Como o etanol pode ajudar o mundo a reduzir de vez – e de forma rápida – as emissões de gases de efeito estufa

Apenas a China, que tem estudo de adicionar 10% do biocombustível à gasolina, diminuirá a injeção de CO2 em 400 milhões de toneladas por ano

Se a China decidir mesmo oficializar a mistura de 10% de etanol à gasolina, como anunciado, ajudará o mundo a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, os GEEs.

Como assim?

É que a proposta chinesa prevê adicionar o biocombustível em estimados 500 milhões de carros que irão compor a frota daqui a menos de uma década.

Para dar conta dessa demanda, especialistas apontam para uma necessidade de 15 bilhões de litros por ano.

É aí que entra o potencial de descarbonização da proposta, infelizmente suspensa, mas que pode ser rapidamente retomada até porque o governo chinês comprometeu-se publicamente em diminuir o uso de fontes sujas de energia.

Funciona assim: cada litro do derivado da cana-de-açúcar emite 0,24 gramas de dióxido de carbono (CO2), contra 2,2 quilos emitidos pela gasolina.

Os dados integram relato do químico industrial especializado em petróleo, gás e energia Marcelo Gauto produzido para o Energia Que Fala Com Você (leia mais aqui).

Pois bem.

Se a prevista frota de 500 milhões de veículos for 100% a gasolina, serão necessários por baixo 2 bilhões de litros por ano (hoje, para uma frota de 200 milhões de veículos, é necessário 1 bilhão de litros – mais aqui).

Diante disso, as injeções de GEEs com os 2 bilhões de litros de gasolina vão para 4,4 bilhões de toneladas.

No entanto, se houver 10% de adição de etanol, as emissões recuam em 48 milhões de toneladas.

Para efeito comparativo, essas 48 milhões de toneladas de CO2 equivalem a pouco mais de 2% de todas as emissões registradas no Brasil em 2020, que somaram 2,16 bilhões de toneladas (leia mais aqui).

O detalhe é que a redução de emissões na China pode ser feita no curto prazo, ao contrário de outros mitigadores de GEEs que ainda são objeto de pesquisa.

Ou seja, basta ter etanol para injetar nos veículos.

Só para se ter ideia, a produção chinesa do biocombustível chegou a 3,5 bilhões de litros em 2019 (leia mais aqui). Mas triplicar esse montante é apenas questão de produção e tempo existe para dar conta da previsão inicial.

Em mês de COP26, a proposta de adicionar etanol à gasolina confirma o que lideranças do setor sucroenergético defenderam na Conferência sobre Mudanças Climáticas: que o biocombustível é uma estratégia imediata de combate aos GEEs.

Leia também: Biocombustíveis fazem o Brasil ser destaque mundial em redução de emissões

O exemplo que vem da Índia

Além da China, a Índia também ampliará de atuais 10% para 20% a adição de etanol à gasolina.

Neste caso, a nova mistura entra em vigor já em 2023. Para tanto, serão necessários 4 bilhões de litros por ano.

Em resumo: a oferta extra de biocombustível se traduz na redução de 96 milhões de toneladas de CO2 por ano.

Leia aqui mais a respeito do etanol na Índia.