Real fraco e crise chinesa encarecem os equipamentos de energia solar - e a situação não tem data para acabar
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Os preços dos equipamentos para a geração de energia solar seguem em alta. Para piorar, essa tendência deverá continuar no primeiro semestre de 2022.  

Mas qual o motivo do encarecimento justamente dos equipamentos da geração de energia que mais cresce no Brasil?  

Em resumo, o motivo da subida de preços de placas, módulos, inversores, dentre outros, é um só: a China.  

É que 80% da produção global desses equipamentos vem do país asiático. E ele, como informam os noticiários, enfrenta crises internas.  

Uma delas diz respeito a gigantes incorporadoras de imóveis e, neste  caso, é um problema que inicialmente restringe-se ao mercado doméstico.  

Mas há a crise energética, uma vez que a maioria dos insumos para produção é de carvão mineral e essa fonte está escassa.  

Daí é um problema interno, em termos de fornecimento (leia aqui), mas afeta mundo afora – Brasil inclusive. 

É certo que o governo chinês tem tomado medidas como reforçar a produção do mineral (mais aqui).  

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Mas será suficiente? 

Ninguém sabe ao certo. E, assim, seguimos em ritmo de turbulência.  

Antes de prosseguir, é preciso lembrar que a tendência de alta nos preços dos equipamentos para geração fotovoltaica começou em 2020.  

Neste ano pandêmico, houve desequilíbrio conjuntural na cadeia de suprimentos, justamente devido à pandemia. Ademais, foram registrados embates comerciais entre EUA e China e isso sempre reflete em todo o mundo.  

De 2020 para 2021 a situação de preços em alta apenas tomou novo rumo.  

Nem dá para responsabilizar apenas os chineses.  

O Brasil praticamente passou a maioria deste ano em regime de depreciação cambial. E comprar um equipamento com o dólar a R$ 3 é um preço. Já com a moeda americana a R$ 5,30 é outro. 

Para se ter ideia, são necessários hoje médios R$ 16,7 mil para o investimento inicial da instalação de um sistema de geração solar de 2 kilowatts-pico (kWp), equivalente a uma conta de luz de R$ 250.  

O montante do aporte é 15% acima do necessário em março de 2020.  

Vale destacar que se de um lado é difícil prever a próxima onda de reajuste, de outro há a corrida dos fabricantes para reduzir o problema.  

Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) relata, em conteúdo, que os painéis solares tendem a caírem de preço conforme as tecnologias avançam e a produção ganhe eficiência.  

No mais, a entidade afirma que o setor tem cobrado do governo redução dos impostos sobre as matérias-primas dos equipamentos.  

O pedido ainda não teve resposta, mas um fato é certo: além do real depreciado e da China, outro responsável pela alta sequencial dos preços dos equipamentos foi o aumento extra da conta de luz.  

Esse aumento, como se sabe, foi definido pelo governo para garantir os custos da geração das termelétricas e, assim, suprir a oferta de eletricidade. 

No entanto, o reajuste extra impacta diretamente nos fabricantes nacionais de equipamentos para geração solar.