Novas tendências para a gestão e maior eficiência no uso de energia

Tendências, soluções e até novas denominações que podem se encaixar melhor ao novo momento do mercado foram pautas do último webinar de 2021 da programação de Fenasucro & Agrocana Trends promovido pela CPFL Soluções 

Paulo Montabone, Diretor da Fenasucro & Agrocana

Paulo Montabone, Diretor da Fenasucro & Agrocana abriu o último webinar da programação de 2021 da Fenasucro & Agrocana TRENDS – “Como as indústrias inovam a gestão e a geração de energia com mais eficiência, sustentabilidade e competitividade” – destacando a palavra BIOENERGIA. “Nome tão diferente que ganhou o planeta e se tornou nova bandeira de lidar com a energia”, disse ele, que também moderou o debate entre alguns dos principais executivos ligados à gestão e eficiência de energia do Brasil.

Ele lembrou que a baixa pegada de carbono gerada pela energia de biomassa renovável da cana “é cada vez mais colocada em prática para trazer benefícios.” 

Além de avaliar esses benefícios, o webinar que contou com a participação de Flávio de Souza, Diretor comercial da CPFL Soluções; Sergio Norcia, Gerente de Processos e Eficiência Energética da Raízen e Zilmar Souza, Gerente de Bioeletricidade da UNICA, trouxe à tona temas prioritários como a inserção de mais bioeletricidade de biomassa no sistema gerador e o que virá pela frente, além das soluções em energia que ajudam as indústrias do agronegócio e as suínas a terem mais competitividade e eficiência. 

Quer saber o que mais eles disseram?

Energia Que Fala Com Você apresenta abaixo as avaliações desses especialistas. 

Flávio de Souza, diretor comercial da CPFL Soluções

Busca por eficiência energética

Eficiência não é apenas para grandes empresas. Em sua casa, pode-se fazer otimizações. Trocar lâmpadas incandescentes por LED gera 70% de economia. Não é só custo, mas garantia de suprimento, de maior eficiência. 

Hoje a indústria é dependente da energia, por conta também da maior implantação de tecnologia. Mesmo em casa, há inúmeros dispositivos conectados. Tente ficar sem energia.

Por mais que a nossa matriz energética seja renovável, passamos recentemente por crise hídrica, cuja fonte é afetada por escassez, e o impacto é custo maior de energia (pelo uso de térmicas). 

As térmicas oferecem energia o tempo todo. Na CPFL temos todas as fontes e pelo custo adequado garantimos o suprimento de nosso cliente. Ele tem que ter um custo competitivo. 

Com o avanço da tecnologia, transforma-se a eficiência em planos cada vez mais próximos da realidade. 

Integração de energias de fontes diferentes

O País tem sistema interligado com gerações de fontes diferentes que entram por contrato. Consumimos energia de regiões e, embora haja grande geração de eólica no Nordeste, é preciso ampliar a rede de transmissão para transportá-la. 

Temos que aproveitar a capacidade abundante do Brasil (sol, vento e água) e tecnologia no avanço de extrair kilowatts-hora (kWh) do bagaço. Isso leva a gente a ser protagonista em ambiente global. 

Temos capacidade grande de auxiliar o cliente no momento e na necessidade dele. 

Futuro do abastecimento diante tantas fontes

É preciso olhar com eficiência: quanto de kWh é possível? Se se tem planta produtora de bebida, cada litro produzido consome quantos litros de água e kWh? Isso é gestão. É preciso buscar incansavelmente essas respostas. 

Além disso, se somos dependentes de uma única fonte, corremos risco. Dependemos de água e passamos por crise hídrica. Se ampliamos as fontes, conseguimos equilíbrio e, de forma sistêmica, podemos baixar custos. Daí deve entrar o governo para propor planos. 

Temos carros elétricos, baterias chegando, o hidrogênio verde – em que temos grande capacidade de geração. Isso dá segurança ao cliente. Daí a tecnologia não irá parar. 

