Biorrenováveis de cana reforçam presença no mercado de química convencional

Gigantes Cosan e Braskem formalizam parceria em busca de oportunidades para a chamada química verde

O etanol de cana-de-açúcar, que já é consolidado no Brasil, avança como biocombustível em países como a gigante Índia, que se prepara para ampliar para 20% a adição do derivado da cana à gasolina (leia mais aqui). 

Não é só. Fonte para geração de etanol celulósico, ou 2G, ainda mais limpo e produtivo, o etanol é matéria-prima para outras tecnologias de ponta, como a célula de combustível em fase de desenvolvimento para abastecer os motores híbridos eletrificados (leia aqui). 

Tem mais: o próximo passo do etanol é ser fonte geradora de produtos químicos de origem renovável, ou biorrenováveis, integrantes da chamada química verde. 

Mas para que servem eles? 

Em primeiro lugar, os biorrenováveis são sustentavelmente limpos. E chegam para brigar por espaço hoje ocupado pelos concorrentes sujos e poluentes, baseados na petroquímica. 

Como se sabe, as práticas ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) chegaram para ficar e a química verde encaixa-se como uma luva neste universo. 

Mas embora aparentemente novos, os biorrenováveis já fazem parte do universo de fornecedores para empresas do setor petroquímico. 

Um bom exemplo está na Braskem, gigante petroquímica controlada pela Novonor (ex-Odebrecht) e a Petrobras, que produz polietileno ou plástico verde. 

Feito a partir da cana-de-açúcar, o produto, conforme divulgação da empresa em 2019 (leia aqui), é empregado como matéria-prima para a fabricação de capas de chuvas duráveis e reutilizáveis de um cliente nos Estados Unidos. 

Detalhe: ao invés de emitir dióxido de carbono (CO2), um dos gases causadores do efeito estufa, o plástico verde sequestra CO2.

É assim: durante seu processo produtivo, o renovável captura 3,09 toneladas do gás. E uma vez ‘sequestrado’, o CO2 permanece fixado em uma eficiente ação contra os gases de efeito estufa. 

Por sua vez, a redução de emissões vai em linha com a política de descarbonização que também chegou para ficar mundo afora. 

Por isso até a Braskem e a Cosan, player sucroenergética sócia da Shell na Raízen, uniram forças para explorar oportunidades em biorrenováveis (saiba mais a respeito aqui). 

Uma delas é justamente inserir a fixação de CO2 no mercado de carbono, em fase de formatação após a Conferência do Clima da ONU, a COP26, realizada em novembro em Glasgow, na Escócia (leia mais aqui).

Quais os próximos passos?

Segundo as empresas, um grupo de 30 profissionais da Braskem e da Cosan, dedicados à inovação e sustentabilidade, já estão em campo para mapear oportunidades dessa parceria. 

Até então, o número de iniciativas elencadas passa de 20. 

Não para por aí. Em outra frente entra a empresa de logística Rumo, controlada pela Cosan, que negocia com a petroquímica o transporte de produtos por trens, movidos por eletricidade, e não mais por caminhões, abastecidos pelo poluente diesel.