Diante do avanço dos carros elétricos, Volkswagen e BMW apostam nos motores a combustão

Entre os motivos das montadoras está o comprovado ganho ambiental do biocombustível  

O emprego de energia elétrica para movimentar veículos é um caminho sem volta também no Brasil. Sejam modelos puramente elétricos ou híbridos (que possuem motor a combustível e elétrico), o fato é um só: esses veículos ganham cada vez mais adeptos no País.  

E essa adesão ocorre apesar dos preços ainda pouco acessíveis para o bolso brasileiro, uma vez que os modelos disponíveis custam a partir de R$ 150 mil. Vale destacar que entre as vantagens do elétrico (100% movido a eletricidade) e do eletrificado (híbridos) está o anunciado ganho no custo por quilômetro rodado.  

Para efeito de comparação, a cada 100 km rodados o elétrico gasta R$ 16, contra até R$ 70 pela mesma rodagem no motor a combustão, relata à Agência Brasil Thiago Sugahara, vice-presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).  

Tem mais: a entidade projeta superar 30 mil emplacamentos de carros elétricos este ano. Atualmente, relata à Agência Brasil, o país possui frota estimada em 60 mil carros movidos a energia elétrica.  

Com tantas informações positivas, os motores movidos a eletricidade só podem estar em céu de brigadeiro. Certo?  

Não, se depender de montadoras como a Volks e a BMW. No caso da Volks, Pablo Di Si, presidente da montadora na América Latina, afirma que a aposta é 100% no etanol. O principal motivo, segundo ele, é o ganho ambiental promovido pelo biocombustível. Em linhas gerais, o etanol emite quase 80% menos dióxido de carbono (CO2) que a gasolina e como se sabe, o dióxido é um dos principais causadores dos gases de efeito estufa, os GEEs.  

Leia aqui mais sobre a campanha da Volks pelo biocombustível.  

O CEO da Volks disse ao Energia Que Fala Com Você que, sim, os eletrificados terão vez no Brasil. Mas chegarão gradativamente.  

Enquanto isso, como prova da aposta no biocombustível, a montadora alemã escolheu o Brasil para sediar um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em tecnologias baseadas em biocombustíveis (leia mais aqui). O posicionamento da Volks em favor do etanol ganhou destaque na mídia no fim do primeiro semestre deste 2021.  

Recentemente, a também alemã BMW veio a público comunicar que seguirá no Brasil investimentos em motores a combustão.  

A medida confronta ao aplicado na Europa, onde o grupo tem se mostrado entusiasta no plano de reduzir a produção de veículos movidos a combustíveis fósseis. Em síntese: a BMW anunciou investimentos da ordem de R$ 500 milhões em sua fábrica em Araquari (SC) nos próximos três anos. Detalhe: não estão incluídos aí nem projetos de carros elétricos ou híbridos. No caso, o aporte será direcionado à renovação de modelos, trabalhos da engenharia local e no desenvolvimento de um novo totalmente novo, cujas características são mantidas em sigilo.  

Mas qual o motivo de deixar de lado os elétricos? 

Em conteúdo do jornal Valor, os executivos da BMW adotaram “um tom sincero para dizer que a velocidade da eletrificação não pode ser a mesma em todos os países.” Mais: “o Brasil ainda deixa a desejar em termos de infraestrutura.” Em tempo: os aportes em elétricos no País virão. O mercado de veículos eletrificados varia dependendo de cada mercado.  

E, também, do quanto cada país evolui em termos de expansão da infraestrutura de carregamento das baterias. Enfim, enquanto essa expansão não chega, os motores a combustão seguirão no mercado, tendo como destaque o etanol hidratado, que emite até 80% menos GEES que a gasolina.  

Quer entender um pouco mais sobre essas e outras questões ligadas a este novo movimento das montadoras? Dá uma conferida nesse webinar que foi realizado em maio deste ano pela Fenasucro & Agrocana TRENDS com a presença do Pablo Di Si.