Conseguimos na CPFL traduzir o que é avanço tecnológico para o cliente. Se o cliente é de papel e celulose, não pode parar uma unidade. 

Como obter esse equilíbrio? A CPFL investe muito em P&D e está próxima da geração no interior paulista para entender, ter domínio, e é onde consegue dar grande suporte. 

Como a CPFL Soluções conecta seus clientes

A CPFL Distribuidora faz um estudo profundo para entender como conectar as empresas geradoras. Não se trata apenas da simples conexão do fio, normalmente se existe linha próxima, é feita uma análise. Durante o processo, a CPFL Soluções dá todo suporte caso as empresas geradoras tenham interesse pela conexão.

Entramos com toda mão de obra e capacidade técnica. E é importante que, com a retomada econômica esperada, haja novos leilões e há também o Mercado Livre, que pode remunerar o ativo dos investidores, em contratos de longo prazo. Este Mercado está em franca expansão.

Mini-usina de energia solar: parceria

A CPFL Soluções dá suporte para construção de toda usina. Acabamos de entregar projeto de solar para 300 hospitais. 

Atuação no Nordeste

A CPFL hoje é líder em geração renovável, com mais de 100 usinas. No Nordeste, temos grandes clusters no Ceará e Rio Grande do Norte, em solar e eólica. 

Existem, sim, muitos projetos de energia renovável e, para eficiência, há programa desenvolvido em parceria com a distribuidora, que seleciona.

Sergio Norcia, gerente de processos e eficiência energética da Raízen

Transição energética

Realmente é desafiador a nova abordagem da bioenergia. Somos, como Raízen, protagonistas da transição energética. 

É basicamente trazer o bagaço e sua importância como produto central. Hoje, ao olhar o portfólio, pode-se fazer bioeletricidade com este bagaço, que também pode ser transformado em etanol 2G ou pellet como fonte de combustão em outras localidades.

Neste sentido, trazendo a importância do bagaço, ele é variável preponderante em quanto de vapor precisamos gerar para etanol ou açúcar e tem papel vital na diversificação de portfólio. 

Consumo de vapor, de nossa energia elétrica, nossa UTE como um todo. Com maior eficiência energética, consegue-se mais energia no grid.

De usinas a parques de energia

O setor opera economia circular: um resíduo inicial, caso do bagaço, e faz energia elétrica. Depois o 2G. Agora a vinhaça e a torta gerando biogás e energia a partir dele. 

A velha usina deveria ter o termo evoluído no contexto geral da agroindústria. Passariam a ser “parques de bioenergia”. Por que? Não é mais produtora de açúcar e etanol, mas de eletricidade, biogás, biometano, etanol de 2G e tem também capacidade de, olhando em futuro de substitutos, plugar dentro de complexo verde, para colocar não só produção típica, mas toda a indústria sustentável de baixa pegada de carbono. 

A fabricação de etanol e de açúcar segue em ritmo de ganho de produtividade pelas usinas de cana-de-açúcar. Basta ver que mesmo em ano de seca e geada, como em 2021, o setor só não produziu mais porque a oferta de cana caiu em 10%. Por sua vez, as unidades produtoras esbanjam resultados em favor do meio ambiente e um bom exemplo é a descarbonização promovida pela própria cana.

Como a Raízen se prepara para a diversificação de fontes

Informação: assim como ela é importante na gestão, temos que entender detalhes e, considerando parques de energia com processos variados ao mesmo tempo, temos olhado para controles avançados. 

Isso permite conciliar. Vale a pena citar a preparação de base: seja por tecnologias de domínio público (sistemas já segmentados), e combustão de caldeira e importância da eficiência como um todo para gerar energia ou usar bagaço para 2G ou biogás. 

Entressafra: como funciona a eficiência neste período

Quando se fala em otimização da parada, deve se ter um bom planejamento da manutenção. Como a Raízen possui parque de 31 unidades, consegue olhar qual unidade tem melhor retorno para voltar até ela em momento mais próximo, ou reduzir a entressafra para otimizar a geração de energia. E olhar para equipamentos críticos neste momento: ver a saúde das caldeiras, pré-aquecedores.

