ela, você consegue duplicar e tem potencial de triplicar a produção de biomassa por área. Se você injetar a primeira geração de cana para fazer o caldo, a segunda para pegar biomassa e colocar na eletricidade, gera excelente produção.  

No caso, a cana-energia tem sistema radicular muito mais poderoso, aguenta a passagem de máquina [por cima] sem nenhum problema. Ao invés de ciclo de cinco anos, tem ciclo de 18 anos. Precisamos aproveitar esse potencial.  

Quais os rendimentos?  

[Ademais, a cana energia também é empregada na produção de etanol de segunda geração, o 2G porque gera por hectare em torno de 200 toneladas e 26% de fibra, resultando em 92,6 toneladas de bagaço por hectare.  

No caso de gerar bioeletricidade a partir da biomassa de 2G, é preciso adequar as novas instalações da infraestrutura energética (linhas de transmissão, redes de distribuição, subestações e cabines de medição). Toda essa adequação é prestada pela CPFL Soluções.]  

Devemos aproveitar as oportunidades dessas fontes limpas?  

Culturalmente, o Brasil tem que aproveitar as oportunidades e querer ser uma liderança em energia limpa, bioeletricidade, porque assim mudamos o clima para melhor. 

Temos condições, pela indústria, e temos conhecimento, pela academia.