Entenda o que são tokens de energia elétrica renovável

Dois deles devem estrear em 2022 por meio de parceria entre a Mercado Bitcoin e a Comerc

Entenda o que são tokens de energia elétrica renovável
Crédito da imagem: Pixabay

Tokens de energia renovável. Novos, desconhecidos, eles tendem a se tornar bem comuns no universo de energia elétrica no curto espaço de tempo. Sendo assim, é apropriado conhecê-los o quanto antes.  

Mas que raios são tokens de energia renovável?  

Tome o exemplo do recém-anunciado acordo entre a plataforma de criptoativos Mercado Bitcoin e a gestora de energia Comerc, controlada em 50% pela Vibra (ex-BR Distribuidora). Esse acordo contempla pelo menos dois tokens de energia renovável, relata conteúdo do Blocknews, serviço digital de notícias e análises.   

Vamos lá.  

‘Cashback’ 

O primeiro dos tokens de energia renovável é o do ‘cashback’ que vem da geração distribuída (GD) da energia solar. Energia solar fotovoltaica já é bem conhecida, mas GD, vale resumir, é expressão usada para designar a geração elétrica realizada junto ou próxima do consumidor (leia mais aqui).  

Esse token integra também a plataforma de GD de energia Solar Sou Vagalume, da Comerc.  

Funcionará assim: o consumidor residencial se inscreve para ‘alugar’ parte – ou pedaço – de geradoras de energia solar na Sou Vagalume. Por sua vez, o aluguel é feito com base no consumo médio da residência. Daí a energia das chamadas fazendas solares vai para as distribuidoras locais de energia, encarregadas, enfim, de entregar a eletricidade. Aí vem o ‘pulo do gato’: como o consumidor investiu em energia renovável, receberá cerca de 15% a 20% de ‘cashback’ no valor da conta. O percentual depende do tamanho do consumidor.  

Detalhe: é esse ‘cashback’ que dará lastro para a criação do token em 2022.  

Segundo a Comerc, esse token será “como qualquer outra moeda”. No entanto, terá o benefício adicional de representar uma geração renovável de energia. 

Mais: a Comerc deverá oferecer aos clientes opções como a compra dos tokens por um valor fixo. Depois, será realizada venda no mercado secundário.  

Vai um exemplo: se o consumidor (seja residencial, comercial ou rural) tiver um gasto mensal de R$ 1 mil, terá R$ 150 mensais convertidos em tokens.  

Outra: a empresa aposta que o desconto na conta com liquidez em token é bem mais interessante do que o desconto na fatura.  

Não é à toa que dos atuais 5 mil clientes geradores de energia por meio da plataforma de GD, a Comerc espera chegar a 150 mil no fim de 2022.  

Veja também: Sob risco de dissolução, estatal fabricante de chips ganha sobrevida

Token com lastro em I-REC 

O segundo dos tokens de energia renovável é o com lastro em I-REC,  (International REC Standard), um certificado de consumo de eletricidade de fontes renováveis 

Conforme o BlockNews, este token está em fase de estruturação.  

Mas, em síntese, as empresas usam este certificado para comprar de quem segue políticas de sustentabilidade. Melhor dizendo: empresas geram energia, emitem o certificado e vendem a quem precisa ou quer compensar carbono. Vale dizer que o I-REC possui uma plataforma global que possibilita o comércio de certificados de energia renovável.  

Em conteúdo no portal Venturus, Frederico Vasconcelos detalha que, nesse sistema, o registro das usinas geradoras é feito por uma empresa devidamente habilitada pelo I-REC Standard. Por sua vez, essa entidade é responsável por registrar, supervisionar e auditar as usinas geradoras e, posteriormente, emitir os certificados para a energia gerada.  

Enfim, no Brasil o Instituto Totum é o emissor local autorizado pela I-REC Standard.  

E o que vem depois? 

Os I-RECs emitidos são registrados em um sistema central no qual podem ser rastreados. Isso evita problemas de duplicidade na contagem, emissão ou resgate dos certificados.  

Ademais, para as empresas interessadas na aquisição dos certificados o sistema garante, ainda, segurança e confiabilidade na comercialização desses títulos.