Novos investimentos nos próximos anos?

Estamos sempre estudando e olhando a viabilidade econômica. Entre as 31, ainda há usinas que não exportam. Olhamos para que sejam exportadoras de energia. 

Sempre estudamos e discutimos qual a viabilidade do ponto de conexão, para colocar, operar e otimizar os parques.

Onde a Raízen quer chegar em bioenergia?

Como porta-voz, queremos redefinir o futuro da energia e ser protagonista. Como maior player, ofertar plantas de biogás, de 2G, mercado de carbono. Queremos realmente protagonizar a transição energética. 

Zilmar Souza, gerente de bioeletricidade da UNICA

Potencial para produzir 5,5 vezes Belo Monte

O setor da biomassa como um todo, não só da cana, tem grande potencial. Aproveita-se 15% do potencial de geração de energia pela biomassa. 

No tocante a biomassa da cana, geramos em 2020 pouco mais de 80% do que gera a usina de Belo Monte. Mas, com a mesma biomassa, poderíamos ter gerado 5,5 vezes mais. 

Nos últimos anos, o setor tem investido em aproveitar as oportunidades e buscar a eficiência. Em 2010, 36 kWh por tonelada em geração para consumo próprio e exportação e em 2020 foram 56 kWh, alta de 60%. 

Pode-se crescer, chegar a 100 kWh por tonelada. Temos uma grande avenida de potencial. 

O Operador Nacional do Sistema (ONS) fez planejamento entre 2021 e 2025 e mesmo com a economia patinando, até 2025 em MW novo precisaremos acrescentar uma nova Itaipu. Grande parte disso já está contratado, mas se houver demanda extra, certamente a biomassa, que tem qualidades excepcionais, será bem competitiva. 

Presença do biogás

Biogás: de janeiro a setembro a geração de biogás na agroindústria cresceu 200%, 49 MWh contra 24 MWh em 2020. Isso com apenas duas usinas, uma da Raízen e outra no interior do Paraná. 

Temos potencial de gerar 15 mil MWh no setor via biogás produzido no setor sucroenergético, que daria para atender 10 mil consumidores residenciais por um ano. 

Política pública

É sempre bem-vinda. Isso porque é preciso planejamento de 10 a 50 anos de matriz elétrica. Como aproveitamos apenas 15% do potencial, é preciso avançar em políticas para dinamizar.

Não estamos parados, acrescentamos R$ 20 bilhões em energia nova de biomassa. 

Mas é preciso previsibilidade porque o setor responde muito rapidamente, o que irá garantir crescimento mais robusto. 

Qual será a próxima pegada?

Efectivamente, o que se observa é a demanda por bioenergia. E, dentro dela, não é para ligar TV, mas demanda por qualidade. Exige sustentabilidade, que possa vir de economia circular. E fontes como biomassa, solar, eólica, são bem-vindas. 

Se a cada 5 anos vamos precisar de uma nova Itaipu, imagine o esforço para crescer a oferta com sustentabilidade. Daí a biomassa cai como uma luva. 

Quanto mais biomassa gera energia para rede, mais se poupa água nos reservatórios. É o pulmão das hidrelétricas. 

Futuro é aproveitar fontes estratégicas como a biomassa. 

Usinas que ainda não exportam energia de cana

De 365 usinas em 2020, 220 exportavam excedentes e 146 não exportavam. 

Todas já produzem para consumo próprio, mas essas 146 poderiam passar por retrofit e exportar. Algumas têm dificuldade de conexão, mas quem precisa pagar pela energia até o ponto de conexão pode inviabilizar devido aos custos. 

Leilão pode atrair: a fonte biomassa vendeu 7 projetos em setembro, gerando investimentos até 2026 de R$ 1 bilhão. 

É preciso mais leilões dedicados à biomassa para trazer as 146 usinas que hoje não exportam, mas fazer o retrofit do retrofit das que já exportam.